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Exportações do Brasil para a China sobem 28,6% e compensam queda nos EUA

Aumento das exportações brasileiras para a China compensou a queda nas vendas aos Estados Unidos após aumento tarifário imposto pelo governo americano em agosto de 2025

Exportações: o avanço das exportações para a China teve como principal fator o aumento dos embarques de soja (Getty Images)

Exportações: o avanço das exportações para a China teve como principal fator o aumento dos embarques de soja (Getty Images)

China2Brazil
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Agência

Publicado em 19 de dezembro de 2025 às 15h44.

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O aumento das exportações brasileiras para a China compensou a queda nas vendas aos Estados Unidos após aumento tarifário imposto pelo governo americano em agosto de 2025. Segundo estudo divulgado nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), as exportações para o mercado chinês cresceram 28,6% entre agosto e novembro, enquanto as vendas aos EUA recuaram no mesmo período.

De acordo com o Indicador de Comércio Exterior (Icomex), da FGV, o valor exportado pelo Brasil para a China avançou 28,6% nos quatro meses após a entrada em vigor das novas tarifas americanas. Em contraste, as exportações brasileiras para os Estados Unidos caíram 25,1% na comparação anual.

O movimento também apareceu nos volumes embarcados. As exportações físicas para a China aumentaram 30%, enquanto os embarques para os Estados Unidos recuaram 23,5%, segundo o Icomex.

A China segue como principal parceiro comercial do Brasil e responde por cerca de 30% do total das exportações do país. Esse peso relativo foi decisivo para reduzir os efeitos negativos das tarifas americanas sobre o desempenho geral das exportações brasileiras, aponta o estudo da FGV.

O relatório afirma que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, superestimou a capacidade do país de provocar danos amplos às exportações brasileiras ao elevar as tarifas a partir de agosto. As sobretaxas chegaram a até 50% sobre produtos importados.

Na análise mensal, o Icomex registra quatro meses consecutivos de retração nas exportações brasileiras após a entrada em vigor das tarifas dos EUA. Ao mesmo tempo, as vendas para a China aceleraram no mesmo período, com crescimento concentrado a partir de agosto.

Segundo Lia Valls, pesquisadora associada da FGV, o avanço das exportações para a China teve como principal fator o aumento dos embarques de soja, concentrados no segundo semestre do ano. Para ela, o crescimento das vendas ao mercado chinês ajudou a sustentar o desempenho externo do país.

Como resultado desse efeito compensatório, o valor total das exportações brasileiras acumuladas entre janeiro e novembro de 2025 cresceu 4,3% em relação ao mesmo período de 2024, apesar das tensões comerciais com os Estados Unidos.

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