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Café deve ter preços mais estáveis em 2026, diz indústria brasileira

Em 2025, os preços do café estiveram entre os principais vilões da inflação

Exportação de café: norte-americanos importaram 5,381 milhões de sacas, ou 13,4% do total, com queda de 40% na comparação anual. (Gerado por IA/Freepik)

Exportação de café: norte-americanos importaram 5,381 milhões de sacas, ou 13,4% do total, com queda de 40% na comparação anual. (Gerado por IA/Freepik)

César H. S. Rezende
César H. S. Rezende

Repórter de agro e macroeconomia

Publicado em 31 de janeiro de 2026 às 07h00.

Após variações acentuadas nos últimos anos, a indústria do café projeta um cenário de preços mais estáveis em 2026, sustentado por uma safra considerada positiva e condições climáticas mais regulares. A avaliação é da Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC).

“O clima mais estável pode favorecer o abastecimento e evitar pressões inflacionárias no varejo”, afirma Celírio Inácio, diretor-executivo da entidade.

Em 2025, os preços do café estiveram entre os principais vilões da inflação. O café moído acumulou alta de 35,68%, enquanto o solúvel subiu 25,5%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com a ABIC, a safra 2025/2026 deve alcançar 56,5 milhões de sacas, volume considerado suficiente para equilibrar o abastecimento tanto no mercado interno quanto no externo.

A valorização do café no varejo tende a seguir em ritmo moderado, com exceção de categorias específicas como os cafés gourmets e superiores, que ainda podem apresentar oscilações, dependendo do comportamento do consumidor.

A entidade também vê um papel crescente para os cafés certificados e rastreáveis, considerados fatores de diferenciação que podem justificar variações de preço — mas em um ambiente competitivo e transparente.

“Mais importante do que o preço absoluto é o valor percebido pelo consumidor, que reconhece a qualidade, a origem e a sustentabilidade do produto”, diz Inácio.

Preço e consumo em 2025

Em 2025, o faturamento da indústria cresceu 25,6% e chegou a R$ 46,2 bilhões, apesar da queda de 2,31% no consumo interno, que fechou o ano em 21,4 milhões de sacas, segundo a ABIC.

O café torrado e moído subiu 5,8% no varejo — um aumento inferior aos 37,4% registrados em 2024, mas ainda acima da média da inflação alimentar.

O movimento foi impulsionado, principalmente, pelo repasse de custos acumulados nos anos anteriores, quando a matéria-prima sofreu valorização de mais de 200% entre 2020 e 2024: 201% no conilon e 212% no arábica.

As categorias de maior valor agregado apresentaram comportamentos distintos: o café gourmet teve alta de 20,1%, enquanto as cápsulas recuaram 16,8%, refletindo a adaptação do consumo em um ano de renda pressionada.

O consumo per capita caiu para 6,02 kg de café cru por habitante ao ano — ou 4,82 kg na versão torrado e moído — influenciado tanto pelas variações de preço quanto pelo crescimento populacional, segundo a ABIC.

Ainda assim, o Brasil manteve sua posição como o segundo maior mercado consumidor de café do mundo, com presença em 98% dos lares e consumo médio de 1.400 xícaras por habitante ao ano.

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