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O que o El Niño forte de 2026 pode significar para a safra global de cacau

Fenômeno climático pode alterar chuvas e temperaturas em regiões-chave produtoras e impactar ciclos 2025/26 e 2026/27, diz Hedgepoint

Produção de cacau: A produção global reagiu em 2025/26, com alta de 11%, impulsionada por condições climáticas mais favoráveis na África e na América do Sul. (Rafael Martins/AFP/Getty Images)

Produção de cacau: A produção global reagiu em 2025/26, com alta de 11%, impulsionada por condições climáticas mais favoráveis na África e na América do Sul. (Rafael Martins/AFP/Getty Images)

César H. S. Rezende
César H. S. Rezende

Repórter de agro e macroeconomia

Publicado em 26 de junho de 2026 às 06h00.

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O mercado global de cacau segue sob atenção redobrada diante da confirmação de um episódio de El Niño forte a partir de novembro de 2026, o que volta a colocar o clima no centro das preocupações para as próximas safras.

Segundo a Hedgepoint Global Markets, o fenômeno reforça as incertezas climáticas em um momento em que a recuperação parcial da produção na África Ocidental, principal região global produtora, sustenta perspectivas mais favoráveis para o balanço global da safra 2025/26.

O cenário climático recente ainda dá suporte à produção, especialmente pela melhora na precipitação em regiões-chave.

"As condições climáticas mais favoráveis observadas nos últimos meses, especialmente em relação à precipitação acumulada, estão entre os fatores que sustentam a recuperação parcial da produção na África Ocidental, principal região produtora de cacau do mundo", diz o relatório.

Segundo a consultoria, o mercado permanece estruturalmente sensível às condições climáticas, com chuvas e temperaturas sendo determinantes para os próximos ciclos.

“O comportamento das chuvas e das temperaturas nas principais regiões produtoras continuará sendo determinante para a produção dos próximos ciclos”.

A produção global reagiu em 2025/26, com alta de 11%, impulsionada por condições climáticas mais favoráveis na África e na América do Sul.

A produção mundial alcançou cerca de 4,7 milhões de toneladas, superando a moagem estimada em 4,6 milhões de toneladas — movimento que levou o mercado de volta ao superávit após anos consecutivos de déficit.

Mesmo com a previsão de superávit em 2026, os preços do cacau seguem voláteis e sensíveis a fatores climáticos. A concentração da produção na África Ocidental — responsável por mais de 70% da oferta global — mantém o mercado exposto a riscos recorrentes.

El Niño no cacau

Os efeitos do El Niño sobre a produção não seguem um padrão único entre os países analisados. De acordo com a Hedgepoint, os impactos sobre a chuva variam segundo a intensidade do fenômeno e características regionais.

Em 2024, o fenômeno El Niño elevou as temperaturas e provocou estresse hídrico nas lavouras. Ao mesmo tempo, chuvas intensas favoreceram a disseminação da “podridão parda”, doença fúngica que reduz a produtividade dos cacaueiros.

Já as temperaturas apresentam comportamento mais consistente ao longo dos ciclos. “Nas últimas safras marcadas por El Niño, Costa do Marfim, Gana e Equador registraram, em diferentes momentos do ciclo, temperaturas acima da média, especialmente durante o principal período de florescimento”, diz.

Esse fator pode elevar o estresse das lavouras, especialmente quando combinado com menor disponibilidade hídrica.

Em relação à produção, a análise indica que os efeitos podem ocorrer de forma defasada, já que o cacau é uma cultura perene. Isso significa que perdas podem aparecer na safra impactada, com possíveis efeitos residuais nos ciclos seguintes.

Segundo a analista de mercado da Hedgepoint Global Markets, Carolina França, o fenômeno climático costuma estar associado a menor produção de cacau por elevar as temperaturas e afetar a regularidade das chuvas.

“No entanto, seus impactos variam conforme a intensidade do evento, o momento em que ocorre no ciclo produtivo e sua interação com fases críticas como florescimento e desenvolvimento dos frutos”, afirma a analista.

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