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Em meio à praga da carne, México deve zerar exportações de gado em 2026

Segundo o USDA, a suspensão das vendas aos Estados Unidos afetou os embarques e alterou estruturalmente o fluxo do país

Gado no México: Em 2025, o volume exportado já havia despencado 81,6% em relação ao ano anterior, para 230 mil cabeças. (AAron Ontiveroz/MediaNews Group/The Denver Post/Getty Images)

Gado no México: Em 2025, o volume exportado já havia despencado 81,6% em relação ao ano anterior, para 230 mil cabeças. (AAron Ontiveroz/MediaNews Group/The Denver Post/Getty Images)

César H. S. Rezende
César H. S. Rezende

Repórter de agro e macroeconomia

Publicado em 4 de março de 2026 às 06h00.

Em meio ao avanço da bicheira-do-Novo-Mundo no México, o país deve zerar as exportações de gado em 2026. Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), não há expectativa de embarques de animais neste ano.

Em 2025, o volume exportado já havia despencado 81,6% em relação ao ano anterior, para 230 mil cabeças.

A suspensão das vendas aos Estados Unidos, após a confirmação de casos da praga no rebanho mexicano, afetou de forma expressiva os embarques e alterou estruturalmente o fluxo do setor. O México é um dos principais fornecedores de gado e carne bovina para o mercado americano.

Com a interrupção das exportações, os produtores tiveram de direcionar ao mercado doméstico mais de 1 milhão de animais que antes seriam enviados ao exterior.

“A prolongada inatividade do mercado deve provocar um aumento no volume de animais que ultrapassam as especificações ideais para exportação”, afirma o USDA em relatório.

Segundo dados oficiais atualizados, o México já registrou 13.106 casos da praga desde novembro de 2024, dos quais 671 permanecem ativos. O estado de Chiapas, no sul do país, concentra o maior número de ocorrências, seguido por Oaxaca, Veracruz e Yucatán.

A bicheira-do-Novo-Mundo é causada por moscas-varejeiras cujas fêmeas depositam ovos em feridas abertas dos animais. As larvas se alimentam do tecido vivo e, se não houver tratamento, podem levar o hospedeiro à morte.

O surto teve origem na América Central e avançou para o norte, afetando as cadeias de pecuária e de carne bovina no México e nos Estados Unidos. Diante do cenário, os EUA mantêm a fronteira sul praticamente fechada para a entrada de gado mexicano desde maio.

Produção de carne

Apesar do bloqueio comercial, o USDA estima que o México produza 8,4 milhões de cabeças de gado neste ano, acima das 8,3 milhões registradas em 2025.

O rebanho deve encerrar 2026 com 19,835 milhões de cabeças, ante 18,995 milhões no ano anterior, refletindo a retenção de fêmeas e a tentativa de recomposição do plantel após períodos de seca e desafios sanitários.

As importações mexicanas de bovinos, por outro lado, devem encolher 67% neste ano em relação a 2025, para 10 mil cabeças.

O abate está projetado em 7,225 milhões de cabeças em 2026, avanço de 5% sobre 2025. Já a produção de carne bovina deve atingir 2,3 milhões de toneladas em equivalente carcaça, alta de 6% frente às 2,17 milhões do ano anterior.

Para o consumo interno, o USDA projeta crescimento semelhante, de 6%, para 2,31 milhões de toneladas, impulsionado pela maior oferta no mercado doméstico.

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