Diego Barreto, CEO do iFood: "O iFood se consolida em definitivo como um ecossistema de conveniência e ultraconveniência" (iFood/Divulgação)
Repórter de Negócios
Publicado em 16 de setembro de 2026 às 07h00.
Última atualização em 16 de setembro de 2026 às 10h15.
RESUMO | O iFood anunciou investimento de R$ 24 bilhões no Brasil entre abril de 2026 e março de 2027. Os recursos vão acelerar crédito, novas categorias, benefícios e tecnologia, além do delivery de restaurantes.
A disputa pelo delivery voltou a ganhar bilhões no Brasil. O iFood vai destinar R$ 24 bilhões ao Brasil no ano fiscal entre abril de 2026 e março de 2027, alta de 41% sobre os R$ 17 bilhões do período anterior. O anúncio será feito no iFood Move 2026.
O aumento acontece depois de um ano de crescimento. No exercício encerrado em março, o iFood teve receita líquida de R$ 10,1 bilhões, alta de 29%, movimentou R$ 150 bilhões e alcançou EBITDA de R$ 2,2 bilhões. Agora, parte desse resultado volta para uma estratégia de expansão que inclui desde o delivery de restaurantes até crédito e novas categorias.
“Minha cabeça não está na rentabilidade. Minha cabeça está em crescer”, diz Diego Barreto, CEO do iFood.
“Não estou construindo um negócio para entregar resultado para o mercado de capitais. Felizmente, consegui construir uma empresa que não precisa abrir o capital e, por isso, posso ter uma visão de construção de longo prazo muito organizada", explica.
A expectativa é que essa expansão mude a composição da companhia. Hoje, cerca de 30% do resultado já vem de verticais além da entrega de comida. Barreto afirma que essa participação pode chegar a 50% em até dois anos.
Segundo Barreto, R$ 10 bilhões serão destinados às verticais da companhia. O grupo reúne restaurantes, supermercados e farmácias, além de categorias que passam a receber mais investimentos, como pet shop, bebidas, conveniência e presentes.
A empresa espera crescimento de 60% em supermercados e 70% em farmácias neste ano.
Nos restaurantes, parte da aposta estará no Hits, área com refeições de menor preço e entrega gratuita, e no Turbo, modalidade de entregas em até 20 minutos que começa a avançar das principais capitais para outras grandes cidades.
Hoje, o iFood conecta 65 milhões de consumidores a 500 mil estabelecimentos em 2.800 cidades. A plataforma registra mais de 180 milhões de pedidos por mês e conta com 600 mil entregadores parceiros.
Outros R$ 5 bilhões serão destinados ao iFood Pago, fintech da companhia, principalmente para concessão de crédito. Hoje, apenas cerca de 10% dos restaurantes da base utilizam a operação financeira, segundo Barreto.
O iFood também começa a avançar no crédito para pessoas físicas. A companhia estuda financiamento para compras de maior valor, como supermercado, e situações pontuais de consumo. Em outubro, começa a testar um cartão de crédito para consumidores de maior recorrência, com expectativa de ganhar escala em 2027.
“Nós não estamos falando de ficar financiando a comida da pessoa todo dia. Estamos falando de situações específicas e momentâneas”, afirma Barreto.
O iFood Benefícios receberá mais R$ 1 bilhão. Segundo o CEO, a operação cresce perto de 100% ao ano e a meta é buscar a liderança desse mercado nos próximos três anos. Tecnologia e inovação terão mais de R$ 2 bilhões, incluindo investimentos em inteligência artificial.
O crescimento das novas verticais é uma das principais razões para o aumento dos investimentos.
Segundo Barreto, negócios além do delivery de restaurantes crescem entre 60% e 110%. Há cerca de três anos, tinham participação pequena no resultado. Hoje, já representam aproximadamente 30%.
“Essas novas verticais vão continuar sendo esse motor de crescimento. O iFood se consolida em definitivo como um ecossistema de conveniência e ultraconveniência”, afirma Barreto.
A projeção é chegar a 50% em até dois anos. O movimento transforma uma companhia construída em torno da entrega de refeições em uma operação que também busca receita em crédito, benefícios, supermercados, farmácias e outras categorias.
O investimento também acontece em um mercado mais disputado. A chegada de concorrentes aumentou o uso de cupons, descontos e outros incentivos para atrair consumidores e restaurantes.
Barreto afirma que o iFood também precisou aumentar o uso desses mecanismos, mas considera a estratégia passageira.
“Isso não ganha jogo. É um negócio que você usa para uma questão tática”, diz.
Sem citar empresas, o CEO afirma que alguns concorrentes estão adotando uma estratégia de “preço predatório” e compara a prática a dumping, quando uma empresa pratica preços muito baixos para ganhar mercado.
“É um fato que a gente está tendo que usar mais do que gostaria, em especial porque players claramente têm usado uma tática de preço predatório”, afirma.
Segundo Barreto, a companhia precisa reagir para evitar que o mercado seja conquistado apenas pelo volume de dinheiro colocado em incentivos.
“Isso me exige, obviamente, taticamente, não permitir que o mercado simplesmente seja comprado”, diz.
Para o iFood, a aposta é que os R$ 24 bilhões ajudem a sustentar o crescimento enquanto novas verticais ganham escala.
A companhia entra no novo ciclo com 65 milhões de consumidores e mais de 180 milhões de pedidos mensais. Se a projeção de Barreto se confirmar, em até dois anos metade do negócio já estará fora da atividade que deu origem ao iFood.
O iFood vai investir R$ 24 bilhões no Brasil entre abril de 2026 e março de 2027. O valor é 41% superior aos R$ 17 bilhões destinados ao ciclo anterior.
Segundo o CEO Diego Barreto, R$ 10 bilhões serão destinados às verticais da companhia, R$ 5 bilhões ao iFood Pago, R$ 1 bilhão ao iFood Benefícios e mais de R$ 2 bilhões a tecnologia e inovação, incluindo inteligência artificial.
O iFood ampliará os investimentos em pet shop, bebidas, conveniência e presentes, além de restaurantes, supermercados e farmácias. A companhia espera crescimento de 60% em supermercados e 70% em farmácias neste ano.
O iFood estuda financiar compras de maior valor e situações pontuais de consumo. Em outubro, a companhia começará a testar um cartão de crédito para consumidores recorrentes, com expectativa de ganhar escala em 2027.
As verticais além do delivery de restaurantes já representam cerca de 30% do resultado do iFood e podem chegar a 50% em até dois anos, segundo Diego Barreto. O CEO afirma que esses negócios crescem entre 60% e 110%.
O iFood aumentou o uso de cupons, descontos e outros incentivos, mas Diego Barreto considera essa estratégia passageira. Sem citar empresas, o CEO afirma que alguns concorrentes adotam “preço predatório” e compara a prática a dumping.