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Um para cada pele: startup cria cosméticos personalizados e já mira IPO

A Beyoung, de produtos para a pele, já recebeu R$ 140 milhões em investimentos e agora lança produto totalmente personalizável dotado de IA

Os números expressivos do mercado de beleza mostram que, com a pandemia, as pessoas passaram a olhar mais para o espelho. Produtos de cuidado com a pele, por exemplo, encararam uma alta de quase 22% nas vendas no período, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC). Mas o que vem a seguir? Para Guilherme Priante, a resposta está na tecnologia.

Priante é CEO e fundador da BeYoung, marca online de cosméticos e maquiagens faciais, e que acaba de anunciar o lançamento de uma linha de produtos de cuidado com a pele do rosto que se adapta a cada consumidor de maneira individual. Para isso, a empresa conta com um algoritmo dotado de inteligência artificial (IA) que analisa cada tipo de pele, chamado de Skin ID.

A beautytech, apelidado dado às startups dotadas de tecnologia no setor de beleza, agora tem a linha Booster Gen, fruto dessas análises pessoais. A intenção é criar um produto que seja adequado para cada tipo de pele. Para isso, uma inteligência artificial criada por programadores, físicos e dermatologistas analisou mais de 50.000 fotos. “A proposta é criar fórmulas completas para rotinas de cuidado mais simples”, diz Priante.

A análise é feita em questão de minutos. O consumidor responde a um breve questionário sobre a sua pele e tira uma foto do rosto e algumas variáveis como manchas, acne e poros são estudadas pela tecnologia. A taxa de precisão da IA da Beyoung, segundo Priante, é de 92%.

O lançamento parte de uma percepção sobre a jornada de compra dos consumidores do setor que, segundo Priante, é longa demais. Para ele, a principal dor de quem consome produtos de beleza é a compra por tentativa e erro. “Além de longa, essa curva de aprendizado em busca do produto perfeito também pode trazer prejuízos, financeiros ou na própria pele”, diz.

Além de indicar o produto certo dentro do leque da Beyoung, a proposta é também educar o consumidor sobre cuidados com a pele. Depois de toda a análise, o site traz uma série de recomendações de cuidado e uma rotina de tratos com a pele para cada usuário, com base nas informações captadas. Os algoritmos são “ensinados” por especialistas, como a dermatologista Flávia Addor.

O investimento na nova tecnologia e nos produtos que vêm dela foi de 10 milhões de reais. Tudo isso só foi possível graças a uma captação externa da empresa que aconteceu em novembro do ano passado. À época, a startup recebeu um aporte de R$ 140 milhões da XP, que entrou com participação minoritária. Em um primeiro momento, o valor serviu para acelerar a expansão da marca para o varejo físico e também para aumentar o portfólio de produtos. O valuation da empresa não foi divulgado.

Contrariando a lógica seguida por grande parte dos players de beleza, vide Avon e Natura, a BeYoung não aposta no lançamento contínuo de novas linhas de produto. Pelo contrário. A tentativa é fidelizar o público com sua restrita linha de cosméticos, fazendo com que um consumidor aumente a cesta de produtos a cada vez que faz uma compra.

A fórmula tem funcionado: cerca de 30% dos consumidores de uma base de 1 milhão de pessoas fazem recompra. A média do mercado, segundo Priante, é de 14%. Os bons resultados também são visíveis no balanço financeiro da empresa. Em 2017, ano em que foi fundada, a Beyoung teve uma receita líquida de 65 milhões de reais. Três anos depois, já tinha atingido 150 milhões. Para 2021, a projeção é faturar 200 milhões de reais.

Com o Skin ID, a startup pretende dobrar o market share na categoria de cuidados com o rosto. Hoje, essa participação é de pouco mais de 2%, segundo dados da Euromonitor. Nos planos da startup também estão a abertura de 58 lojas conceito nos principais centros comerciais do Brasil até 2024. A primeira delas será na Oscar Freire, uma rua popular de São Paulo.

Novas captações, porém, não estão no radar da Beyoung. Para Priante, mesmo sem novas rodadas o próprio ritmo de crescimento da empresa já a tornará na principal beautytech da América Latina, e pretende abrir capital nos próximos cinco anos.

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