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Iochpe-Maxion adia nova operação fabril na China, mas vê retomada em 2021

A brasileira precisou postergar a inauguração de sua segunda fábrica de rodas em Suzhou devido aos desdobramentos da pandemia

 (Iochpe-Maxion/Divulgação)

(Iochpe-Maxion/Divulgação)

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Juliana Estigarribia

Publicado em 24 de novembro de 2020 às 15h53.

Última atualização em 24 de novembro de 2020 às 22h36.

A Iochpe-Maxion, fabricante de autopeças e equipamentos ferroviários, vem registrando uma retomada da demanda nos últimos meses e espera recuperação consistente do mercado em 2021. No entanto, a brasileira precisou adiar a inauguração de sua nova fábrica na China devido aos desdobramentos da pandemia do novo coronavírus.

A companhia se aliou à montadora Dongfeng, uma das líderes da China, para erguer sua segunda fábrica no país asiático, onde serão produzidas rodas de alumínio para automóveis e SUVs.

A previsão era que a nova fábrica entrasse em operação no início de 2021, mas segundo Elcio Mitsuhiro Ito, diretor financeiro e de relações com investidores, a expectativa agora é que a unidade comece a funcionar somente no final de 2021 ou começo de 2022.

"Tivemos atrasos na construção por causa da pandemia, cujo epicentro foi próximo ao local de nossa nova fábrica", disse o executivo a jornalistas. A fábrica estará localizada em Suzhou, com capacidade de produção de 2 milhões de unidades por ano.

O foco da nova operação fabril na China é o mercado local, onde o consumo anual de automóveis gira em torno de 23 milhões de unidades. O Brasil consumirá, neste ano, cerca de 2 milhões de veículos.

Capacidade instalada

Marcos de Oliveira, presidente da Iochpe, afirmou que o nível de utilização da capacidade vem crescendo continuamente, atingindo de 75% a 80% globalmente. Embora não abra números, ele afirma que a companhia reduziu em cerca de 8% a força de trabalho em suas operações no mundo, que antes da pandemia era de aproximadamente 15.000 funcionários. Por aqui, são cerca de 7.000.

"No Brasil, esse impacto foi muito pequeno, porque adotamos programas de manutenção do emprego do governo federal."

O executivo está otimista com a retomada da demanda em 2021. Segundo ele, mesmo que haja uma segunda onda de covid-19, a expectativa é que o setor produtivo não pare completamente como aconteceu em meados de abril deste ano no Brasil. "O lockdown deve ser parcial", diz.

Negociações

Oliveira afirmou ainda que a Iochpe está em fase de negociações com os fornecedores. A indústria siderúrgica é uma das principais parceiras da companhia e fornece em contratos anuais para a fabricante de rodas.

"É muito prematuro para falar de repasse de custos, porque estamos negociando contratos de matérias-primas neste momento. O aço, particularmente, teve uma série de aumentos para a distribuição neste ano, mas não para nós, que somos grandes compradores", explica o executivo. "Nosso objetivo é trabalhar com nossos fornecedores para que o impacto de aumentos de custos seja o menor possível." 

Embora o dólar tenha impactado positivamente a Iochpe, que tem 32 fábricas ao redor do mundo, o endividamento da companhia também cresceu neste ano. Porém, Oliveira continua otimista. "A recuperação tem sido muito mais rápida do que imaginávamos e no ano que vem o consenso é de crescimento."

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