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A nova cara do Twitter: Super Follow e salas de conversa por áudio ao estilo Clubhouse

Rede está prestes a implementar função para cobrar por acesso a tweets exclusivos e já testa salas de bate-papo que imitam o Clubhouse

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Twitter: rede social apresenta mudanças e deve mudar forma como usuários interagem com conteúdo (Leon Neal/Getty Images)

Twitter: rede social apresenta mudanças e deve mudar forma como usuários interagem com conteúdo (Leon Neal/Getty Images)

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Thiago Lavado

Publicado em 27 de fevereiro de 2021 às, 08h00.

O Twitter está prestes a passar por uma transformação grande em termos de entrega e divulgação de conteúdo. Inicialmente concebida como um microblog, uma rede social com pílulas sobre a vida cotidiana, da política ao futebol, passando pelo BBB, ela deve se tornar mais próxima de uma rede de entrega de conteúdo exclusivo, para audiências selecionadas.

A mudança deve vir atrelada a novidades anunciadas esta semana pela rede social. A primeira delas, a função chamada "Super Follow", vai permitir que criadores de conteúdo rentabilizem suas audiências, cobrando uma espécie de assinatura.

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Super Follow: Twitter apresentou tela de como será a interação com conteúdo exclusivo publicado na rede social (Twitter/Divulgação)

O processo será parecido com tornar-se membro de um canal no YouTube, por exemplo. Com a inscrição, o seguidor se torna parte de uma comunidade exclusiva, ganha acesso a conteúdos que não são divulgados publicamente, tem prerrogativas para envio de mensagens e de sugestões ao influenciador, e pode ganhar descontos em produtos.

Inicialmente, o Twitter afirmou, durante um evento esta semana, que a funcionalidade irá custar 4,99 dólares. Além do YouTube, o modelo é parecido com outros sites que têm triunfado no modelo de assinatura de conteúdo, como Patreon e Only Fans.

A novidade se junta a outras funções que o Twitter está trazendo, para criar um sentimento de comunidade e de interação. Depois de ter comprado o serviço de entrega de newsletters Revue no mês passado, o Twitter já está incorporando o serviço à plataforma.

O modelo expande o tradicional negócio de newsletter, mais focada no recebimento por e-mail, e alavanca as audiências que usuários do Twitter conquistaram durante anos. Jornalistas, analistas políticas e financeiros podem se beneficiar de distribuir conteúdo pago pela plataforma.

Além disso, pela primeira vez, o Twitter também apresenta uma opção de renda para usuários com grande número de seguidores, além dos posts publicitários e pagos, se colocando como uma plataforma de divulgação de conteúdo.

Spaces, muito parecido com o Clubhouse

Outra nova funcionalidade, que está sendo testada desde o final do ano passado por usuários, são os Spaces. A ferramenta funciona junto aos Fleets, os stories do Twitter, e permite que um grupo de até 10 pessoas se reúna para debater um assunto diante de uma audiência.

É uma versão do Clubhouse no Twitter. Por enquanto, a função está em testes e funciona apenas para dispositivos iOS (assim como o Clubhouse), mas o Twitter já anunciou a intenção de expandir o modelo e levar também para os usuários Android.

O movimento é parte de uma iniciativa ambiciosa do Twitter: se manter uma plataforma competitiva e dobrar receita e número de usuários em dois anos.

Por anos, o Twitter ficou atrás de concorrentes como Instagram e Facebook — e muitos investidores reclamaram da demora na implementação de novas usabilidades.

Agora, a empresa quer acelerar o desenvolvimento de funcionalidades, dobrando o número de funções entregues pelos funcionários, especialmente aquelas que possam trazer maior receita e novos usuários.

O Twitter quer terminar o quarto trimestre de 2023 com 315 milhões de usuários diários rentáveis — eram 152 milhões no final de 2019 e a meta implica em um crescimento médio anual de 20%. De 2019 para 2020, o número de usuários cresceu 27%, encerrando o ano passado em 192 milhões.

A meta é ambiciosa, mas é ainda bem abaixo dos bilhões de usuários acumulados pela concorrência em suas plataformas. Há muito trabalho à frente do Twitter, mas a rede social parece determinada a competir de igual na nova era de criação de conteúdo.

 

 

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