CEO do OnlyFans culpa bancos pelo fim da pornografia no site

Na última semana, site conhecido por conteúdo sensual afirmou que irá banir imagens e cenas de sexo explícito publicadas na plataforma
OnlyFans: rede irá proibir conteúdo adulto a partir de outubro de 2021 (Jakub Porzycki/NurPhoto/Getty Images)
OnlyFans: rede irá proibir conteúdo adulto a partir de outubro de 2021 (Jakub Porzycki/NurPhoto/Getty Images)
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Thiago Lavado

Publicado em 24/08/2021 às 16:22.

Última atualização em 24/08/2021 às 16:44.

O CEO do site de assinatura de conteúdo OnlyFans, Tim Stokely, diz que está recebendo tratamento "injusto" dos bancos e que foram essas instituições que o forçaram a remover conteúdo pornográfico da plataforma.

O OnlyFans, que tem cerca de 130 milhões de usuários, anunciou na última semana que vai mudar suas políticas de conteúdo a fim de impedir que usuários publiquem cenas e imagens de sexo explícito na rede. O site, que conta com criadores de diversos tipos, se popularizou devido à profusão de profissionais e de entretenimento adulto na plataforma.

"A mudança na política, nós não tivemos escolha — a resposta curta são os bancos", disse em entrevista ao britânico Financial Times. Stokely afirmou que as instituições financeiras citaram o risco de reputação e potencial recusa de processar pagamentos do OnlyFans.

"Nós pagamos a 1 milhão de criadores de conteúdo mais de 300 milhões de dólares todos os meses, e o setor bancário está envolvido na transferência desses fundos", disse Stokely, nomeando alguns bancos que foram especialmente difíceis de negociar como os americanos BNY Mellon e JPMorgan Chase, e o britânico Metro Bank.

No ano passado, a empresa faturou 2 bilhões de dólares em vendas e fica com 20% do que é pago em assinaturas aos criadores.

Nenhuma das instituições se manifestou à reportagem do Financial Times, mas o comportamento não é novo, com instituições, meios de pagamento e bandeiras de cartão de crédito tentando se manter fora de escândalos que rondam sites onde há conteúdo adulto. No final do ano passado, diversas empresas se distanciaram de sites de pornografia, após uma reportagem do The New York Times mostrar a existência de vídeos filmados com menores de idade, cenas de violência ou gravados sem consentimento.

Embora opere um modelo de negócios que exige o pagamento para visualização (pay-wall) e faça a verificação de usuários e produtores de conteúdo, o OnlyFans não ficou imune a escrutínios desse tipo.

Segundo o CEO, a empresa irá contratar 200 novos moderadores de conteúdo para efetivar a mudança na política interna, aumentando o time para 1.000 funcionários.

Stokely também negou que a ação seja focada em atrair investidores ao OnlyFans e afirmou que ele daria as boas-vindas ao conteúdo pornográfico caso a situação de pagamentos se resolvesse. "Esta decisão foi tomada para resguardar os fundos e assinaturas de ações injustas dos bancos e empresas de mídia. Nós obviamente não queremos perder nossos criadores mais leais", afirmou.