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Murilo Ferreira, novo CEO da Vale, é elogiado até por sindicalista canadense

Presidente do USW, Leo Gerard, conta que Murilo Ferreira era acessível e disposto a negociar problemas do trabalhadores

Murilo Ferreira: novo presidente da Vale assume cargo de Roger Agnelli em 22 de maio (Eduardo Monteiro/EXAME)

Murilo Ferreira: novo presidente da Vale assume cargo de Roger Agnelli em 22 de maio (Eduardo Monteiro/EXAME)

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Da Redação

Publicado em 8 de abril de 2011 às 16h30.

São Paulo – Presidentes de empresas elogiados por sindicalistas são tão raros quanto homens elogiados por suas ex-esposas (a menos, claro, que o sindicalista seja pelego). E, no que depender de Leo Gerard, presidente há dez anos da canadense Union Steel Workers (USW), Murilo Ferreira está neste restrito grupo. “O senhor Ferreira era muito acessível e sempre disposto a ouvir as preocupações do sindicato”, afirmou a EXAME.com.

Dificilmente Gerard se enquadraria na categoria de sindicalista que abaixa a cabeça para uma empresa. Basta lembrar que, sob seu comando, milhares de trabalhadores da Inco entraram para a história da empresa, ao promover sua greve mais longa – quase um ano, entre meados de 2009 e o início de 2010. O movimento era contrário às mudanças nos planos de aposentadoria e de participação nos resultados, e causou mais de 1 bilhão de reais de prejuízos à Vale.

Gerard conheceu Ferreira quando ele se tornou o segundo presidente da empresa, sob o comando da Vale, em 2007. O líder sindical conta que se encontrou pessoalmente com o executivo em três ocasiões, além de diversas conversas por telefone. “Ele se apresentou a algumas pessoas que me conheciam, e então marcamos uma reunião. Tivemos muitas conversas construtivas”, diz Gerard.

Saudade - A disposição de Ferreira de ouvir e negociar deixou saudades na USW, a ponto de os trabalhadores lamentarem sua saída. “A Vale Inco ganharia muito mais se ele continuasse à frente da empresa”, disse Gerard.

Ferreira deixou a Vale em 2009. Na época, sua saída foi atribuída a problemas de saúde, mas há quem diga que, na verdade, houve um choque com Agnelli. Gerard acredita na segunda alternativa: “Não sei como era a relação deles, mas pelo que conheço, Ferreira não deixou a empresa porque arrumou outro bom emprego”. O motivo seria a discordância de Ferreira dos planos de Agnelli para comprar a Xstrata, sexta maior mineradora do mundo e de origem anglo-suíça. O negócio não foi adiante e ainda prejudicou a relação dos dois.

Ferreira foi substituído, no comando da Inco, por Tito Martins, o mais cotado pelo mercado para assumir o posto de Agnelli. O que Gerard mostra de consideração por Ferreira, destila em críticas ao presidente que está de saída. “Em 25 anos de sindicato, nunca conheci um executivo tão arrogante quanto Agnelli”, diz Gerard. “E o senhor Tito deve ter pego um pouco da personalidade dele. Sobre as negociações, sempre que eu telefonava, ele estava no Brasil.”

Administrador de Empresas formado pela Fundação Getúlio Vargas de São Paulo, Ferreira ingressou na Vale em 1998, como diretor financeiro e comercial das operações de alumínio. Antes disso, passou pela Albras, fabricante também de alumínio, e ainda pela própria Vale, na época em que era estatal. 

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