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Unindo produtos e serviços para pets, Petlove e DogHero anunciam fusão

As duas startups querem aproveitar as semelhanças dos negócios para diluir os custos de aquisição de clientes e potencializar vendas e assinaturas
 (Divulgação/Simone Bertuzzi)
(Divulgação/Simone Bertuzzi)
Por Carolina IngizzaPublicado em 26/10/2020 13:30 | Última atualização em 26/10/2020 19:53Tempo de Leitura: 5 min de leitura

Duas startups do mercado de animais de estimação brasileiro uniram forças. A Petlove, de e-commerce de produtos pet, e a DogHero, de prestação de serviços, anunciaram nesta segunda-feira, 26, a fusão de suas operações. As empresas acreditam que têm potencial para gerar mais de 100 milhões de reais com vendas cruzadas das duas plataformas. Hoje, a Petlove tem 5 milhões de clientes e a DogHero, 1,4 milhão.

As startups se aproximaram por serem investidas dos fundos Monashees e Kaszek Ventures. “Temos uma parceria comercial desde 2016, a DogHero tem uma mentalidade muito alinhada com a nossa, de usar tecnologia e focar no cliente. Neste ano, começamos a pensar se não valeria a pena aproximar ainda mais as duas operações”, diz Márcio Waldman, fundador e presidente da Petlove.

A transação foi feita com trocas de ações das empresas. Os sócios fundadores da DogHero, Eduardo Baer e Fernando Gadotti, continuam no negócio. Gadotti assume como presidente da DogHero e Baer se torna diretor de assinaturas da Petlove. A Rover, empresa americana que investiu na DogHero em 2019, teve saída do seu investimento, mas os demais investidores permanecem.

As oportunidades para o mercado pet brasileiro são gigantescas. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação, existem 55,1 milhões de cachorros e 24,7 milhões de gatos no Brasil. Ao todo, o segmento pet movimentou 22,3 bilhões de reais em 2019. Mesmo com a crise, o setor não se abalou: a Petz fez história ao ser a primeira empresa do setor a abrir o capital na bolsa brasileira.

Trajetória dos negócios

A Petlove, criada em 1999 pelo médico veterinário Márcio Waldman, é um e-commerce de produtos para animais de estimação, como ração, remédios e brinquedos. Desde 2019, a empresa está em expansão para construir um ecossistema de produtos e serviços para o mercado pet.

No fim do ano passado, ela comprou a Vet Samart (startup de educação continuada para veterinários) e, em setembro deste ano, anunciou a aquisição da Vetus, uma plataforma de gestão para petshops, clínicas e hospitais veterinários. A empresa, além de ter sido favorecida pelo crescimento do e-commerce com a pandemia, está capitalizada. Em abril, recebeu um aporte de 250 milhões de reais do conglomerado japonês SoftBank.

A DogHero, por outro lado, sempre se manteve na frente de prestação de serviços para “pais e mães de pet” — como ela se refere aos seus clientes. A startup, criada em 2014 por Eduardo Baer e Fernando Gadotti, começou a operação conectando donos de animais com pessoas que poderiam hospedar os bichinhos temporariamente, durante uma viagem, por exemplo. Depois, a empresa passou a intermediar passeios, visitas, cuidados diários e visitas de veterinários em domicílio.

A companhia sofreu com a crise causada pela pandemia. O setor de turismo foi um dos mais afetados, o que diretamente impacta no negócio de hospedagem de cães. A startup chegou a perder de 80% a 90% de sua receita em abril. Hoje, segundo Gadotti, o negócio já voltou aos patamares pré-crise e proteja faturamento superior ao de 2019 para o final do ano — época de muitas viagens no Brasil.

Novas possibilidades

As duas marcas continuam separadas mesmo após a fusão. Aos poucos, os sócios querem implementar novos serviços e produtos aproveitando as similaridades dos dois negócios. “Nosso foco em 2021 é gerar uma proposta de valor diferenciada e única para os consumidores. Queremos que os clientes da Petlove possam usar serviços da DogHero e clientes da DogHero possam comprar produtos com a Petlove”, diz Gadotti.

A DogHero, por exemplo, poderá oferecer a seus 25.000 “heróis”, que hospedam cachorros e gatos, a possibilidade de criar uma loja virtual para revender produtos da Petlove e ganhar uma renda extra. A startup também poderá acessar a base de mais de 100.000 veterinários da Vet Smart para expandir seu serviço de veterinário em domicílio para nível nacional.

Do lado da Petlove, a empresa pretende adicionar ao seu serviço de assinaturas, pelo qual os clientes recebem ração e remédios em casa periodicamente, os serviços que a DogHero oferece, como passeios e “creche” para pets.

Segundo Waldman, que já conduziu a integração de outras duas empresas ao ecossistema da Petlove, o segredo para que os planos se concretizem é conhecer bem os dois negócios. “Tudo começa com a identificação da cultura e modus operandi. Na Petlove, somos uma empresa colaborativa e mais horizontal do que vertical, o que estimula a diversidade e as discussões. Isso nos ajudou nas integrações do passado”, diz o presidente.