Negócios

Os 5 dias que decidiram o novo presidente da Vale

Consultoria CTPartners nega que sucessão tenha sido jogo de cartas marcadas e afirma que já participou de processos tão rápidos quanto o da mineradora

Murilo Ferreira, novo presidente da Vale: escolhido a partir da base da consultoria CTPartners (Eduardo Monteiro/EXAME)

Murilo Ferreira, novo presidente da Vale: escolhido a partir da base da consultoria CTPartners (Eduardo Monteiro/EXAME)

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Da Redação

Publicado em 6 de abril de 2011 às 16h08.

São Paulo – O rápido processo de apenas cinco dias para decidir o nome de Murilo Ferreira como sucessor de Roger Agnelli na presidência da Vale levantou dúvidas sobre ser um jogo de cartas marcadas. Para escolher o novo executivo, a Vale contratou a empresa americana de consultoria CTPartners, com 31 anos de atuação – quatro deles no Brasil. “Eu não colocaria minha empresa nesse tipo de situação. Não precisamos disso. Foi apenas uma seleção mais badalada”, disse a EXAME.com Arthur Vasconcellos, sócio da consultoria e responsável por liderar o processo de escolha do novo presidente da Vale.

Vasconcellos conta que recebeu um telefone de Ricardo Flores, presidente da Previ (o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, e um dos maiores acionistas da Vale) e da Valepar, controladora da Vale, na manhã da quinta-feira, dia 31 de março, para convidá-lo a liderar o processo de sucessão. “Ainda pela manhã, peguei um voo em direção ao Rio de Janeiro para uma reunião com Ricardo”, diz. “Meu único contato em todo o processo foi com ele. O que houve antes desse dia, não tenho conhecimento.”

Segundo Vasconcellos, no encontro, Flores limitou-se a traçar o perfil do profissional que procuravam para suceder Agnelli. O ponto básico era: o candidato precisava ter conhecimento do setor de mineração. Vasconcellos afirma que, em nenhum momento, Flores sugeriu nomes. Quando conversei com Ricardo para definir o perfil do executivo, ficou decidido que teria de ser alguém da Vale ou que tivesse passado pela empresa. O conhecimento do setor, nesse caso, teve um grande peso”, conta Vasconcellos.

Segundo dia

Na sexta-feira, dia 1 de abril, Vasconcellos já tinha uma lista de seis executivos para entrevistar, selecionados a partir da base de dados da CTPartners. Um deles recusou o convite, pois assumiria um importante cargo numa empresa. Vasconcellos conversou com os outros cinco – um deles por telefone. Três nomes eram da própria Vale.

O sócio da CTPartners não os cita, mas é praticamente certo que fossem Tito Martins, atual presidente da Vale Inco e o mais cotado pelo mercado para assumir o posto, e José Carlos Martins, diretor de Estratégia. Na semana passada, chegou a circular também que Eduardo Bartolomeu, diretor de Operações e Logística, era cogitado.

Os outros dois candidatos entrevistados por Vasconcellos já tinham passado pela empresa – um deles, obviamente, era Murilo Ferreira, que deixou a Vale em 2009, após divergências com Agnelli sobre a possível compra da anglo-suíça Xstrata. “Os grandes nomes do setor são conhecidos, por isso foi um processo rápido. E se fosse em outro setor, como o aéreo, a quantidade de nomes qualificados para um carga de presidência é mais restrita também.”


Durante o final de semana, Vasconcellos e uma equipe de oito funcionários da CTPartners elaboraram a lista tríplice, cumprindo a cláusula do acordo de acionista que obriga a Vale a seguir esse ritual. A apertada data para apresentar os nomes era a segunda-feira, dia 4 de abril, pela manhã. Isto porque, naquele dia, os acionistas que integram a Valepar se reuniriam para apreciá-la e, dali, tirar o escolhido para comandar a Vale.

Vasconcellos, porém, nega que a pressão fosse decorrência do encontro marcado pela Valepar. “Não quis saber por que eles estavam com tanta pressa. Não me interessava. E também já fizemos outros processos num tempo semelhante”, diz, sem entrar em detalhes sobre as outras operações.

Ainda na segunda-feira, após a reunião da Valepar (composta por Litel, Bradespar, BNDESpar, Mitsui e Elétron), o nome de Murilo Ferreira foi escolhido. “O Ricardo Flores ainda tinha me pedido para passar o dia no Rio de Janeiro, caso os acionistas negassem os três nomes apresentados”, diz.

Vasconcellos ingressou como sócio da CTPartners em 2007, quando a consultoria chegava ao Brasil. Antes, havia passado quatro anos na Câmara Americana de Comércio, em São Paulo. Por coincidência, ou não, o executivo tem um extenso currículo em um setor próximo ao de mineração – o de siderurgia e metalurgia.

Vasconcellos passou 20 anos na Alcan, três anos na CSN e outros três na Alcoa. Conheceu Ricardo Flores, da Previ, quando entrou na consultoria. “No meu setor, é bom conhecê-lo”, diz. Quando estava na CSN, participou do processo de privatização da Vale, em 1997. “Foi nessa época que conheci a empresa mais a fundo”, diz. No entanto, só retomou contato com a mineradora agora para a escolha do novo presidente. Um processo polêmico que será lembrado ainda por muito tempo – dentro e fora da Vale.

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