Momento é de ter solidariedade com pequenos negócios, diz CEO da Malwee

Guilherme Weege e outros sete empresários estão à frente da iniciativa #compredobairro, que vai estimular PMEs na crise

Um grupo de empresários se uniu para iniciar um programa de apoio aos pequenos negócios de bairro em meio à crise causada pelo coronavírus. Batizado de #compredobairro, o projeto, lançado ontem, oferece capacitação e informação gratuita a empreendedores para ajudá-los a gerir as contas da empresa e usar as redes sociais para vender enquanto o comércio permanece de portas fechadas.

O projeto é uma iniciativa de oito empresários e executivos: Guilherme Weege (Grupo Malwee), Fred Trajano (Magazine Luiza), Artur Grynbaum (Grupo Boticário), Jean Jereissati Neto (Ambev), Marcel Szajubok (Embelleze), André Street (Stone), Alcione Albanesi (FLC) e Ana Fontes (Rede Mulher Empreendedora). Também conta com apoio e conteúdo do Sebrae e da Endeavor.

Weege, presidente da fabricante de roupas Malwee, conversou com EXAME sobre a iniciativa:

Qual a proposta do #compredobairro?

A iniciativa tem dois grandes objetivos. Para este momento, é a capacitação para ajudar esse empreendedor a passar por essa fase difícil, com conteúdos sobre gestão financeira, caixa, estoque, e estratégias em situações de crise. Também teremos cursos de marketing digital e CRM, para que ele contate o cliente via Whatsapp, e aprenda a usar as redes sociais para gerar negócios. Do outro lado, teremos parcerias que conteúdo para reunir e explicar todas as decisões e medidas que estão vindo do governo. A ideia é explicar o que o empreendedor precisa fazer para acessar benefícios anunciados.

E qual o objetivo posterior?

Outro grande objetivo é levar fluxo para o pequeno negócio, ressignificar a vida em comunidade, reforçar a simpatia e solidariedade do bairro. Nessa fase, o foco não é só o dono do pequeno, mas também a população em geral. A ideia é mostrar como será importante que, na retomada da economia, as pessoas gastem 50 reais, 20 reais naquela loja do bairro. Conscientizar a população de que 43 milhões de brasileiros tem sua renda vinda desses pequenos comércios.

Como o empreendedor poderá acessar o conteúdo?

Ele entra no site movimentocompredobairro.com.br. Lá poderá encontrar uma eventual parceria fizemos e que pode ajudar na parte das entregas por exemplo. A parte informativa é 100% gratuita. Teremos lives e conteúdos do Sebrae voltados par gestão de crise, além de material produzido pela Endeavor dedicado ao pequeno negócio. São conteúdos que servem ao pequeno empresário e também para microempreendedores e autônomos.

Qual a importância de ajudar o pequeno negócio agora?

Os pequenos são os que mais estão mais sofrendo nessa crise. Queremos fazer as pessoas entenderem a diferença que isso faz na economia. E a gente conhece muito os pequenos negócios. Eu cresci visitando clientes, conhecendo suas dores e suas virtudes. E tem toda essa questão da simpatia e da solidariedade do bairro. A ideia é ressignificar isso para a população nesse momento em que vemos muito mais essa questão de altruísmo e da solidariedade na sociedade. Nossa ideia é trazer isso para o pequeno negócio, o momento é de ter solidariedade com o pequeno negócio. Temos oito embaixadores, e já estamos recebendo muitos contatos de presidentes de grandes empresas interessados em ajudar.

Como estão sendo as contribuições para a iniciativa?

A gente ainda não começou a passar o chapéu. As pessoas se juntaram e decidiram fazer. Conseguimos muita coisa pro bono, como o trabalho da agência que está fazendo o material de divulgação. No caso dos líderes de empresas, um papel importante é distribuir esse conteúdo para sua cadeia, para fazer esse conteúdo chegar mais rápido no pequeno negócio.

Como vocês estão lidando com a crise na Malwee?

Nossos pilares são que as pessoas tenham saúde e mantenham empregos. Outro foco para nós são nossos clientes. Para isso, temos que mexer em política comercial. O crédito não chega tão rápido nesse pequeno. Já lançaram medidas mas não estamos vendo esse dinheiro chegar. Então, a indústria também pode fazer esse papel de dar crédito para os pequenos, dentro desse espírito de altruísmo que estamos vendo na sociedade. Nós estamos funcionando com operação reduzida. Estamos produzindo 500 mil jalecos para doação e também máscaras para doação ou venda.

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