Após comprar a MEI Fácil e agora a Magliano Invest, o que a Neon quer ser?

A entrada da General Atlantic e do BV, com aporte de R$ 400 milhões, acelerou a escalada da fintech, que entrará na briga com plataformas de investimento

Ao montar um ecossistema para atender às diversas demandas financeiras de seus clientes, a fintech Neon está indo além dos pagamentos que carrega no nome. No fim de 2019, comprou a MEI Fácil, plataforma que oferece serviços para microempreendedores, e, nesta quinta-feira, 16, anunciou a aquisição da licença da corretora Magliano Invest — a carteira de clientes e a gestão dos fundos já tinham sido vendidas para a Guide. "O objetivo é se tornar a casa preferencial dos clientes, seja no que se refere a cartões e a contas digitais, seja em investimentos", afirma Fabio Ramalho, responsável pela área de investimentos da Neon.

A entrada do fundo General Atlantic e do BV em novembro do ano passado — com aporte de 400 milhões de reais — acelerou a escalada da fintech que agora entrará na briga com grandes plataformas de investimentos, como o BTG Digital (que pertence ao mesmo grupo controlador da EXAME). A diferença é o público que, no caso da Neon, é de baixa renda.

Cerca de 30% dos novatos na B3 fazem aplicação inicial de 500 reais, enquanto 40% fazem de 500 reais a 5.000 reais. É claro que isso pode significar cautela, mas também pode ser uma democratização do acesso, tal como aconteceu com Murilo Duarte — mais conhecido como Favelado Investidor. Esse é o público da Neon, que tem hoje 9 milhões de contas abertas entre pessoas físicas e jurídicas.

Não foi divulgado o valor da transação com a Magliano, que ainda precisa do aval do Banco Central para se concretizar. Até que isso aconteça, a ideia é estreitar o relacionamento com os clientes para entender os produtos e serviços que melhor se adequam à realidade deles. "O ponto de partida tem de ser a definição dos objetivos de vida para que, a partir daí, possamos ajudá-los a escolher os investimentos, oferecendo informação financeira", explica.

A escolha da Magliano não foi por acaso. A corretora de 90 anos — registrada como a 001 na bolsa — sempre se pautou pela educação financeira. "Houve um boom na bolsa entre 1969 e 1970, mas logo depois veio uma crise. Os investidores fugiram e só voltaram 20 anos depois", relembra Raymundo Magliano Neto, presidente da corretora que leva seu sobrenome. "Vimos que a Neon se preocupa com o lado educacional, e é a oportunidade de trazer a baixa renda para a bolsa. Não importa o tamanho do dinheiro de cada um."

Perguntado sobre o futuro, Magliano diz que ele e o pai, ex-presidente da bolsa, ainda não têm nada certo, mas de uma forma ou de outra continuarão no mercado de capitais.

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