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Preço da carne pode subir nos EUA – e o Brasil tem tudo a ver com isso

Retenção de fêmeas reduz oferta de gado e afeta mercado global de carne bovina

Carne bovina: mudança no ciclo pecuário brasileiro reduz oferta global e pressiona preços. (Montagem com elementos Canva)

Carne bovina: mudança no ciclo pecuário brasileiro reduz oferta global e pressiona preços. (Montagem com elementos Canva)

Publicado em 29 de dezembro de 2025 às 16h29.

Última atualização em 29 de dezembro de 2025 às 16h58.

A carne bovina deve ficar mais cara e mais difícil de encontrar nos Estados Unidos nos próximos meses — e o Brasil está diretamente ligado a isso.

Após dois anos de forte expansão da produção e das exportações, o país sul-americano começa a entrar em uma nova fase do ciclo pecuário, marcada pela redução da oferta de gado para abate.

O Brasil é hoje a principal referência do mercado global de carne bovina. Nos últimos anos, segundo a Bloomberg, a abundância de rebanhos garantiu preços mais baixos, favoreceu exportações recordes e ajudou países como os EUA — que enfrentam rebanhos historicamente reduzidos — a aliviar a inflação dos alimentos. Esse cenário, porém, começa a se inverter.

A alta nos preços dos bezerros no mercado brasileiro indica o início de um processo de retenção de fêmeas, estratégia usada por pecuaristas para recompor rebanhos. Na prática, menos animais seguem para o abate, reduzindo a oferta de carne tanto no mercado interno quanto no externo.

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Mudança de ciclo no Brasil altera o mercado global

O setor pecuário brasileiro está deixando para trás uma fase de excesso de oferta. A chamada retenção de novilhas marca o começo de um ciclo de aperto, que costuma se estender por vários anos. Especialistas ouvidos pela Bloomberg avaliam que a escassez ainda está no início e tende a se intensificar.

Estimativas de consultorias indicam que o abate de gado no Brasil pode cair mais de 5% no próximo ano, mesmo com avanços em eficiência reprodutiva. Ainda assim, o país deve manter embarques elevados, sustentado pela demanda internacional.

Esse movimento ocorre após um período em que os frigoríficos brasileiros ganharam vantagem competitiva sobre rivais dos Estados Unidos, da Austrália e de outros grandes produtores. Com custos menores, o Brasil ampliou embarques não apenas para o mercado americano, mas também para a China, seu principal destino.

Impacto direto nos Estados Unidos

Nos Estados Unidos, a situação é ainda mais sensível. Os rebanhos americanos estão no menor nível em décadas, pressionados por anos de seca e custos elevados de alimentação.

A tentativa do presidente Donald Trump de conter os preços da carne incluiu a ampliação das importações e a flexibilização de tarifas, abrindo espaço para mais produto brasileiro.

Segundo a Bloomberg, mesmo com a expectativa de que o Brasil continue liderando as exportações globais de carne bovina, os volumes enviados aos EUA devem ocorrer a preços mais altos. Isso porque a restrição de oferta não se limita ao Brasil: outros grandes produtores também enfrentam processos de recomposição de rebanhos.

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