Facebook, Microsoft e Zoom: quem ganha a guerra da videoconferência?

Crescimento das chamadas por vídeo durante a quarentena acirrou o embate entre as gigantes da tecnologia

Em tempos de quarentena, quem tem um serviço de videochamada em grupo é rei. Essa parece ter sido a lógica que o mercado de tecnologia resolveu seguir nas últimas semanas com o impulso de serviços que permitem realizar conversas em vídeo com duas ou mais pessoas. O movimento mais recente  foi dado na semana passada, quando o Facebook entrou na disputa contra empresas como Zoom, Google, Microsoft, entre outras.

A companhia de Mark Zuckerberg liberou um recurso que permite que o aplicativo Messenger possa realizar chamadas em vídeo com até 50 participantes. O limite anterior era de apenas oito pessoas. Em outubro do ano passado, o serviço de mensagens do Facebook contava com 1,3 bilhão de usuários e só tinha menos internautas cadastrados do que o WhatsApp – que também é do Facebook e estuda aumentar o limite de participantes em suas chamadas de vídeo –, com mais de 2 bilhões de usuários. Nos dois serviços, mais de 700 milhões de contas por dia realizam videochamadas.

O movimento do Facebook não foi por acaso. A companhia certamente está preocupada com o crescimento de rivais neste setor. Em especial, a Zoom Video Communications. Fundada em abril de 2011 por Eric Yuan, a empresa americana que oferece um serviço de chat por vídeo foi uma das que mais cresceram durante a pandemia do novo coronavírus e viu suas ações dispararem 136% desde o começo do ano. A companhia estava avaliada em 45,5 bilhões de dólares nesta segunda-feira (27).

Antes do anúncio do Facebook, as ações do Zoom estavam sendo negociadas na Nasdaq em recorde histórico de 180 dólares por ação graças à notícia de que a plataforma havia ultrapassado 300 milhões de usuários diários. A informação da chegada do Messenger na disputa fez com que os papéis imediatamente se desvalorizassem 12% no pregão do dia.

O crescimento do Zoom durante a crise do novo coronavírus é imponente, mas não chega a ser surpreendente. O serviço já se destacava mesmo meses antes dos primeiros casos de covid-19 serem noticiados. Em setembro do ano passado, um quadrante montado pela consultoria americana Gartner colocou o Zoom como um serviço “líder” ao lado de plataformas de gigantes do mercado. No mesmo gráfico, Google e Adobe aparecem apenas como desafiantes.

 (Gartner/Reprodução)

A crise do novo coronavírus impulsionou um crescimento esperado da empresa comandada por Yuan. Segundo a consultoria alemã Statista, a quantidade de downloads do aplicativo do Zoom para smartphones Android e para iPhones quintuplicou em apenas um mês, passando de pouco menos de 5 milhões em fevereiro para 26,9 milhões em março. Os rivais Skype (não contabilizando o Skype Business) e o Houseparty foram baixados apenas 6,2 milhões e 5,1 milhões de vezes respectivamente.

O crescimento, é claro, não veio sem problemas. O aplicativo foi criticado por causa da falta de segurança relação ao uso e à guarda ineficaz de dados dos usuários. Isso porque gravações das chamadas realizadas na plataforma ficaram disponíveis na web sem o consentimento dos participantes das chamadas. A relação com autoridades chinesas fez com que o Google restringisse o uso do serviço. No Brasil a Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) repetiu o veto.

Em entrevista concedida à EXAME, Yuan defendeu a empresa. “Posso garantir: o Zoom é seguro. Sinta-se à vontade para usá-lo. Não temos nenhuma relação com a China”, disse. "Apenas em casos extremamente raros, quando os servidores de backup estão todos ocupados, é que o sistema redireciona a chamada para os servidores na China."

E se a questão é privacidade, até mesmo o Telegram quer surfar nesta onda. O aplicativo de mensagens que é considerado mais seguro do que o WhatsApp por seus recursos de criptografia recentemente atingiu 400 milhões de usuários e já planeja incorporar um recurso de chamadas de vídeo para grupos. Não há previsão de quando isso deverá acontecer.

Guerras diferentes

Em outra frente desta batalha está o Google. A gigante de Mountain View aproveitou o crescimento para rebatizar o seu serviço de chamadas de vídeo. O Google Hangouts agora se chama oficialmente Google Meet. Mas a disputa do Google não se dá contra o Zoom ou com o Facebook Messenger, mas sim contra a Microsoft.

Segundo dados da consultoria Spiceworks, o líder o setor ao fim de 2018 era o Skype for Business, responsável por 44% do mercado de chamadas de vídeo no segmento corporativo. O aplicativo Teams, que também é da Microsoft assim como o Skype, vinha na segunda posição com 21%. O Teams  tinha apenas 3% de participação em 2016. A terceira posição era do Slack, com uma fatia de 15% do setor. O Hangouts – agora Meet – estava em quarto lugar com 11% e a lista era completada pelo Facebook, com o Workplace, com apenas 1% dos usuários.

Na época em que o estudo foi realizado, a análise da consultoria destacou que a adoção do Teams poderia dobrar e em relação ao Slack nos próximos dois anos. Em março deste ano, o Teams informou um crescimento de 37% em sua base de usuários, chegando a 44 milhões de clientes em todo o planeta. O Slack, por sua vez, não revelou o aumento de sua base de usuários. Em outubro de 2019, porém, o serviço da companhia que vale 15,1 bilhões de dólares na Bolsa de Valores de Nova York tinha apenas 12 milhões de internautas em sua base.

O Google, que não revela números relacionados ao seu serviço de chat por vídeo, corre por fora para impedir o duopólio do mercado entre a Microsoft e o Zoom. Segundo o site de tecnologia CNET, no fim de março, Thomas Kurian, homem forte da plataforma do Google, disse que o uso diário do aplicativo já era 25 vezes superior ao de janeiro deste ano e que o Google Meet ganhava 2 milhões de usuários por dia. Segundo ele, a companhia havia registrado um aumento de 60% no número de reuniões diárias na plataforma.

Enquanto batalham por usuários confinados pelo isolamento social necessário para evitar a disseminação do coronavírus, essas gigantes da tecnologia vislumbram também o futuro pós-pandemia. Uma pesquisa do Gartner realizada com mais de 300 diretores financeiros de empresas dos Estados Unidos revelou que 74% das companhias deverão adotar alguma prática de trabalho remoto permanente após o fim da quarentena global.

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