Metalúrgicos da Ford em São Bernardo decidem entrar em greve

Cerca de 4.300 trabalhadores da fábrica que produz caminhões e o compacto New Fiesta cruzaram os braços contra anúncio na véspera de cerca de 200 demissõe

São Paulo - Metalúrgicos da fábrica da Ford em São Bernardo do Campo (SP) decidiram nesta quinta-feira entrar em greve por tempo indeterminado, em protesto contra demissões anunciadas pela montadora norte-americana na unidade.

Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, os cerca de 4.300 trabalhadores da fábrica que produz caminhões e o compacto New Fiesta cruzaram os braços contra anúncio na véspera de cerca de 200 demissões.

A entidade afirmou que o anúncio das demissões pela Ford foi feito após o encerramento do prazo de adesão a um programa de demissão voluntária, que ficou aberto por dois meses e não atingiu a meta pretendida pela empresa.

Representantes da montadora não puderam comentar o assunto de imediato.

A fábrica em São Bernardo do Campo está com 160 funcionários com contratos de trabalho suspensos ("layoff") desde 11 de maio e 59 afastados em banco de horas.

"Não esperávamos demissões na Ford. Há mais de um ano vínhamos conversando com a fábrica e encontrando alternativas em conjunto para enfrentar o cenário adverso. Reconhecemos as dificuldades, a queda acentuada na produção, no entanto, não era necessária uma atitude dessa natureza", disse o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Rafael Marques.

As vendas de carros da Ford acumulam queda de 3,2 por cento de janeiro a agosto sobre o mesmo período do ano passado. Já os licenciamentos de comerciais leves têm recuo de 24,6 por cento.

Enquanto isso, o segmento de autos e comerciais leves registra queda acumulada de 21,4 por cento, segundo dados da associação de montadoras, Anfavea.

No final de agosto, a alemã Daimler anunciou 1.500 demissões em sua fábrica de caminhões e ônibus em São Bernardo do Campo. O anúncio fez os trabalhadores da unidade decretarem greve que durou uma semana e foi encerrada após a montadora suspender os cortes para aderir ao Programa de Proteção ao Emprego (PPE) do governo federal.

Ainda na base do sindicato, a Volkswagen mantém 2.356 funcionários em regime de layoff, informou a entidade.

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