O caminho das nuvens

As dúvidas mais frequentes que os empreendedores têm quando pretendem contratar serviços de cloud computing para hospedar documentos, softwares e até servidores

São Paulo - Não faz muito tempo, computação na nuvem era sinônimo de sistemas online relativamente simples, como webmail, hospedagem de sites e backup de arquivos — sobretudo para as pequenas e médias empresas.

Mais recentemente, os fornecedores de tecnologia passaram a colocar à disposição de qualquer negócio o que há de mais moderno na nuvem — supercomputadores virtuais, controlados via internet, capazes de substituir quase todas as máquinas físicas de que uma empresa precisa.

Exame PME conversou com especialistas e empreendedores para responder às principais dúvidas que costumam surgir na hora de contratar serviços de cloud computing. Veja a seguir.

Qual é a diferença entre nuvem pública, privada e híbrida?

A nuvem pública é mais popular por ser totalmente terceirizada — os dados ficam hospedados em servidores de companhias especializadas, como Google, Microsoft, Amazon e Rackspace, donas de centenas de milhares de máquinas instaladas em data centers espalhados pelo mundo.

“É o que a maioria dos empreendedores entende como cloud computing”, afirma Gustavo Trevisan, diretor da Capgemini, consultoria francesa de TI. Cabe a esses grandes fornecedores compartilhar da forma mais eficiente possível sua infraestrutura, conforme a demanda das empresas. O pagamento é feito de acordo com a quantidade de recursos usados a cada mês.

A nuvem é chamada de privada quando a empresa mantém diversos data centers que “conversam” entre si pela internet. Pode ser o caso de uma rede de lojas que mantenha servidores próprios em cada unidade, por exemplo.

“A nuvem privada é mais comum em empresas de setores regulados e que precisem armazenar informações confidenciais, como o financeiro”, diz Trevisan. Algumas empresas, mesmo com infraestrutura própria, podem querer usufruir certos recursos da nuvem pública — essa combinação é conhecida como nuvem híbrida.

O que significam as siglas SaaS e IaaS?

São os dois tipos de serviço mais comuns oferecidos por fornecedores de nuvem. O empreendedor deve entendê-los para saber o que, de fato, está contratando.

1) SaaS é a sigla em inglês para “software como serviço”. Inclui todos os sistemas e aplicativos online, como ferramentas de ERP e CRM, agendas e administração de estoque e finanças. O SaaS dá direito a suporte técnico remoto e atualizações automáticas.

2) IaaS é a sigla para “infraestrutura como serviço”. Nesse caso, a empresa contrata o poder de processamento de computadores de última geração, que, embora estejam localizados numa nuvem da Amazon ou do Google, são reservados exclusivamente para aquele negócio.

“É algo parecido com um painel de controle, pelo qual a empresa administra algumas máquinas a distância, podendo ajustar a memória, o espaço em disco e outras configurações a qualquer momento, para diferentes atividades”, afirma José Spagnuolo, diretor de tecnologia da IBM.

O que é importante ao negociar com fornecedores de nuvem?

Em primeiro lugar, é preciso negociar as cláusulas do contrato, que o mercado chama de SLA (do inglês service level agreement, algo como “acordo de nível de serviço”). “É no SLA que fica estabelecido o tempo máximo que o fornecedor tem para recolocar o serviço no ar em caso de pane e solucionar os chamados abertos junto ao suporte técnico”, diz Dov Bigio, gerente da paulista Locaweb.

O segundo aspecto importante é saber o que acontece com os dados em um eventual desastre. “Costuma-se dizer que pouco importa onde as informações estão hospedadas, mas não é bem assim”, diz Cristian Gallegos, diretor da paulista Simbiose Ventures. Alguns fornecedores permitem que os clientes armazenem seus dados em até três lugares do mundo geograficamente distantes.

“Isso assegura um plano de recuperação mais eficaz das informações”, diz Gallegos. É importante saber também onde os dados estão localizados fisicamente para não correr o risco de infringir a lei. “Cada país pode ter diferentes regulamentações de acesso”, diz Gallegos.

Como medir o resultado do investimento?

O impacto mais perceptível ao migrar a infraestrutura de TI para a nuvem é a redução de custos. “A empresa pode diminuir suas despesas entre 30% e 80% ao deixar de gastar com manutenção de equipamentos, espaço físico e funcionários”, diz Pascoal Baldasso, diretor da empresa paulista de cloud computing ADTsys.

O segundo item a observar é a simplificação de processos, que pode gerar ganhos de produtividade. “Várias tarefas antes feitas localmente podem ser realizadas a distância”, diz Baldasso. “Também há mais flexibilidade para acompanhar o crescimento da empresa sem a necessidade de ficar trocando de máquina o tempo todo.”

Dá para desistir da nuvem?

Sim. Mas pode ser algo complicado e não costuma valer a pena financeiramente nos casos em que a empresa usava máquinas físicas e depois migrou seus sistemas para a nuvem.

“Para trazer tudo de volta, é preciso remontar a infraestrutura desfeita, adquirir equi­pamentos, renegociar licenças de softwares e, eventualmente, contratar funcionários”, afirma Maurício Cascão, presidente da Man­dic, prestadora de serviços na nuvem.

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