Spreadshit: por trás da famosa planilha que avalia banheiros de empresas

Privacidade, sujeira e Freeco: a pergunta “como é cagar aí?” viralizou na última semana; veja se onde você trabalha está na lista
 (iStock/Getty Images)
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Laura Pancini

Publicado em 26/07/2022 às 17:07.

Última atualização em 26/07/2022 às 19:57.

Como é o banheiro de sua empresa? Pode ser difícil perceber os detalhes num primeiro momento, mas feche os olhos e tente se lembrar: qual é o tamanho das frestas nas portas? As coxas ficam confortáveis durante a estadia? Dá para ouvir o colega ao lado? E o Freeco, tem?

O banheiro nunca foi visto como um diferencial na hora da contratação, mas a internet pode estar invertendo as regras e criando uma verdadeira “guerra dos tronos” com a planilha “Spreadshit – Como é cagar aí?”. Também apelidada carinhosamente de “CCR – Censo Cagada Remunerada 2022”, a lista viralizou nas redes sociais e em conversas de WhatsApp na última semana.

O compilado de denúncias anônimas é mantido em uma planilha (ou spreadsheet, vulgo o trocadilho no título do arquivo) do Google, que cataloga as informações recebidas via formulário sobre como são os banheiros das empresas.

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A mente por trás do viral, Bruno Lopes, disse à EXAME que reciclou uma planilha que já havia sido criada alguns anos atrás. “Rola bastante isso [planilhas] no meio publicitário”, explica. “Pensei que tinha potencial de viralizar, então copiei os dados e criei a minha própria para as pessoas enviarem suas opiniões.”

O jovem natalense publicou a planilha nas redes sociais sem assumir a autoria, dizendo que uma amiga havia enviado o link para ele. Posteriormente acabou adicionando o próprio LinkedIn no cabeçário e recebeu mais de 3 mil visitas ao perfil.

Com mais de 2,5 mil avaliações recebidas, a planilha teve um alcance gigantesco nas redes sociais. Só o tuíte original feito por Lopes acumulou 2 milhões de impressões e 280 mil engajamentos, enquanto um vídeo no TikTok falando sobre a “spreadshit” ultrapassou 1 milhão de visualizações. Tudo em menos de uma semana.

Lopes também fechou parcerias com a Freeco, bloqueador de odores sanitários, e a Metrea, empresa de divisória de banheiros, após o sucesso da planilha. O valor de cada publicidade, de acordo com ele, ficou por volta de três salários-mínimos. As marcas agora têm links para seus produtos no cabeçário: “Não quer aparecer na lista? Clique aqui!”, provoca um dos anúncios.

Por dentro da “spreadshit”

Para responder ao formulário, é preciso dar quatro informações: qual o escritório, onde ele fica, como é o banheiro (claro) e como é o café. A última, de acordo com Lopes, foi adicionada porque já estava na planilha original. “Geralmente todo mundo reclama do café, então acho que queriam ver onde realmente era bom”, disse.

Alguns comentários citam quais os melhores andares e banheiros para passar aquele momento privativo do dia — “Wi-Fi e 4G só funcionam bem dentro do banheiro do terceiro andar, para os demais o sinal fica fraco ou oscilando” —, outros vão além e recomendam nunca trabalhar na empresa, seja pela ausência de Freeco, seja pelos conflitos fora das cabines.

“Fico aflito o tempo todo com o barulho da maçaneta, sinto que a qualquer momento posso ser interrompido”, escreveu um usuário. “Parece um banheiro mal diagramado no The Sims de tão grande que é”, disse outro.

Captura de tela feita pelo criador da planilha mostra alguns comentários sobre os banheiros (Captura de tela / @Brunomemeguy/Reprodução)

A maioria das avaliações vêm de empresas paulistas. São quase mil opiniões sobre os banheiros da capital, ante 110 do Rio de Janeiro. Vale ressaltar que os números não são exatos — alguns usuários podem escrever só “SP”, por exemplo, e não ser contabilizado —, mas dão uma ideia do público-alvo.

Já as palavras vistas com mais frequência são “papel” (758), “cheiro” (400), “vaso” (268), “privada” (223) e “Freeco” (124). Existem por volta de 50 denúncias envolvendo a palavra “entupir” e pelo menos 25 empresas têm uma ducha higiênica nos banheiros.

A EXAME ainda não recebeu uma avaliação dos banheiros em seu escritório, mas o banco BTG Pactual, do mesmo grupo de controle, foi citado algumas vezes. Em uma delas, na avaliação de outra empresa: “Na escala brasileira de banheiros, onde zero é o da rodoviária e 10 é do escritório do BTG na Faria Lima, temos um justo 9”.

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