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iFood compra Caju e reforça aposta no mercado de vale-refeição

Juntas, empresas somam 135 mil clientes corporativos e 3 milhões de usuários. Aquisição ainda depende de aprovação do Cade e do Banco Central

iFood compra da Caju amplia atuação no mercado de benefícios corporativos (	SOPA Images/Getty Images)

iFood compra da Caju amplia atuação no mercado de benefícios corporativos ( SOPA Images/Getty Images)

Isabela Rovaroto
Isabela Rovaroto

Repórter de Negócios

Publicado em 20 de outubro de 2026 às 16h12.

Última atualização em 20 de outubro de 2026 às 16h56.

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A companhia de delivery iFood anunciou nesta terça-feira, 20, a compra da startup de benefícios corporativos Caju, que atende mais de 70 mil empresas e 1,3 milhão de trabalhadores; o valor não foi divulgado. A operação, sujeita à aprovação do Cade e do Banco Central, reúne negócios com cerca de 135 mil empresas clientes e 3 milhões de usuários.

O iFood anunciou nesta terça-feira, 20, a compra da startup de benefícios corporativos Caju, que atende mais de 70 mil empresas e 1,3 milhão de trabalhadores no Brasil. O valor da transação não foi divulgado. A operação ainda depende da aprovação do Cade e do Banco Central.

A compra amplia a presença do iFood no mercado de vale-refeição e alimentação, que movimenta cerca de 150 bilhões de reais por ano no Brasil. Juntas, iFood Benefícios e Caju somam aproximadamente 135 mil empresas clientes e 3 milhões de usuários.

O negócio também faz parte da estratégia do iFood de reduzir a dependência das entregas de comida. No ano fiscal encerrado em março de 2026, a companhia registrou receita líquida de R$ 10,1 bilhões, alta de 29%. Desse total, um terço já veio de atividades fora do delivery, como serviços financeiros, supermercados, farmácias e softwares de gestão.

"Repensamos a cadeia de valor do benefício, e os pontos de partida foram o restaurante e o trabalhador. Quando o custo da transação cai, o estabelecimento opera com mais margem e pode repassar esse ganho em alimentação mais barata para o trabalhador e em mais investimento no negócio", afirma Arthur Freitas, CEO do iFood Benefícios.

Com a aquisição, o iFood pretende combinar sua rede de restaurantes, supermercados e serviços de alimentação com a tecnologia da Caju para gestão de benefícios, despesas corporativas e recursos humanos. A proposta é ampliar os serviços oferecidos às empresas e trabalhadores, aproveitando a estrutura que a companhia já mantém no setor de alimentação.

O que o iFood está comprando

Fundada em 2020, a Caju cresceu oferecendo cartões de benefícios flexíveis, que permitem às empresas disponibilizar diferentes categorias de saldo aos funcionários, como alimentação, refeição e mobilidade.

Em seis anos, a startup conquistou mais de 70 mil empresas clientes e passou a atender 1,3 milhão de trabalhadores. Seu cartão é aceito em mais de 12 milhões de estabelecimentos comerciais.

A empresa também expandiu sua atuação para além dos benefícios tradicionais. Hoje, oferece ferramentas para gestão de despesas corporativas e processos de recursos humanos, permitindo que as empresas concentrem diferentes atividades em uma única plataforma.

Com sede em São Paulo, a Caju tem mais de 700 funcionários espalhados pelo país.

"A união das empresas procura oferecer o melhor ecossistema para o RH e o melhor produto para o colaborador. Juntar forças com o iFood Benefícios é a chance de acelerar o que já fazemos, abrindo espaço para a inovação com mais investimento em experiência e produto, fortalecendo um setor mais simples para quem usa e para quem administra o benefício", afirma Eduardo Del Giglio, CEO e cofundador da Caju.

A compra permite ao iFood incorporar a base de clientes corporativos da Caju e ampliar sua oferta de serviços para os departamentos de recursos humanos. Para a startup, a operação representa a possibilidade de acelerar o desenvolvimento de produtos com o apoio da estrutura tecnológica do grupo.

