Ibama: Minas Gerais responde por 25% do rompimento de barragens no mundo

Ibama é sempre voto vencido nas reuniões com a Vale, diz Júlio Grillo, superintendente do órgão
 (Washington Alves/Reuters)
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Clara Cerioni, com Natália Flach, correspondente em Brumadinho

Publicado em 26/01/2019 às 17:07.

Última atualização em 26/01/2019 às 17:09.

Brumadinho (MG) — O rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, nesta sexta-feira (26), não é um caso isolado, que relembra apenas Mariana (MG), de acordo com Júlio Grillo, superintendente do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis).

Em entrevista a EXAME, o especialista afirmou que Minas Gerais tem um rompimento de barragem de rejeitos a cada dois anos, em média.

"Se no mundo são registrados dois rompimentos por ano, isso significa que o estado brasileiro responde por 25% dos desastres deste tipo", disse na saída da Faculdade Asa de Brumadinho, onde as autoridades montaram um centro de operação.

Até agora, a tragédia em Brumadinho provocou ao menos 11 mortes e deixou 299 desaparecidos, segundo o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais.

"Essas barragens não oferecem segurança total", afirmou Grillo.

Para o superintendente, é necessário fazer o descomissionamento —desmontar a mina e jogar o rejeito no local da cava — das 402 barragens, dando prioridade para aquelas que oferecem mais risco.

"A engenharia de barragens daqui é a pior que existe. Escolhem esse tipo de operação porque é a mais barata que tem. Não mudou nada desde Fundão, o que se tem são só cortinas de fumaça", acrescenta.

O especialista se refere à tragédia em Bento Rodrigues, próximo a Mariana.

Em relação aos votos do Ibama, quando há decisões no Conselho Estadual de Política Ambiental, Grillo afirmou que o instituto é "sempre voto vencido".

Multa

Neste sábado, o Ibama aplicou uma multa de 250 milhões de reais à mineradora Vale, por conta da “catástrofe socioambiental”.

Em nota, o órgão afirmou que “os danos ao meio ambiente decorrentes do rompimento de barragens da mina Córrego do Feijão resultaram até o momento em cinco autos de infração no valor de R$ 50 milhões cada, o máximo previsto na Lei de Crimes Ambientais”.