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O parque aquático que se uniu ao Felipe Neto para dar água potável às vítimas das enchentes no RS

Parque já produziu 200.000 litros de água potável, que é levado a Porto Alegre por caminhões-pipas, alguns deles conseguidos pelo influenciador Felipe Neto

Desastre no Rio Grande do Sul: Porto Alegre já está embaixo d'água há cinco dias (Acqua Lokos/Divulgação)

Desastre no Rio Grande do Sul: Porto Alegre já está embaixo d'água há cinco dias (Acqua Lokos/Divulgação)

Daniel Giussani
Daniel Giussani

Repórter de Negócios

Publicado em 7 de maio de 2024 às 15h01.

Última atualização em 15 de maio de 2024 às 11h33.

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No meio do desastre climático que assola o Rio Grande do Sul e que já causou 90 mortes, além de quase duas centenas de desaparecidos, sobra água lamacenta e falta água potável. 

Em Porto Alegre, onde o Guaíba reluta em descer de seus 5m25cm, já provocando a maior enchente da história da cidade, das seis estações de tratamento de água, só duas estão funcionando na tarde desta  terça-feira, 7. São mais de 60 bairros desabastecidos. A crise fez o prefeito Sebastião Melo recomendar que, quem pudesse, que saísse da cidade. 

A falta de água potável se estende para outras cidades da região metropolitana, muitas delas com a enchente já passando dois pavimentos de prédios, como é o caso de Canoas. Quem mora em andares mais altos está isolado. Alguns relutam em sair por medo de que seus bens sejam saqueados, mas também para eles faltam água e comida. 

No meio de um cenário dicotômico, em que falta água boa de um lado e sobra água ruim, a sociedade civil e empresas privadas começaram a se mobilizar para doar, na medida do possível, o líquido essencial à vida para as pessoas que precisam.

No RS, vi de perto a força da enchente e a da solidariedade dos empreendedores gaúchos

Nas redes sociais, um dos movimentos que mais chamou a atenção vem de um parque aquático do Litoral Norte gaúcho. O Acqua Lokos, parque criado há 27 anos em Capão da Canoa, disponibilizou todo seu sistema de tratamento de água para atender as cidades da região metropolitana que estão com escassez da bebida. 

“Temos dentro do Acqua Lokos uma estação de tratamento de água, semelhante às públicas”, diz Fabiano da Silva Brogni, diretor do parque aquático. “Fazemos a água potável que atende nosso hotel, nosso parque e nossos hóspedes. Mas, em função de tudo que está acontecendo, abrimos a estação para todos que precisarem de água potável”. 

Os trabalhos começaram no domingo, e até agora, cerca de 200.000 litros de água potável já foram entregues gratuitamente pelo Acqua Lokos. O movimento chamou a atenção de influenciadores como Felipe Neto, que usou suas redes sociais para falar que estava levando caminhões-pipa para o parque, para ajudar no transporte da bebida até as cidades atingidas. 

Brogni não tem perspectiva de terminar os trabalhos.

“Estamos atendendo toda demanda que podemos. Se precisarmos trabalhar 24 horas por dia produzindo água potável, faremos isso”, afirma.

Para organizar as entregas nos caminhões, o Acqua Lokos criou um número específico que faz o agendamento para retirada de água. E segue recebendo novas demandas, que quer atender, seja para pessoas, para hospitais ou entidades que estão querendo contribuir. 

No meio do caos, fábrica também produz água 

O Acqua Lokos não é o único caso de empresa que está trabalhando para fornecer água potável aos gaúchos. A Fruki Bebidas, fabricante de refrigerantes de Lajeado, é dona da Água da Pedra, uma das marcas mais conhecidas de água no Rio Grande do Sul.

Desde o início da crise, a empresa já doou 4 milhões de litros de água mineral e potável. Mas um problema está no cerne da empresa para que ela continue doando: a matriz da indústria está no epicentro das enchentes no Estado. 

