No Carrefour, mudanças na governança levam Abilio Diniz à vice-presidência

Com a conclusão de compra do BIG, Carrefour anuncia mudanças no conselho e traz Península e Advent para o board
Abilio Diniz: mudanças no Carrefour levam empresário à vice-presidência do conselho (Germano Lüders/Site Exame)
Abilio Diniz: mudanças no Carrefour levam empresário à vice-presidência do conselho (Germano Lüders/Site Exame)
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Maria Clara Dias

Publicado em 07/06/2022 às 13:14.

Última atualização em 07/06/2022 às 15:37.

Uma mudança está em curso no Carrefour nesta semana. A rede varejista anunciou a conclusão da compra do Grupo BIG, anunciada há pouco mais de um ano. Com o novo momento e a finalização de uma transação de R$ 7,5 bilhões, mudanças na governança e uma nova composição no conselho administrativo foram anunciadas.

A nova composição leva o empresário Abilio Diniz à vice-presidência da companhia. Antes membro do conselho graças à participação do family office Península Participações — cuja história se cruza com a do Carrefour desde 2014 com a compra acionária na repartição francesa — Diniz agora assume posição estratégica para a tomada de decisões no varejista.

O colegiado brasileiro agora é liderado pelo presidente global da companhia, Alexandre Bompard. Além dele, entram também Stephane Maquiare, presidente do Grupo Carrefour no Brasil e Patrice Etlin, sócio da gestora americana de private equity Advent, acionista minoritária do Carrefour desde a compra da rede BIG (ex-Walmart), da qual era controladora.

“Esse é um novo investimento nessa jornada no varejo alimentar no Brasil”, disse Maquiare, em coletiva de imprensa nesta terça-feira, 7.

Por trás do novo conjunto de executivos no board está o desejo de ampliar o rol de habilidades à disposição do núcleo responsável pela tomada de decisões no grupo francês. O conselho, agora com 12 participantes, faz uma junção de profissionais que fazem parte do Grupo Carrefour, colaboradores que vêm do Grupo BIG e executivos do mercado.

A chegada de Etlin, por exemplo, garante a presença de alguém capaz de opinar com base na experiência com gestões grandiosas, como no caso do feito com o Walmart, anos atrás. “Vamos trazer a bagagem de investimento em varejo no Brasil e mundo para essa participação”, disse.

Já Maquiare, CEO no Brasil, tem um extenso repertório de integrações em seu currículo, algo que vem a calhar no momento atual de incorporação com o BIG.

Além de vice-presidente, Abilio Diniz será responsável pelo comitê de cultura e pessoas, orientando o Carrefour no tocante à atração e retenção de talentos. Hoje o Carrefour tem 150 mil funcionários, e é o maior empregador privado do país.

Em outra frente, o novo cargo deve ampliar o direito à palavra do Brasil na definição de estratégias da empresa. “As decisões ainda são do CEO, mas já entendemos que o varejo é um jogo que deve ser jogado localmente”, diz Diniz.

Com essa constatação, a proposta é também compor o colegiado brasileiro com executivos experientes no setor na França. “Sempre tivemos executivos do Brasil indo até a França para atuar na companhia. Agora, com a regra invertida, a proposta é trazer a França ao Brasil”.

Os executivos também chamam a atenção para a participação feminina no conselho. Das 12 cadeiras, quatro são ocupadas por mulheres. Esse é um pilar que, segundo o CEO brasileiro, também deve ser replicado em todas as áreas da empresa. “Hoje, temos 30% do quadro de mulheres e queremos chegar aos 50% em todas as verticais. Temos um papel importante pela frente”, diz.

O que muda com a compra do BIG?

Com a conclusão da operação, o Grupo Carrefour passa a ter o controle da rede BIG. Na transação, a rede francesa adquiriu 70% do capital social da empresa. O restante, de 30%, foi composto a partir da emissão de 116.822.430 ações ordinárias.

Com o BIG, o Carrefour ganha 1.000 novos pontos de venda, que nos próximos meses receberão gradualmente as bandeiras Carrefour e Atacadão em um processo extenso de integração. As lojas Sam 's Club serão mantidas, mas terão um novo formato.

Nas projeções do Carrefour, a união com o BIG adicionará R$ 2 bilhões anuais ao EBITDA ajustado do Grupo a partir de 2025.