Embalagem anticovid? Sim, isso existe - e deve estar à venda em junho

A Irani Papel e Embalagem, uma das líderes do setor no país, desenvolveu a embalagem em parceria com a startup Nanox; 150 toneladas devem ser vendidas inicialmente
Investimento em embalagens anti-covid: empresa espera ganhar espaço no mercado brasileiro (Irani Papel e Embalagem/Divulgação)
Investimento em embalagens anti-covid: empresa espera ganhar espaço no mercado brasileiro (Irani Papel e Embalagem/Divulgação)
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Karina Souza

Publicado em 02/06/2021 às 16:33.

Última atualização em 02/06/2021 às 16:58.

A covid-19 trouxe novos patamares de limpeza para os brasileiros. O medo de contrair o coronavírus fez com que muitas marcas se esforçassem para inovar e desenvolver produtos que inativassem o vírus. Foi o caso de sprays que tiram o coronavírus da roupa, películas que repelem o coronavírus em superfícies e, agora, a Irani Papel e Embalagem vai trazer ao mercado uma embalagem com tecnologia antiviral, antibacteriana e antifúngica, capaz de inativar o vírus da covid-19 em até cinco minutos após o contato, com eficácia superior a 99,99%.

Para garantir esses resultados, o papelão recebe micropartículas de prata no momento em que é fabricado. Esse componente, já usado anteriormente em tecidos, garante proteção contra a covid-19 porque rompe a “barreira” do vírus, causando a inativação dele e, portanto, diminuindo o risco de contrair a doença.  Chegar nesse produto foi uma iniciativa da área de Pesquisa & Desenvolvimento em parceria com a startup Nanox, especializada no desenvolvimento de produtos anti-covid.

Criada em 2004, a Nanox é uma das principais empresas do mundo em produzir e comercializar aditivos bactericidas e antivirais a partir de nanotecnologia. "Já possuíamos uma longa história na produção de aditivos para diversos segmentos, no entanto, antes da pandemia de Covid-19, o carro chefe da empresa eram aditivos para aplicação em plásticos e embalagens para maior durabilidade de produtos alimentícios", diz Gustavo Simões, CEO da Nanox.

Na etapa final, mais testes foram desenvolvidos pela empresa Quasar Bio, especializada em ensaios com SARS-CoV-2 e realizados em laboratório de biossegurança de nível 3 (NB3) do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (USP). A empresa não divulga o valor investido.

A partir de junho, serão vendidas 150 toneladas de caixas de embalagens de papelão “anti-covid” por mês. Atualmente, a empresa vende mensalmente 14 mil toneladas de caixas e chapas de papelão ondulado mensalmente a clientes como Frimesa, BRF, Aurora, JBS, Seara e Pandurata.

“A tiragem inicial é bem menor porque já estamos operando com toda a nossa capacidade produtiva e não podemos comprometer o que já está contratado a partir desse novo produto. Temos as melhores estimativas de vendas e, caso a demanda ultrapasse esse volume, vamos ver quais ações tomar para atender aos clientes”, afirmam Jair Bilibio, gerente comercial de Embalagem da Irani Papel e Embalagem, e Robert Friesen, gerente de Pesquisa & Desenvolvimento da empresa.

Em relação aos preços, a empresa afirma que o papel antiviral terá um acréscimo de 15% em comparação à embalagem tradicional, sem a tecnologia. Ainda assim, isso não deve impedir a aceitação por parte do mercado. O tempo de fabricação é similar ao das embalagens comuns, o que viabiliza a produção em larga escala mesmo sem necessidade de adaptar a fábrica atual. 

A ideia, agora, é ver como as novas embalagens deverão chamar a atenção desses (e de futuros) clientes. “Fizemos o lançamento para a equipe de vendas na última sexta-feira e estamos conversando com interessados. Temos uma receptividade boa desse produto, principalmente com o setor alimentício, com o qual já trabalhamos. Mas fora dele, com empresas de e-commerce, já temos conversas e acreditamos que exista um potencial positivo”, afirma Robert Friesen, gerente de Pesquisa & Desenvolvimento da Irani.

Embalagens devem ser colocadas à venda ainda em junho, segundo a empresa (Irani Papel e Embalagem/Divulgação)

Marcas e produtos "anti-covid"

No início do último mês, o Center for Disease Control (CDC), autoridade de saúde dos Estados Unidos, revisou as recomendações de desinfecção de superfícies. Apesar de a transmissão do coronavírus por contato ser significativamente menor do que pelo ar, segundo o órgão, a desinfecção de supercíes e objetos ainda é recomendada para reduzir (ainda mais) o risco de infecção por covid-19.

Diante dessas recomendações -- e das incertezas em relação ao vírus --, fato é que empresas de diferentes setores encontram no Brasil um terreno fértil para se desenvolverem com soluções anti-covid. Uma matéria da Exame mostrou que, entre elas, está a Anjo, uma fabricante de tintas fundada em Criciúma, no sul de Santa Catarina, há 35 anos. Em parceria com pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina, a Anjo lançou recentemente um verniz chamado Nanoblock que usa nanotecnologia para eliminar bactérias e vírus, incluindo o novo coronavírus. A promessa do produto é de ser eficiente numa porção de superfícies – seja em paredes de imóveis ou em sacolas de supermercado.  O produto deve contribuir com o faturamento da empresa, que deve ser 16% maior em 2021.

Ainda no Brasil, a fabricante de cosméticos Dux Grupo, de Itupeva, no interior paulista praticamente dobrou o faturamento em 2020 com o lançamento de produtos anti-covid, além de aumentar o quadro de funcionários em 50%.