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Quiet Quitting: por que a "demissão silenciosa" vai ser um desafio para as empresas em 2023

O quiet quitting levantou uma discussão importante: nunca estivemos tão pouco motivados com o trabalho

Apesar de insatisfeitos, poucos profissionais brasileiros admitem ser quiet quitters (FG Trade/Getty Images)

Apesar de insatisfeitos, poucos profissionais brasileiros admitem ser quiet quitters (FG Trade/Getty Images)

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Luciana Lima

15 de dezembro de 2022, 10h56

Se houvesse um dicionário Oxford sobre a área de recursos humanos, muito provavelmente a palavra do ano seria quiet quitting. O termo, que traduzido do inglês significa “demissão silenciosa”, começou a gerar burburinho e a ganhar as manchetes em meados deste ano após um vídeo de 7 segundos viralizar no TikTok com a mensagem de que o trabalho não é o centro da vida das pessoas e que para ir contra isso é preciso adotar a estratégia de fazer o mínimo — ou desistir silenciosamente. Visualizado mais de 3,3 milhões de vezes, o vídeo levou o termo quiet quitting a virar discussão nas redes sociais. 

Na vida real, porém, a palavra é pouco conhecida. Segundo pesquisa online da Mappit, empresa de recrutamento do Talenses Group, encomendada pela ­EXAME, quase 53% dos 560 entrevistados nunca tinham ouvido falar em quiet quitting.

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Apesar do desconhecimento, 61% dos entrevistados admitem conhecer muitas pessoas que se encaixam no conceito. “O quiet quitting é algo que sempre existiu. A diferença é que, anteriormente, a gente chamava de operação tartaruga”, diz Rodrigo Vianna, CEO da Mappit. 

O levantamento também mostrou algo curioso: apesar de insatisfeitos, poucos profissionais brasileiros admitem ser quiet quitters. Segundo a pesquisa, 77% dos entrevistados querem mudar de emprego, mas apenas 22% dizem fazer apenas o combinado no trabalho.

O restante diz seguir se esforçando. “O Brasil é um país muito volátil, além de ser um local em que há a cultura de pedir referências. Então, talvez por aqui seja mais difícil um profissional ficar por muito tempo fazendo o mínimo sem que isso seja visto como uma queda de performance e algo que pode prejudicá-lo”, diz Vianna. 

Sendo quiet quitter ou não, o fato é que o número alto de insatisfeitos com o trabalho é sinal de um problema mais grave de engajamento nas empresas. A pandemia pegou de surpresa boa parte da liderança das empresas — explodiram os casos de microgerenciamento, o excesso de reuniões e as discussões exasperadas por falta de inteligência emocional. De acordo com a Mappit, a maior razão apontada pelos profissionais que querem pedir demissão é um ambiente de trabalho tóxico (66%).

O percentual é maior, inclusive, que o do salário, que aparece em seguida, sendo a escolha de 43%. Para 2023, a tendência é que a discussão do quiet quitting saia das conversas e evolua para ações práticas por parte das organizações — sob o risco de essa falta de engajamento comprometer a sustentabilidade dos negócios.

O primeiro passo é realizar um diagnóstico de quanto a falta de motivação é um problema dentro de sua empresa. Uma coisa é ter 15% de sua força de trabalho desengajada. Outra é ter 70%. Se for isso sua empresa acaba”, diz Vianna. Estar em um lugar querendo ir embora, afinal, não faz bem para nenhum dos lados.

(Arte/Exame)

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