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Projeto da Amstel ajuda bares LGBTQIAPN+ a melhorar gestão e aumentar lucros

Capacitação com foco em finanças e marketing envolveu 17 negócios em São Paulo

Negócios de Orgulho 2025: mentoria para empreendedores LGBTQIAPN+  (Divulgação/Divulgação)

Negócios de Orgulho 2025: mentoria para empreendedores LGBTQIAPN+ (Divulgação/Divulgação)

Leo Branco
Leo Branco

Editor de Negócios e Carreira

Publicado em 21 de janeiro de 2026 às 14h37.

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A Amstel, marca de cerveja do Grupo Heineken, colocou em prática uma iniciativa voltada ao apoio de empreendedores LGBTQIAPN+ com foco em bares.

Batizado de Negócios de Orgulho 2025, o projeto é fruto da parceria com a Nhaí!, consultoria especializada em diversidade e negócios, e tem como objetivo principal fortalecer a gestão e a sustentabilidade de bares liderados por pessoas da comunidade.

O projeto envolveu 17 bares da cidade de São Paulo, entre eles nomes como Bar Das, Torneira, Mamadi, Cabaret da Cecília, Bar Somos e Bar Obi.

A seleção dos participantes foi feita a partir de visitas presenciais e conversas com os donos, para mapear a estrutura, os desafios e as oportunidades de cada negócio.

“O primeiro passo foi escutar. A gente sabia que não podia chegar impondo conteúdo. Cada bar tem uma realidade. A partir disso, desenhamos a jornada de capacitação com foco no que era realmente útil para eles”, afirma Raquel Virgínia, CEO da Nhaí!.

A metodologia aplicada foi dividida em etapas. Depois da escuta e do diagnóstico, os empreendedores participaram de mentorias e masterclasses práticas, com temas como fluxo de caixa, formação de preço, marketing, atendimento ao cliente e organização interna.

Os encontros foram conduzidos por especialistas e executivos do próprio Grupo Heineken.

Um dos pontos de destaque foi o envolvimento direto da companhia em conteúdos técnicos.

“A diretora financeira da Heineken esteve pessoalmente com os donos dos bares para falar sobre margem e precificação. Foi um trabalho próximo, com troca real”, conta João Victor Guedes dos Santos, diretor de marketing da Amstel à frente do projeto.

Longe de ser só um discurso

Segundo dados coletados ao fim da jornada, 100% dos participantes relataram melhorias na gestão dos seus negócios.

Todos os bares aplicaram os conteúdos das aulas. O índice de bares com gestão financeira em dia subiu de 75% para 100%.

A margem líquida média teve melhora de 35%. Na avaliação de maturidade financeira, os bares passaram da nota média 4,8 para 6,5, em uma escala de 0 a 10.

“O mais importante é que foi aplicável. Não foi só inspirador. A gente saiu das aulas com ideias reais para colocar em prática no dia seguinte”, disse um dos participantes, segundo relatório do projeto.

Mais do que tratar os bares como pontos de venda, o projeto posiciona esses espaços como negócios de verdade, ativos culturais e estratégicos para a marca.

“Nosso território natural é o bar. Mas isso não pode ser só no discurso. Quando a marca se conecta de fato com os donos desses lugares, o vínculo é mais legítimo e duradouro”, diz João.

A iniciativa também ajudou a aproximar a Amstel da rotina dos empreendedores. Muitos relataram que empreender é uma jornada solitária, e que a presença da marca como parceira gerou acolhimento e confiança.

O projeto é um desdobramento da trajetória que a Amstel já constrói há anos junto à comunidade LGBTQIAPN+.

A marca é patrocinadora da Parada do Orgulho de São Paulo há sete anos, com ações como o apoio à retificação de nome de pessoas trans e a realização de casamentos coletivos na Avenida Paulista.

A parceria com a Nhaí! começou há cerca de três anos e evoluiu de ações simbólicas para estratégias ligadas a negócio.

João, que deixa o cargo na Amstel após o Carnaval para assumir a gestão global de Johnnie Walker na Diageo, em Amsterdã, diz que a agenda de diversidade continuará independente de quem estiver à frente.

“A marca é progressista por essência. Esse trabalho não é de uma pessoa. Ele pertence ao DNA da Amstel”, afirma.

O plano agora é expandir o Negócios de Orgulho para outros estabelecimentos e cidades. O piloto mostrou que é possível unir propósito e resultado em um mesmo caminho.

Para Raquel, o avanço só é possível com estratégia: “Diversidade não é moda. É decisão. E precisa estar no centro daquilo que a empresa quer construir.”

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