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Ultracargo anuncia investimentos em duto para tirar 5 mil caminhões da estrada

Nova infraestrutura conecta três terminais de distribuição de biodiesel em Rondonópolis, um dos principais polos agrícolas do país

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César H. S. Rezende
César H. S. Rezende

Repórter de agro e macroeconomia

Publicado em 30 de janeiro de 2026 às 06h01.

Última atualização em 30 de janeiro de 2026 às 07h20.

A Ultracargo, empresa de soluções logísticas, anunciou nesta sexta-feira, 30, um investimento de R$ 2,2 milhões na construção de um novo duto de biodiesel em Rondonópolis (MT) — a expectativa é de que a obra reduza o tráfego de até 5 mil caminhões por ano na região. A operação é fruto de uma parceria com a COFCO International.

A nova infraestrutura conecta três terminais de distribuição de biodiesel em Rondonópolis, um dos principais polos agrícolas do país. A unidade da COFCO na cidade, com capacidade de produção de 432 milhões de litros por ano, passa a contar com um duto que opera a 280 m³ por hora.

Segundo Raphael Nascimento, diretor comercial e de planejamento da Ultracargo, a adoção do modal elimina etapas do transporte rodoviário e amplia a conectividade entre o terminal ferroviário de Rondonópolis e a planta industrial de biodiesel da COFCO.

A estratégia, afirma ele, integra o plano de expansão da empresa no interior do país e a aposta em soluções logísticas multimodais. “Esse projeto representa uma solução estrutural mais eficiente para o transporte e maior previsibilidade operacional”, diz Nascimento.

Entre 2023 e 2025, a Ultracargo investiu aproximadamente R$ 1,2 bilhão em projetos de infraestrutura voltados à logística, com foco na integração entre modais e na ampliação de terminais portuários nas regiões Sudeste, Norte e Nordeste.

Segundo o executivo, a companhia possui alguns terminais portuários em ritmo de expansão. “Expandimos Santos. Estamos concluindo obras em Itaqui, Suape e Vila do Conde”, afirma.

O projeto em Rondonópolis também faz parte desse ciclo intensivo de aportes. “Queremos estar onde há entraves para destravar e criar valor”, diz o executivo.

A perspectiva de novos investimentos permanece em análise. Segundo Nascimento, há estudos em curso para a ampliação das operações nas regiões Norte e Nordeste, que apresentam forte crescimento da produção agrícola e baixa densidade logística.

A empresa ainda não confirma os locais exatos, mas reconhece que há espaço para soluções estruturantes voltadas ao escoamento da produção.

“São, naturalmente, investimentos que requerem um prazo mais longo de retorno. Então, é necessário um arcabouço que os sustente", diz o executivo.

Lei Combustível do Futuro

A aprovação da Lei do Combustível do Futuro, em vigor desde o início de 2025, também influenciou a decisão de investimento.

O marco regulatório prevê estabilidade e um crescimento gradual da mistura de biodiesel no diesel tradicional, garantindo um horizonte de demanda estável para investimentos de longo prazo.

O projeto aprovado pela Câmara estabelece que o percentual de etanol na gasolina seja fixado em 27%, com possibilidade de ajuste, pelo Poder Executivo, entre 22% e 35%, conforme as condições de mercado. Atualmente, a mistura pode chegar a 27,5%, com um mínimo de 18%.

“A mistura do biodiesel veio para ficar. O Combustível do Futuro é o arcabouço de estabilidade para investimentos”, afirma Nascimento.

“Você não vê nenhuma agenda em que essa mistura seja desafiada. Ela será mantida ou ampliada, dependendo da intensidade da política energética do país”, diz.

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