Envios iFood: empresa quer usar logística do delivery de comida para levar entregas rápidas ao varejo (@FERNANDO_SIGMA/Divulgação)
Repórter de Negócios
Publicado em 16 de setembro de 2026 às 11h00.
Última atualização em 16 de setembro de 2026 às 11h01.
RESUMO | O iFood começou a usar sua rede logística em pedidos feitos fora do aplicativo com o Envios iFood, que realizou 500 mil entregas em cerca de um mês e meio. A empresa espera chegar a 1 milhão no mês seguinte e estima que, em escala, o serviço possa elevar em 20% os ganhos dos 600 mil entregadores ativos.
Receber uma compra no mesmo dia deixou de ser uma promessa restrita aos grandes marketplaces. A corrida pela entrega em poucas horas começa a chegar também às pequenas e médias empresas — e o iFood quer usar a escala construída com comida para entrar nessa disputa.
A empresa começa a disponibilizar sua infraestrutura logística para pedidos que acontecem fora de seu aplicativo. Batizada de Envios iFood, a solução permite que varejistas acionem a rede de entregadores da companhia para compras feitas em sites, aplicativos e outros canais próprios. O anúncio foi realizado no iFood Move 2026.
O movimento acontece depois de o iFood atingir 50 milhões de entregas mensais feitas por sua própria logística dentro da plataforma. Em cerca de um mês e meio de operação, o novo serviço chegou à marca de 500 mil entregas. A expectativa é alcançar 1 milhão no mês seguinte.
“A gente pegou essa mesma solução de intermediação de logística e levou para os estabelecimentos que não necessariamente estão dentro do iFood”, diz Arnaldo Bertolaccini, vice-presidente de logística do iFood.
A próxima etapa será ampliar os tipos de varejistas atendidos e a escala da operação. O iFood começa principalmente com pacotes menores, transportados por motos, mas pretende incorporar outros modais à medida que avançar sobre categorias que exigem entregas maiores.
A empresa também estima que, com a escala do Envios, os ganhos dos entregadores possam crescer 20%, com mais corridas nos períodos de menor demanda.
Atualmente, são 50 milhões de pedidos por mês entregues pela logística da companhia. A rede reúne 600 mil entregadores ativos, considerando aqueles que fizeram ao menos uma entrega nos últimos 30 dias.
Para Bertolaccini, essa estrutura exige investimentos em tecnologia e escala que dificilmente seriam replicados por um pequeno varejista.
“Esse não é um ativo que pequenos e médios empreendedores costumam ter acesso. Normalmente, é um investimento de tecnologia e um investimento econômico importante para você conseguir oferecer esse tipo de serviço em escala”, diz.
É justamente essa barreira que o iFood tenta transformar em um novo negócio.
Um pequeno varejista pode vender um tênis em seu próprio site, por exemplo, e usar a estrutura do iFood apenas para levar o produto até o consumidor. O mesmo vale para compras feitas em outros canais próprios.
A estratégia também responde a uma mudança no comportamento do consumidor. Se esperar alguns dias por uma compra online já foi considerado normal, grandes marketplaces passaram a reduzir essa janela para o mesmo dia — e, em alguns casos, poucas horas.
“O empreendedor que não é uma grande plataforma antigamente jamais conseguiria competir com um serviço de entrega rápida. Com o Envios iFood, ele passa a competir com grandes plataformas porque consegue ter uma entrega tão rápida quanto aquela plataforma oferece”, afirma Bertolaccini.
Uma das formas encontradas pelo iFood para chegar aos pequenos varejistas é se conectar às plataformas que eles já usam.
A empresa fechou uma parceria com a Nuvemshop, plataforma de comércio eletrônico que atende mais de 180 mil marcas. A logística do iFood é integrada ao processo de compra e pode aparecer como uma opção de entrega rápida na hora em que o consumidor fecha o pedido.
Outra frente são empresas que já têm alguma relação com o iFood, mas também vendem por canais próprios. É o caso de farmácias que estão no aplicativo e, ao mesmo tempo, mantêm seus próprios sites ou apps.
Neste primeiro momento, a distribuição do Envios está concentrada nesses dois caminhos: estabelecimentos que já se relacionam com o iFood e integrações com plataformas que concentram milhares de vendedores. A ideia é criar intenção é criar uma forma mais simples para que outros comerciantes contratem diretamente o serviço.
A expansão significa que o iFood passa a colocar sua infraestrutura a serviço de transações nas quais não necessariamente participou da venda.
Para a companhia, a lógica está em transformar a escala já existente em um serviço que pode atender mais momentos do varejo — e, ao mesmo tempo, gerar mais corridas para sua base de entregadores.
O perfil buscado pelo Envios também mostra onde o iFood pretende competir inicialmente.
Em vez de grandes centros de distribuição, a operação está focada no chamado ship from store, modelo no qual uma compra online é despachada diretamente de uma loja física.
Na prática, o varejista pode usar o estoque que já mantém na loja para atender consumidores próximos sem precisar construir um centro de distribuição.
Existe uma segunda conta por trás da expansão. A demanda tradicional do delivery de comida é concentrada principalmente nos horários de almoço e jantar. Ao adicionar entregas de roupas, medicamentos, eletrônicos e outros produtos, o iFood consegue distribuir mais corridas ao longo do dia.
Nos primeiros testes, segundo Bertolaccini, a empresa já percebeu aumento de renda entre entregadores que participaram da operação, embora ainda não tivesse um percentual consolidado no momento da entrevista.
“A gente consegue distribuir isso durante todo o dia e isso tem se mostrado um aumento de renda do entregador”, diz Bertolaccini.
O desafio agora é provar que a equação funciona em escala. Além de chegar a mais varejistas, o iFood terá de manter a velocidade da entrega à medida que adiciona categorias, tamanhos de pacotes e diferentes modais.
A aposta parte de um ativo que o iFood já tem. São 600 mil entregadores ativos e 50 milhões de entregas mensais dentro da plataforma. Agora, a companhia quer descobrir até onde essa estrutura consegue chegar quando o pedido começa fora dela.
O Envios iFood é um serviço que permite a varejistas usar a rede de entregadores da empresa em compras feitas fora do aplicativo, como em sites, apps e outros canais próprios.
O Envios iFood realizou 500 mil entregas em cerca de um mês e meio de operação. A expectativa da empresa é alcançar 1 milhão de entregas no mês seguinte.
Os pequenos varejistas podem acessar o serviço por integrações como a parceria com a Nuvemshop, que atende mais de 180 mil marcas, ou por relações comerciais já existentes com o iFood. Mais adiante, a empresa pretende permitir a contratação direta por outros comerciantes.
Vestuário, tênis, eletrônicos e medicamentos estão entre as categorias testadas. Inicialmente, o serviço privilegia pacotes menores transportados por motos, mas o iFood pretende incorporar outros modais gradualmente.
Segundo o iFood, a escala do Envios pode elevar em 20% os ganhos dos entregadores ao oferecer mais corridas nos períodos de menor demanda, fora dos horários de almoço e jantar.
O modelo ship from store permite despachar uma compra online diretamente de uma loja física. Segundo Arnaldo Bertolaccini, vice-presidente de logística do iFood, o serviço está mais conectado aos estoques das lojas do que aos grandes centros de distribuição.