Rolls Royce apresenta seu "táxi voador" híbrido em Londres

O grupo espera fabricar, nos próximos 18 meses, um protótipo que poderia estar ativo no começo da década de 2020
Rolls Royce: táxi aéreo teria capacidade para quatro ou cinco passageiros e poderia alcançar uma velocidade máxima de 322 km/h (Arnd Wiegmann/Reuters)
Rolls Royce: táxi aéreo teria capacidade para quatro ou cinco passageiros e poderia alcançar uma velocidade máxima de 322 km/h (Arnd Wiegmann/Reuters)
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AFP

Publicado em 17/07/2018 às 13:41.

Última atualização em 17/07/2018 às 13:46.

O "táxi voador" está esperando na esquina. A fabricante de motores britânica Rolls-Royce revelou nesta semana seu projeto de desenvolver um veículo elétrico híbrido que decole e aterrize verticalmente - e ele pode estar nos ares em até cinco anos.

A Rolls Royce anunciou seus planos no Salão Aeronáutico de Farnborough, perto de Londres, num contexto em que outros grupos industriais também exploram este setor promissor.

O grupo automobilístico e aeronáutico espera fabricar, nos próximos 18 meses, um protótipo de seu "táxi voador" que poderia estar ativo no começo da década de 2020.

O EVTOL - Veículo Elétrico de Decolagem e Aterrizagem Vertical - da Rolls Royce teria capacidade para quatro ou cinco passageiros e poderia alcançar uma velocidade máxima de 322 km/h, com uma autonomia de voo de 805 km.

"Veremos voar um produto similar neste mercado em um prazo de entre três a cinco anos, e faremos uma demonstração de sistema dentro de dois anos", disse à AFP Rob Watson, encarregado da divisão elétrica da Rolls-Royce.

O veículo híbrido, no qual se investiram milhões de libras, utilizará uma turbina de gás tradicional combinada a um sistema elétrico.

A Rolls-Royce paralelamente estuda um produto 100% elétrico que não é, contudo, evoluído como o "táxi voador" híbrido.

"Há um mercado emergente de aviões totalmente elétricos, mas achamos que existe um nível de requisitos que hoje um sistema totalmente elétrico não pode prover", acrescentou Rob Watson.

Propulsão híbrida

"O 'todo elétrico' é o meio para se mover por uma cidade (...), mas para ir de Londres a Paris, queremos um aparelho que permita percorrer essa distância. E são os sistemas de propulsão híbrida que ocuparão esse mercado", garante Rob Watson.

A Rolls-Royce não está sozinha no mercado de "táxis voadores" híbridos. Outros grupos, como Uber, o projeto "Kitty Hawk", respaldado pela Google, o Lilium Aviation, na Alemanha, o Safran, na França, e o Honeywell, nos Estados Unidos, executam pesquisas no setor.

A virada da indústria aeroespacial para a propulsão elétrica lembra a da indústria do automóvel, na qual os carros elétricos ganham terreno em termos de popularidade e desempenho.

"Olhem a indústria automobilística. Historicamente, todo mundo tinha um motor de combustão interna. Com o tempo, foi se acrescentando capacidade elétrica e começaram a vir os carros elétricos", apontou Rob Watson.

"Da mesma forma, estamos introduzindo um sistema de propulsão híbrido neste mercado, porque ele aporta capacidade de autonomia e rendimento".

Possível "disrupção"

David Stewart, especialista em aviação na consultoria Oliver Wyman, destaca que o setor aeroespacial estava pressionado quanto a respeitar mais o meio-ambiente.

"A propulsão elétrica pode ser uma possível 'disrupção' da forma como se alimentam os motores", disse à AFP. "Ainda estamos longe de que a energia elétrica substitui o querosene, mas não se pode dizer nunca que 'desta água não beberei'".

Para ele, o conceito do táxi voador da Rolls-Royce é na realidade uma plataforma de desenvolvimento para testar a nova tecnologia.

O produto comercializado será provavelmente uma versão melhorada do táxi voador, que terá entre 10 e 15 assentos, com mais possibilidades de uso, de acordo com Stewart.

"Com o tempo, teremos mais capacidade elétrica para aviões cada vez maiores, e é realmente nisso que estamos pensando hoje. Estamos aprendendo sobre a tecnologia que necessitaremos amanhã", concluiu Rob Watson.