O que Lemann, Telles e Sicupira aprenderam com a GP

Livro Sonho Grande, que narra a trajetória do trio, mostra como seu faro para negócios foi depurado na GP Investimentos
 (Sergio Lima/FolhaPress/Veja/Reprodução)
(Sergio Lima/FolhaPress/Veja/Reprodução)
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Márcio JuliboniPublicado em 09/04/2013 às 10:57.

São Paulo – Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira são, hoje, reconhecidos por suas aquisições arrojadas, como a recente compra da gigante de alimentos Heinz em parceria com o megainvestidor Warren Buffett, considerada a maior já feita no setor.

O trio teve, porém, uma bela escola para apurar o faro para bons negócios. Trata-se da GP Investimentos, empresa de private equity fundada por eles em 1993. É o que mostra a jornalista Cristiane Correa, no livro “Sonho Grande”, que será lançado na noite desta terça-feira, em São Paulo, pela Editora Sextante.

Editora-executiva de EXAME até o início de 2012, a jornalista mostra, entre outros episódios, como a GP ensinou duas lições ao trio sobre o melhor tipo de empresa para comprar – e aquelas das quais é melhor manter distância.

Lição lucrativa

A primeira lição vem da experiência do trio na aquisição da Booknet, uma livraria virtual fundada pelo empresário Jack London e comprada pela GP Investimentos em meados de 1999. A empresa foi o embrião do site de compras Submarino, que se uniu à Americanas.com no final de 2006 para criar a maior varejista online do Brasil, a B2W.

A fusão com a Americanas.com marcou a saída da GP do quadro de acionistas da Submarino. O investimento foi considerado um sucesso, já que, segundo Cristiane, o dinheiro investido na antiga Booknet foi multiplicado por 10.

Ainda assim, a experiência alertou Lemann, Telles e Sicupira para um ponto. “O envolvimento exigido da GP para transformar a aspirante a varejista virtual em uma empresa sólida foi considerado pela gestora de recursos alto demais. A experiência com o Submarino acabou por criar uma regra dentro da GP: investimentos em startups nunca mais”, escreve a jornalista.

Cara própria

A segunda lição dos tempos de GP veio da participação no consórcio que arrematou a Telenorte Leste, em 1998, operadora que se tornou, depois, a Telemar e a Oi. Cristiane lembra que os problemas começaram logo cedo. “Com interesses e culturas muito diferentes, o clima entre os sócios da Telemar era, para dizer o mínimo, belicoso. Não raro, as reuniões do conselho de administração se transformavam em verdadeiras batalhas.”

O ponto é que, dos 20 membros do conselho da Telemar, apenas dois eram da GP, Beto Sicupira e Fersen Lambranho. Mesmo quando Lambranho assumiu a presidência do conselho da operadora, em agosto de 2000, a tentativa de implantar a cultura gerencial da GP na empresa não foi bem-sucedida, já que o private equity detinha menos de 10% da companhia.

Em 2008, a GP vendeu sua fatia na Telemar e deixou o negócio sem nenhum ganho expressivo. Segundo a autora, se os 350 milhões de reais investidos pela GP na empresa fossem aplicados em renda fixa, o retorno seria maior. “Ficou a segunda lição: nada de tomar parte de negócios em que a GP não tivesse autonomia para estabelecer sua cultura”, escreve Cristiane. Duas lições que Lemann, Telles e Sicupira seguem até hoje.