Revista Exame

Um ano de normalização

O faturamento das maiores empresas de educação subiu 9% em 2025, enquanto o lucro recuou após o salto atípico registrado no ano anterior

Cogna: a maior do setor de educação (Cogna/Divulgação)

Cogna: a maior do setor de educação (Cogna/Divulgação)

Lucas Amorim
Lucas Amorim

Diretor de redação da Exame

Publicado em 25 de setembro de 2026 às 06h00.

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O setor de educação fechou 2025 com expansão de receita. O faturamento das 13 companhias presentes entre as 1.000 maiores do Brasil avançou 9%, para 37,3 bilhões de reais. Seis delas aumentaram o lucro e outras duas voltaram ao azul. A Cruzeiro do Sul mais que dobrou o resultado, Ânima e Vitru avançaram mais de 25%, Ser Educacional e Inspira reverteram prejuízos, e Salta Educação registrou alta de 26,6% na receita, o maior crescimento do setor.

À primeira vista, há uma contradição: o lucro líquido agregado caiu 11,1%, para 3,4 bilhões de reais, e a margem líquida recuou de 11,2% para 9,2%. Mas a comparação exige cautela. Em 2024, o lucro do setor havia disparado 2.900%, impulsionado também por reversões de contingências, benefícios tributários e outros efeitos extraordinários nas maiores companhias. Sem a repetição desses ganhos, o resultado de 2025 voltou a níveis mais próximos da normalidade para o setor.

A queda se concentrou em cinco empresas. Os lucros recuaram 41% na Cogna, para 586 milhões de reais, e 47% na Yduqs, para 180 milhões de reais. Na Cogna pesou, sobretudo, a ausência dos efeitos extraordinários de 2024, sentida com força na Somos Educação, o braço de sistemas de ensino do grupo, cujo lucro caiu 88% sobre uma base igualmente favorecida por ganhos não recorrentes. Na Yduqs, a Selic elevada pressionou o resultado financeiro.

Em linhas gerais, a educação apresentou uma rentabilidade sobre o patrimônio abaixo da média dos setores que compõem as 1.000 maiores empresas. Ao mesmo tempo, o patrimônio líquido ficou praticamente estável, com alta de apenas 0,4%, enquanto os ativos cresceram 4,1%, um indício de maior endividamento no setor.

Parte da lista, porém, mantém rentabilidade elevada. O Pitágoras fechou o ano com margem líquida de 37%, e a Afya, focada em medicina, com 22%. O quadro sugere um setor em crescimento, mas no qual escala, disciplina financeira e posicionamento passaram a pesar mais na diferença entre as empresas.

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