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Punir é mais efetivo que incentivar exercícios nas empresas

Para engajar funcionários em programas de atividade física, estudo mostra que é mais efetivo punir do que oferecer recompensa financeira

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	Funcionários fazendo ginástica laboral: em empresas, é mais efetivo ameaçar punir do que oferecer benefícios para incentivar o exercício
 (Divulgação/BASF)

Funcionários fazendo ginástica laboral: em empresas, é mais efetivo ameaçar punir do que oferecer benefícios para incentivar o exercício (Divulgação/BASF)

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Rebecca Greenfield

Publicado em 17 de fevereiro de 2016 às, 08h47.

Quando se trata de convencer as pessoas a participar de programas de perda de peso no trabalho, talvez as recompensas financeiras não sejam um bom incentivo. As punições, por outro lado, funcionam muito bem.

Durante três meses, 281 funcionários da Universidade da Pensilvânia participaram de um desafio de caminhada. O objetivo era andar pelo menos 7.000 passos por dia. 

Os pesquisadores utilizaram diferentes incentivos: um grupo recebeu US$ 1,40 por cada dia que cumpriu a meta e o outro recebeu US$ 42 adiantados por cada mês e perdeu US$ 1,40 por cada dia em que não chegou ao objetivo. 

Também participaram da pesquisa, publicada na segunda-feira nos Anais de Medicina Interna, um grupo que pôde participar de uma loteria para ganhar US$ 1,40 por cada dia de meta cumprida e um grupo controle, que não ganhou dinheiro nenhum.

Resulta que recompensar as pessoas com dinheiro não inspirou mais gente a cumprir a meta. 

Cerca de 30 por cento das pessoas que não receberam dinheiro caminharam os 7.000 passos, em comparação com cerca de 35 por cento daqueles com uma possível recompensa, uma diferença estatística insignificante, de acordo com o pesquisador que conduziu o experimento, Dr. Mitesh S. Patel.

As pessoas que enfrentaram uma punição por fracassar, no entanto, cumpriram o objetivo 55 por cento das vezes.

“Foi surpreendente o quanto a aversão à perda foi eficiente”, disse Patel, professor assistente de Medicina. Embora o pagamento para os participantes (eles monitoraram os passos com telefones celulares) não fosse muito alto, aumentar o valor também não funciona. 

Outra pesquisa, realizada por Patel no ano passado, concluiu que um prêmio de seguro de saúde de US$ 550 não fomentou a perda de peso entre os participantes.

Incentivos financeiros foram um método popular de convencer trabalhadores a participar de programas de bem-estar. 

Cerca de 40 por cento das empresas oferecem recompensas por concluir determinados programas de saúde e bem-estar, de acordo com a Society of Human Resource Management (SHRM).

Os empregadores tendem a seguir um desses dois caminhos: recompensa ou punição. Alguns oferecem benefícios financeiros, que vêm na forma de descontos em prêmios de seguro de saúde. 

A ideia é que dar um bônus aos empregados vai melhorar os resultados ou, pelo menos, convencê-los a participar. 

Cada vez mais, no entanto, os empregadores estão adotando uma abordagem mais dura, retirando a cobertura do seguro ou tributando quem não participa. Ameaçar os funcionários com uma perda, segundo esse pensamento, é uma forma melhor de motivar.

“Vejo mais e mais empresas passando a adotar as punições, em detrimento de incentivos e recompensas”, disse Jeff Luttrell, que trabalha com a SHRM.

Nem todos os incentivos são elaborados do mesmo modo, sugere a nova pesquisa de Patel. “A elaboração do incentivo é fundamental para o sucesso dele”, disse ele. 

“Tem a ver com o modo em que nosso cérebro funciona. Sabemos, por muitas pesquisas, que as pessoas são irracionais, mas elas são previsivelmente irracionais. Elas tendem a ser mais motivadas por perdas do que por ganhos”, disse Patel. Por isso, a punição.

Os programas de bem-estar que punem os funcionários foram polêmicos e acusados de ilegais. “Algumas pessoas tendem a pensar que o enquadramento da perda é um pouco duro”, disse Patel. 

Essa tática gera mais uma carga financeira para que os empregados cubram o seguro de saúde. Outros argumentam que é um modo de discriminar trabalhadores menos saudáveis. 

A Comissão de Igualdade de Oportunidades de Trabalho entrou com vários processos contra empresas que criaram programas de bem-estar que a Comissão considera discriminatórios, mas teve pouco sucesso até o momento.

Com mais provas de que as punições funcionam, e poucos sucessos dos empregados nos tribunais, não há razão para que as empresas prefiram recompensas em vez de punições. “Os empregadores vão continuar fazendo isso até não poderem mais”, acrescentou Luttrell.

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