EXAME Agro

Ouro líquido? Crise dos azeites não é só no Brasil — e pode ser uma das piores já vistas

Supermercados na Espanha afirmaram que o produto se tornou o artigo mais roubado em algumas regiões do país

Publicado em 2 de maio de 2024 às 14h38.

Última atualização em 3 de maio de 2024 às 10h00.

A empresa espanhola Deoleo, dona de marcas de azeite como Carbonell e Bertolli, está preocupada com o futuro do mercado. Na verdade, classifica o atual momento como um dos mais desafiadores da história e diz que a indústria precisa passar por uma “transformação profunda”.

Segundo a CNBC, uma tempestade perfeita aconteceu para o mundo do azeite nos últimos meses: alterações climáticas, preços subindo, taxas de juro elevadas e uma inflação robusta. Isso tudo afetou a cadeia de valor do produto.

A Espanha, maior produtor mundial de azeite, sofreu com um calor histórico que limitou as colheitas de azeitona, o que culminou com os preços subindo de forma inédita, surpreendendo consumidores e especialistas da indústria.

A Espanha é responsável por mais de 40% da produção mundial de azeite, tornando-se uma referência global de preços.

“Estamos enfrentando um dos momentos mais difíceis da história do setor”, disse Miguel Angel Guzman, diretor de vendas da Deoleo, à CNBC por e-mail.

Os preços do azeite extra virgem na Andaluzia atingiram um recorde histórico de € 9,2 (US$ 9,84) por quilo em janeiro. Eles eram negociados em torno de € 7,8 em 19 de abril, de acordo com o índice de referência da Mintec, abaixo dos cerca de € 8 no final de março.

Os preços caíram devido ao aumento nas estimativas de produção e às chuvas benéficas em março e abril.

Desafio climático

A maior parte do abastecimento mundial de azeite provém do Mediterrâneo, em países como Espanha, Itália e Grécia,.

Analistas alertaram que as oliveiras são extremamente vulneráveis à crise climática. Embora normalmente possam lidar com altas temperaturas e sejam bastante tolerantes à seca, as condições recentes têm sido severas demais para as árvores.

A Deoleo disse que as secas e as altas temperaturas durante as fases críticas do desenvolvimento da azeitona nos últimos anos levaram à escassez nas colheitas espanholas, afetando a indústria como um todo.

A empresa afirmou que os preços na origem representam até 80% de seus custos totais, acrescentando que esta é “uma situação que devemos enfrentar, especialmente num contexto como o atual”.

Numa análise regional inédita dos riscos relacionados ao clima, a Agência Europeia do Ambiente afirmou em março que os países europeus deveriam preparar-se para consequências “catastróficas", à medida que o aprofundamento da crise climática atingir a economia como um todo ainda neste século

O relatório da AEA afirma que os impactos climáticos na produção alimentar podem atingir duramente a região, especialmente no sul da Europa, à medida que o calor extremo se torna mais frequente e os padrões de chuva mudam.

Roubos de azeite

O aumento dos preços do azeite também coincidiu com uma onda de roubos. Os supermercados na Espanha afirmaram no início de março que o azeite se tornou o artigo mais roubado em grandes áreas do país, segundo o Financial Times. Os principais culpados seriam gangues que visavam o produto para revenda no mercado negro.

Em agosto do ano passado, aproximadamente 50 mil litros de azeite extra virgem foram roubados na região de Córdoba, segundo relatos da mídia local. O roubo foi estimado em mais de € 420 mil.

Acompanhe tudo sobre:AzeitesAlimentando o Planeta

Mais de EXAME Agro

Exportações do agro brasileiro registram queda de 10,2% em maio

Produção de sêmen bovino registra alta de 10% no 1º trimestre de 2024

Rio Grande do Sul: inundações causam queda de 9% na produtividade do arroz, afirma Emater/RS

STF suspende sessão sobre incentivos fiscais para agrotóxicos

Mais na Exame