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Mercado vê lucro fraco da Vale

Analistas dizem, entretanto, que o segundo trimestre deve ter sido o pior do ano para a mineradora

EXAME.com (EXAME.com)
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Da Redação

Publicado em 10 de outubro de 2010 às 04h11.

A mineradora Vale fechou o segundo trimestre deste ano com um lucro líquido de 1,46 bilhão de reais, uma queda de 81% em relação a igual período de 2008. Essa expressiva queda no lucro foi maior do que as previsões da maioria dos analistas de mercado, que esperavam um resultado mais próximo a 4 bilhões de reais e avaliaram o desempenho da companhia como "fraco".

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"É hora de olhar para a frente e, neste sentido, acreditamos que a empresa sairá fortalecida da crise", disse a corretora Ativa. A corretora do Itaú, que trabalha de forma independente do banco, lembrou que as perspectivas para o segundo semestre são boas porque os preços do minério de ferro no mercado à vista (spot) estão em cerca de 95 dólares por tonelada, o que representa um prêmio de 20% em relação ao acertado nos contratos de longo prazo com as siderúrgicas.

Os demais resultados divulgados pela empresa não surpreenderam os analistas, que já esperavam uma piora no balanço devido à desvalorização do dólar - uma vez que 93% da receita de vendas consolidados estão vinculados a outras moedas -, à diminuição no preço do minério de ferro e de pelotas e à baixa demanda agravada pela crise econômica.


Também com queda vertiginosa, a receita líquida operacional da Vale somou 10,7 bilhões de reais neste segundo trimestre, 42% a menos do que os 18,3 bilhões registrados no ano passado. Na comparação com o primeiro trimestre deste ano (13,179 bilhões de reais), as receitas tiveram queda total de 16,5%.

De acordo com a corretora Banif, é consenso no mercado de que o fraco desempenho deve frustrar os investidores principalmente pela contração do Ebtida (lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação) e de sua margem, causando, dessa forma, receio em relação à política de corte de custos da mineradora que visa se adequar à nova realidade de preços mais baixos dos produtos.

O Ebtida encolheu 67% entre abril e junho, passando de 10,5 bilhões de reais em igual período de 2008 para 3,5 bilhões de reais. Enquanto a margem Ebtida declinou para 31%, contra 55% do ano passado.

O único ponto positivo que contribuiu para melhorar os resultados financeiros da companhia, segundo a corretora Fator, foi a recuperação do volume de vendas de minerais não-ferrosos, como níquel, cobre e alumínio, o que representou 36% da receita bruta da companhia no período. A Socopa destacou o desempenho no segmento de níquel, cujos embarques cresceram 16,9% e o preço médio subiu de 10.777 dólares para 13.224 dólares por tonelada.

Quem teve uma visão mais negativa dos resultados da Vale foi a corretora do Santander, que trabalha de forma independente do banco. O Santander avaliza a visão de que o segundo trimestre será o pior do ano, mas aposta em uma recuperação bastante lenta. "Mantemos nossa visão cautelosa sobre as ações da Vale", disse a corretora em relatório.

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