WhatsApp vira canal de desinformação sobre novo coronavírus

Mensagens falsas sobre o Covid-19 estão sendo amplamente divulgadas na rede social; autoridades desmentem

Um dos benefícios das redes sociais e dos aplicativos de mensagens é a rapidez com a qual as informações chegam para os usuários. Em tempos de crise – como a pandemia de coronavírus –  no entanto, a grande quantidade de informações pode acabar se tornando negativa, levando em conta a dificuldade de se estabelecer um filtro para notícias verdadeiras e falsas. Enquanto autoridades de saúde, governos e jornais trabalham para entregar informações verificadas, mensagens enviadas por fontes desconhecidas em serviços como o WhatsApp auxiliam na desinformação – e não apenas no Brasil.

Nesta semana, o primeiro-ministro da Irlanda, Leo Varadkar, pediu aos seus seguidores no Twitter que parassem de compartilhar – e acreditar em – mensagens que não sejam de fontes verificadas. “Essas mensagens assustam e confundem as pessoas e causam danos reais. Obtenha suas informações de fontes oficiais e confiáveis”, disse Varadkar. 

A Fundação Oswaldo Cruz também foi alvo de uma mensagem falsa sobre o Covid-19, que estava sendo divulgada na plataforma. A mensagem dizia, entre outras informações falsas, que o “coronavírus é maior do que o normal; o diâmetro da célula é de 400 a 500 mícrons e, por esse motivo, qualquer máscara impede a sua entrada no organismo” e que “o coronavírus, quando cai sobre um tecido, permanece vivo durante nove horas, portanto, lavar a roupa ou colocá-la ao sol durante duas horas será suficiente para eliminá-lo”. A fundação desmentiu essas e outras afirmações em seu portal oficial.

A rede social, que pertence ao Facebook, está sendo apontada como uma das principais fontes de fake news sobre os desdobramentos do Covid-19. Muitas das mensagens chegam aos aparelhos celulares dos usuários com a sinalização de que a mensagem foi encaminhada. Além disso, são raras as vezes em que se sabe a fonte original do texto ou do áudio, o que dificulta o reconhecimento; nesse ponto, a desinformação já pode ter sido lida por milhares de pessoas.

Um ponto comum entre as mensagens em questão é que elas costumam mesclar informações verdadeiras com falsas. Por exemplo, uma mesma mensagem pode ensinar métodos eficientes para lavar a mão e dizer que fazer gargarejo com vinagre mata o vírus. Ou que, após a pessoa ter sido infectada, basta beber um copo de água a cada 15 minutos para que o vírus seja eliminado do organismo. Ou ainda, que a Ambev vai distribuir álcool em gel para a população, quando, na verdade, será apenas para hospitais.

Por conta da criptografia presente nas conversas do WhatsApp, autoridades encontram dificuldades em descobrir a origem real dessas mensagens. Como apenas o remetente e o destinário tem acesso aos mensagens, a empresa responsável também não garante um monitoramento sobre o que está sendo enviado.

Para tentar minimizar o estrago, porém, o WhatsApp lançou um portal para aconselhar seus usuários a utilizarem a rede social de uma forma segura. No site, estão presentes dicas para não acreditar em tudo o que é recebido, evitar o encaminhamento de mensagens não verificadas e também histórias relacionando o uso do serviço para combater o Covid-19. A companhia também indica maneiras pelas quais os profissionais de saúde, educadores e outras organizações podem utilizar o mensageiro para falar à distância.

Além disso, o WhatsApp também anunciou que irá direcionar 1 milhão de dólares para a Rede Internacional de Verificação de Fatos, para incentivar o trabalho contra as fake news. Contatada pela EXAME, a empresa enviou um posicionamento sobre o assunto:

“O WhatsApp é um serviço de mensagens privadas usado principalmente para conversar com amigos e familiares. Estamos empenhados em fazer a nossa parte para reduzir as mensagens enviadas em escala em nossa plataforma, e é por isso que introduzimos uma série de alterações no produto. Essas alterações incluem a redução do número de pessoas para as quais você pode encaminhar uma mensagem – apenas cinco conversas por vez -, e a introdução dos rótulos de “encaminhada” e “frequentemente encaminhada”, para destacar quando algo foi compartilhado várias vezes. Incentivamos todos os usuários a verificar a veracidade das mensagens antes de compartilhá-las e se envolver diretamente com fontes oficiais e confiáveis para obter informações importantes antes de compartilhá-las”.

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