A fábrica não chegou a ser atingida pelas águas do Rio Taquari, mas parte significativa dos funcionários não consegue se deslocar e alguns tiveram suas casas completamente inundadas. Com isso, e visando o atendimento emergencial da população, o envase está concentrado em água mineral e água potável 24 horas por dia.

“A Fruki segue abastecendo caminhões pipa direcionados à hidratação das localidades atingidas, incluindo a região metropolitana de Porto Alegre, por meio da Defesa Civil. Já são mais de 4 milhões de litros de água doados até o momento, sendo mais de 130 caminhões pipa e outras 75 mil unidades engarrafadas de água. A empresa continuará atendendo à população gaúcha conforme as condições internas e externas permitirem”, disse em nota. 

Ambev envasa água potável para o Rio Grande do Sul

A Ambev vai parar sua produção de cerveja em Viamão, na grande Porto Alegre, para envasar água potável e doar à população do Rio Grande do Sul.

Serão cerca de 850.000 latas de água de 473 ml produzidas por dia na cervejaria de Viamão. A companhia precisou levar de São Paulo alguns maquinários para viabilizar a adaptação de sua fábrica.

“Como uma empresa brasileira, estamos e estaremos sempre ao lado dos brasileiros em todas as situações”, diz Jean Jereissati, presidente da companhia.

Em parceria com a empresa Ball, líder global na produção de latas de alumínio, que disponibilizou as latas de 473 ml, a Ambev começa a distribuir as latas de água nesta quarta-feira, 8. Nos últimos dias, a empresa já doou mais de 560 mil de litros de água para o Estado – sendo 185 mil litros para a população de 11 municípios afetados e 375 mil em caminhões-pipa para suprir a necessidade de água de hospitais da grande Porto Alegre.

Como doar

Para quem não tem condições de doar seu tempo e conhecimento, existe a opção de ser um doador financeiro, e a população do Rio Grande do Sul está precisando de todos os tipos de doação para passar pela pior enchente da sua história, veja como ajudar o Rio Grande do Sul a seguir.

Como ser um voluntário para ajudar o Rio Grande do Sul?

A Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil do Rio Grande do Sul lançou um formulário para voluntários que desejam atuar em tarefas de organização, seleção e triagem das doações de ajuda humanitária.

Instituições, empresas e ou grupos interessados no voluntariado também podem preencher o cadastro no link: https://casamilitar-rs.com.br/voluntariado/.

Como doar para o Rio Grande do Sul

Empresas e pessoas físicas podem ajudar o estado por meio de transferência de dinheiro via PIX, diretamente para a conta oficial do governo.

PIX (CNPJ): 92.958.800/0001-38
Conta SOS Rio Grande do Sul
Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul)

Atenção: quando realizar a operação, confirme que o nome da conta que aparece é "SOS Rio Grande do Sul" e que o banco é o Banrisul.

Como fazer doações para o Rio Grande do Sul no exterior
Zona do Euro

Banco Standard Chartered
Bank Frankfurt
Swift: SCBLDEFX
Conta: 007358304

Zona do Dólar

Banco Standard Chartered
Bank New York
Swift: SCBLUS33
Conta: 3544032986001

Para ambos os casos, é preciso informar:

Código IBAN: BR5392702067001000645423206C1
Nome: Associação dos Bancos no Estado do Rio Grande do Sul
CNPJ: 92.958.800/0001-38

Negócios em Luta

A série de reportagens Negócios em Luta é uma iniciativa da EXAME para dar visibilidade ao empreendedorismo do Rio Grande do Sul num dos momentos mais desafiadores na história do estado. Cerca de 700 mil micro e pequenas empresas gaúchas foram impactadas pelas enchentes que assolam o estado desde o fim de abril.

São negócios de todos os setores que, de um dia para o outro, viram a água das chuvas inundar projetos de uma vida inteira. As cheias atingiram 80% da atividade econômica do estado, de acordo com estimativa da Fiergs, a Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul.

Os textos do Negócios em Luta mostram como os negócios gaúchos foram impactados pela enchente histórica e, mais do que isso, de que forma eles serão uma força vital na reconstrução do Rio Grande do Sul daqui para frente.

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