Acompanhe:

Moro: Lava Jato não é "sebastianismo da salvação nacional"

Juiz da Lava Jato disse que "não se pode pensar que a corrupção é responsabilidade exclusiva do poder público"

Modo escuro

Continua após a publicidade

	"A mudança não acontece sozinha. Depende em parte do poder público e também da iniciativa privada", disse Sérgio Moro
 (Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil)

"A mudança não acontece sozinha. Depende em parte do poder público e também da iniciativa privada", disse Sérgio Moro (Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil)

J
Julia Affonso, Mateus Coutinho e Fausto Macedo

Publicado em 20 de agosto de 2015 às, 21h22.

São Paulo e Curitiba - O juiz federal Sérgio Moro, que conduz as ações da Operação Lava Jato, disse nerta quinta-feira, 20, que 'não se pode pensar que a corrupção é responsabilidade exclusiva do poder público'.

Ao falar para uma platéia de advogados, em São Paulo, ele afirmou: "A iniciativa privada, com dinâmica própria, tem muito mais chances de mudar rapidamente do que o poder público. A corrupção não é uma responsabilidade exclusiva do poder público. Se for assim não vamos avançar muito porque o poder público, todos nós sabemos que, em geral, é ineficiente."

Moro avalia que o poder público 'se move muito vagarosamente'.

O juiz da Lava Jato participou do 5.º Simpósio de Direito Empresarial, promovido pela Aliança de Advocacia Empresarial (Alae), em São Paulo. "Na corrupção há dois criminosos. Aquele que paga e o que recebe."

Moro considera que a Lava Jato - maior investigação sobre corrupção no país, envolvendo cerca de 50 políticos - surge como uma importante oportunidade de mudança, mas fez um alerta.

"A mudança não acontece sozinha. Depende em parte do poder público e também da iniciativa privada".

Ele fez uma comparação do sistema criminal brasileiro com o italiano. Comentou sobre as consequências da 'Mani Pulite', a famosa Operação Mãos Limpas que a Itália desencadeou nos anos 1990.

O juiz da Lava Jato tem sido criticado por advogados criminalistas porque já mandou prender mais de uma centena de alvos da grande investigação que já saiu do âmbito da Petrobras e avança para outras estatais.

"Me criticam pelo número de prisões preventivas, mas só em Milão foram oitocentos presos."

Ele advertiu para o fato de que a sociedade brasileira acredita que a corrupção diminuirá a partir de episódios emblemáticos da história recente, como a própria Lava Jato e o Mensalão - Ação Penal 470, que levou para a prisão quadros importantes do PT.

"Muitos disseram que a Ação Penal 470 iria mudar o País. Não sei se mudou. Mas me pergunto se não estamos esperando que esses casos sejam uma espécie de sebastianismo da salvação nacional."

O juiz rebela-se contra o volume monumental de recursos cabíveis aos tribunais superiores. Em 2012, no julgamento do Mensalão, ele atuou no gabinete da ministra Rosa Weber. Testemunhou, então, o que chama de 'patologia'.

"Eu vi no Supremo uma patologia do abuso de recursos. São patologias que se repetem."

Sérgio Moro atacou a prescrição - quando se esgota o prazo que o Estado tem para punir -, e fez um alerta.

"A maioria dos países tem prescrição. Mas acaba não resolvendo o problema tornar crimes imprescritíveis porque o que interessa é a solução. Se temos um sistema que leva dez anos para condenar o réu confesso, ele não funciona."

Moro disse que 'é difícil encontrar pessoas satisfeitas com modelo judicial brasileiro'.

O juiz da Lava Jato defende que a prisão de um condenado deve ser imediatamente executada tão logo confirmada pela segunda instância judicial - tese que custou pesadas críticas a Moro, sobretudo da advocacia, nos últimos meses.

Para surpresa da plateia de bacharéis, ele pediu apoio até da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

"Me parece uma mudança essencial. No nosso sistema criamos uma interpretação bem intencionada, mas desastrosa, de que se deve esperar o trânsito em julgado para decretar a prisão. Para essa mudança precisamos do apoio dos cidadãos e da OAB, nosso principal foco de resistência."

Últimas Notícias

Ver mais
Lula deve ter ao menos 2 reuniões bilaterais em viagem à Guiana, diz Itamaraty
Brasil

Lula deve ter ao menos 2 reuniões bilaterais em viagem à Guiana, diz Itamaraty

Há 5 horas

Aneel mantém bandeira tarifária verde em março, sem adicional nas contas de luz
Brasil

Aneel mantém bandeira tarifária verde em março, sem adicional nas contas de luz

Há 5 horas

BNDES aprova R$ 88,5 milhões para expansão da internet de banda larga na PB e no RN
Brasil

BNDES aprova R$ 88,5 milhões para expansão da internet de banda larga na PB e no RN

Há 6 horas

Juiz manda submeter esfaqueador de Bolsonaro a tratamento psiquiátrico
Brasil

Juiz manda submeter esfaqueador de Bolsonaro a tratamento psiquiátrico

Há 7 horas

Continua após a publicidade
icon

Branded contents

Ver mais

Conteúdos de marca produzidos pelo time de EXAME Solutions

Exame.com

Acompanhe as últimas notícias e atualizações, aqui na Exame.

Leia mais