"Desde nosso investimento, em 2020, acompanhamos os fundadores transformarem uma oportunidade de mercado em um negócio de grande escala, com crescimento consistente e uma proposta de valor que conquistou empresas e trabalhadores em todo o país", diz Antoine Colaço, do Valor Capital Group, um dos principais investidores da Caju.

A disputa pelo mercado de benefícios

A aquisição acontece em meio a mudanças nas regras do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), que reúne cerca de 470 mil empresas e atende mais de 22 milhões de trabalhadores no Brasil.

O programa estabelece regras para a concessão de benefícios de alimentação e refeição aos funcionários. Durante décadas, esse mercado foi dominado por grandes operadoras de cartões, enquanto restaurantes e supermercados enfrentavam taxas elevadas para aceitar os pagamentos.

Nos últimos anos, empresas de tecnologia como Caju e iFood Benefícios passaram a disputar espaço com as operadoras tradicionais, oferecendo cartões com maior rede de aceitação e serviços digitais para os departamentos de recursos humanos.

Uma das principais mudanças regulatórias foi a definição de um teto de 3,6% para as taxas cobradas dos estabelecimentos comerciais. As novas regras também preveem a abertura dos arranjos de pagamento, permitindo maior integração entre diferentes operadoras de benefícios.

Para o iFood, a redução dessas taxas pode ampliar a aceitação dos cartões e diminuir os custos dos restaurantes e supermercados.

A companhia pretende aproveitar a estrutura que já construiu no setor de alimentação. O aplicativo reúne mais de 500 mil estabelecimentos parceiros, entre restaurantes e mercados, além de mais de 600 mil entregadores. São 65 milhões de consumidores atendidos em mais de 2.000 cidades brasileiras.

A estratégia é conectar os cartões de benefícios aos serviços oferecidos pelo aplicativo, como o Clube iFood, programa de descontos para consumidores, e o Comer Fora, voltado ao consumo presencial em restaurantes. Com isso, a empresa busca ampliar a utilização dos benefícios em sua rede de parceiros e oferecer novas vantagens aos trabalhadores.

'Perguntas frequentes'

O que o iFood comprou? +

O iFood comprou a Caju, startup que oferece cartões de benefícios flexíveis e ferramentas para gestão de despesas corporativas e recursos humanos. Fundada em 2020, a Caju atende mais de 70 mil empresas e 1,3 milhão de trabalhadores.

Qual foi o valor da compra da Caju pelo iFood? +

O valor da compra da Caju pelo iFood não foi divulgado. A operação ainda depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica, o Cade, e do Banco Central.

Quantos clientes iFood Benefícios e Caju terão juntos? +

iFood Benefícios e Caju somam aproximadamente 135 mil empresas clientes e 3 milhões de usuários. O cartão da Caju é aceito em mais de 12 milhões de estabelecimentos comerciais.

Por que o iFood comprou a Caju? +

A compra faz parte da estratégia do iFood de ampliar sua presença no mercado de benefícios e reduzir a dependência das entregas de comida. A companhia pretende combinar sua rede de alimentação com a tecnologia da Caju para oferecer serviços de benefícios, despesas corporativas e recursos humanos.

Quanto do faturamento do iFood já vem de negócios fora do delivery? +

Um terço da receita líquida do iFood no ano fiscal encerrado em março de 2026 veio de atividades fora do delivery, como serviços financeiros, supermercados, farmácias e softwares de gestão. No período, a companhia registrou receita líquida de R$ 10,1 bilhões, alta de 29%.

Como as novas regras do vale-refeição afetam o mercado de benefícios? +

As novas regras estabeleceram teto de 3,6% para as taxas cobradas dos estabelecimentos comerciais e preveem a abertura dos arranjos de pagamento. Segundo o iFood, a redução das taxas pode ampliar a aceitação dos cartões e diminuir os custos de restaurantes e supermercados.

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