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Fintech brasileira anuncia integração do Pix à carteira de criptoativos

Startup Alter, que oferece contas digitais que permitem guardar bitcoin e reais, agora terá transações pelo novo sistema de pagamentos do Banco Central

 (Rafael Henrique/SOPA/Getty Images)

(Rafael Henrique/SOPA/Getty Images)

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Gabriel Rubinsteinn

17 de março de 2021, 19h07

A fintech Alter anunciou nesta quarta-feira a integração do Pix à sua plataforma, tornando-se a primeira carteira digital de criptoativos a oferecer a utilização do sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central aos seus clientes.

A nova função estará disponível a partir da próxima sexta-feira, 19, e os consumidores poderão fazer transferências instantâneas, pagamentos com QR Codes e enviar solicitações de cobrança através de QR Code ou código alfanumérico do Pix, como num banco tradicional. Como a fintech permite guardar bitcoin e reais em conta, caso o usuário só tenha saldo em criptomoeda, precisará convertê-la para reais antes da operação — o que também é feito no próprio aplicativo.

Fintechs de contas digitais que permitem saldo com moedas fiduciárias, como o real, simultaneamente à posse de criptoativos, estão se tornando comuns no Brasil. Além da Alter, o setor inclui nomes como o BlueBenx, o Meubank, do mesmo grupo que controla a exchange Mercado Bitcoin, e o Zro Bank, que promete a integração com o sistema Pix para as próximas semanas.

Um dos obstáculos para a maior adoção desse modelo de negócios pelos consumidores está justamente na oferta limitada de operações integradas ao sistema financeiro tradicional. A ausência do Pix, por exemplo, obriga os usuários a fazer as transferências entre contas de titularidades diferentes por TED, o que limita as operações ao horário de expediente bancário e pode gerar cobrança de taxas.

“Existe uma complexidade enorme para viabilizar esse serviço. O Alter conseguiu estruturar, além de um onboarding forte, ou seja, um programa de KYC [verificação de identidade] robusto, uma mesa de compliance, com monitoramento das transações nos mais altos padrões usados no mercado financeiro, garantindo que operações fraudulentas sejam combatidas na raiz”, disse Julieti Brambila, diretora jurídica do Alter.

A integração é fruto de uma parceria do Alter com a Dock, startup de tecnologia para serviços financeiros. Por isso, quando valoresforem enviados para um conta da fintech, o provedor de serviço de pagamento (PSP), que em geral é o nome do banco da conta de destino, será exibido como "Dock Soluções" — as outras informações serão as mesmas de quaisquer transações feitas pelo Pix, como nome completo e número do CPF do destinatário.

“O mercado de banking no Brasil está passando por uma profunda transformação e a prova disso é a tríade formada pelo o surgimento de novos players como o Alter, com foco na criptoeconomia, somado às novas regulações do Banco Central e às parcerias tecnológicas com outras startups do setor, que deve agregar ainda mais velocidade às mudanças e regulações financeiras”, disse Fred Amaral, CEO da Dock.

As regras e o funcionamento do Pix no app do Alter são os mesmos dos bancos convencionais: até cinco chaves Pix por usuário, que poderão ser cadastradas em apenas uma instituição financeira cada, podendo o consumidor selecionar entre número do telefone, endereço de email, CPF ou combinação aleatória.

Fintechs que oferecem contas "multimoedas" como Alter, Zro, BlueBenx e MeuBank buscam integrar ofertas dos mercados tradicionais e de criptoativos, oferecendo, por exemplo, cartões de crédito — alguns com cashback em cripto —, compra e venda de criptomoedas, pagamento de contas, transferências, entre outros. Corretoras de criptoativos, que já utilizam o Pix para saques e depósitos, não oferecem esses serviços nem permitem transferências para titularidades diferentes.

A integração com o sistema de pagamentos instantâneos tende a ajudar na adoção na consolidação deste novo modelo de negócios, que se apresenta como uma alternativa simples e eficiente para quem deseja investir e/ou usar criptoativos.

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