Grupo Petrópolis desafia clima para plantar lúpulo e lançar cerveja

Fabricante da Itaipava investe em lúpulo próprio, de difícil cultivo no Brasil, e lança apenas 2 mil unidades da Black Princess Braza Hops
 (Grupo Petrópolis/Divulgação)
(Grupo Petrópolis/Divulgação)
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Marina Filippe

Publicado em 28/10/2020 às 12:04.

Última atualização em 28/10/2020 às 12:09.

O Grupo Petrópolis, dono de marcas como Itaipava e Petra, acaba de lançar a cerveja Black Princess Braza Hops em apenas 2 mil unidades long neck. O lançamento marca o primeiro produto da cervejaria que utiliza um lúpulo brasileiro plantado no Centro Cervejeiro da Serra, em Teresópolis, no Rio de Janeiro, em parceria com o Viveiro Ninkasi.
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Segundo a empresa, o lúpulo foi o primeiro do país a obter o termo de conformidade emitido com o aval do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e o primeiro também a possuir nota fiscal de origem das plantas.

A certificação foi possível graças a um investimento de 2,5 milhões de reais desde 2017. "Começamos com modelo experimental com 316 mudas de 10 espécies para testar a adaptabilidade de cada uma. No primeiro ano a plantação de lúpulo naturalmente produz pouco, pois as plantas ainda estão se adaptando ao local. Em 2019, o cultivo cresceu e foi semeado um novo campo, desta vez com 7.200 plantas", diz Diego Gomes, diretor industrial do Grupo Petrópolis e a frente do Centro Cervejeiro da Serra.

Segundo o executivo, atualmente a cervejaria consegue cerca de 800 gramas de lúpulo por planta, mas quer chegar aos quatro quilos nos próximos anos. Em 2020 a expectativa é obter 800 kg de lúpulo seco.

A ideia é que o insumo seja utilizado nas cervejas artesanais do Grupo, mas também vendido no e-commerce próprio Bom de Beer para outros produtores, onde também a nova cerveja é vendida a R$12,90 . "Queremos acabar com a ideia de que o Brasil não produz bom lúpulo e incentivar um novo mercado, pois o importado tem normalmente um ano de colhido", afirma.

Investimento 

A quantidade do lúpulo utilizado em cada receita depende muito do estilo da cerveja. Apesar de Gomes dizer que ainda é cedo para pensar apenas no retorno sobre o investimento, uma vez que a produção está prevista para aumentar, há o claro interesse em não depender tanto do fornecedor externo para algumas produções.

"Se determinado estilo de cerveja está na moda o mercado reage e o preço do lúpulo pode até quadruplicar. Ao desenvolver melhor o nosso agronegócio também estamos menos sujeitos a essa variações econômicas. Desenvolver a nacionalização do lúpulo é importante não só para ter demanda atendida, no futuro próximo, por um produto nacional, mas também para ter no Brasil o domínio da cultura desta planta.", diz.

O Grupo Petrópolis mantém parcerias com a UFRJ e UFRRJ (Rural) por meio  de intercâmbio de geneticistas e estagiário dentro da fazenda para estudos e pesquisas com a planta. Já existe um projeto de melhoramento genético da planta em parceria com a UFRRJ e outro projeto para melhorar a produtividade.

Além disso, o local também tem foco na economia circular, sendo as vacas alimentadas com a cevada da própria fazenda e o leite retirado para a produção de queijo artesanal.

Na fazenda foram usados tecnologia de ponta de agricultura, mulching israelense (cobertura de solo), sistema de irrigação automatizado e adubação com insumos altamente solúveis. A equipe do Viveiro Ninkasi trabalha para a tropicalização da planta, que é original do Hemisfério Norte.