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Esse é o erro de gestão que trava o crescimento das empresas, segundo CEO da Falconi

Juros altos, pressão por produtividade, transformação digital e novas exigências, como a NR-1, levam empresários a rever liderança, operação e crescimento

Alexandre Ribas, CEO da Falconi: “Quando quem aperta o parafuso não sabe por que está apertando, a estratégia não acontece” (Falconi/Divulgação)

Alexandre Ribas, CEO da Falconi: “Quando quem aperta o parafuso não sabe por que está apertando, a estratégia não acontece” (Falconi/Divulgação)

Publicado em 7 de abril de 2026 às 05h57.

Última atualização em 7 de abril de 2026 às 06h14.

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Fazer gestão no Brasil nunca foi simples, mas ficou mais difícil. Entre juros elevados, pressão por produtividade, transformação digital acelerada e novas exigências regulatórias, como a saúde mental no trabalho, empresários estão sendo obrigados a rever a forma como lideram, operam e crescem.

Para Alexandre Ribas, CEO da Falconi, o cenário atual exige uma mudança profunda de mentalidade, e não apenas ajustes pontuais.

“O mundo está mudando mais rápido, e os ciclos das empresas estão cada vez mais curtos”, afirma o presidente em entrevista ao podcast “De frente com CEO”, da EXAME.

Se antes estratégias duravam cinco ou seis anos, hoje muitas empresas operam com horizontes de dois a três anos - ou menos.

O maior erro das empresas hoje: estratégia desconectada da operação

Um dos principais gargalos da gestão no Brasil, segundo Ribas, está na execução.

Empresas até definem boas estratégias, mas falham na hora de colocá-las em prática.

“Quando quem aperta o parafuso não sabe por que está apertando, a estratégia não acontece”, diz.

Na prática, isso significa:

  • metas mal desdobradas
  • falta de alinhamento entre áreas
  • decisões que não chegam ao nível operacional

Para empresários, o impacto gera crescimento travado, desperdício de recursos e baixa produtividade.

“Não basta definir o caminho, é preciso garantir que ele seja executado. Se a estratégia não chega na operação, a empresa não caminha na direção que definiu.”

Veja a entrevista completa de Alexandre Ribas, CEO da Falconi, ao podcast "De frente com CEO", da EXAME:

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NR-1: o novo desafio da gestão

Com a nova NR-1, prevista para entrar em vigor em maio, as empresas irão responder também sobre a saúde mental dos funcionários, o que escancara um problema antigo: a superficialidade na gestão de pessoas.

Para Alexandre Ribas, a mudança mais relevante não está na obrigação legal em si, mas no que ela exige das empresas no dia a dia.

“A principal mudança não está nas políticas, mas no fato de as empresas precisarem conhecer melhor as suas pessoas.”

Isso significa ir além de indicadores básicos e entender, de fato, o que acontece com os funcionários:

  • contexto pessoal
  • nível de engajamento
  • riscos de sobrecarga
  • ambiente de trabalho real

Na prática, a NR-1 pressiona empresas a evoluírem de um RH mais operacional para uma gestão mais analítica e próxima da realidade dos times.

“Se você não conhece bem o seu time, fica muito difícil saber como cuidar da saúde mental.”

Veja também: ‘Brasil não está preparado para a NR-1’, diz especialista britânico

Tecnologia deixou de ser diferencial, virou pré-requisito

Outro ponto crítico, segundo o CEO que lidera uma das maiores consultorias de gestão do Brasil: não existe mais gestão eficiente sem tecnologia.

“Não existe transformação de negócio que não passe por tecnologia”, diz o CEO.

Isso inclui desde digitalização de processos até o uso de dados, inteligência artificial e automação para tomada de decisão.

“Empresas que não colocam a tecnologia no centro da gestão tendem a perder competitividade — especialmente em um cenário de pressão por eficiência", afirma.

Empresas médias: um mercado com maior potencial de gestão

Outro movimento relevante no Brasil está fora dos holofotes: o crescimento das empresas de médio porte.

Segundo Ribas, há cerca de 30 mil empresas nesse segmento que ainda têm pouco acesso a ferramentas avançadas de gestão.

Esse grupo representa uma das maiores oportunidades de crescimento no país, justamente por estar no meio do caminho: já superaram o estágio inicial, mas ainda não têm estrutura robusta de gestão

“Existe um mercado pouco assistido, com empresas que já cresceram, mas ainda não têm acesso a consultoria,” afirma.

Veja também: "Sua saúde mental vale mais do que qualquer salário", diz Leandro Karnal

Setor público: impacto indireto no seu negócio

Mesmo para empresas privadas, a gestão pública continua sendo um fator determinante.

Processos lentos, burocracia e baixa eficiência impactam diretamente o ambiente de negócios.

“A diferença é simples: no setor privado você pode fazer tudo que não é proibido; no público, só o que é permitido”, diz Ribas.

O resultado é um sistema menos ágil e que exige mais adaptação das empresas.

As 4 prioridades das empresas para 2026:

Diante desse cenário, a agenda de gestão nas empresas brasileiras passa por 4 prioridades neste ano:

  1. Conectar estratégia à operação: sem execução, planejamento não gera resultado.
  2. Acelerar o uso de tecnologia: digitalização deixou de ser opcional.
  3. Evoluir a gestão de pessoas: conhecer o time virou ativo estratégico.
  4. Ganhar eficiência em um cenário de pressão: margens apertadas exigem disciplina operacional.

Em um país com tantos desafios, e oportunidades, a diferença entre empresas que crescem e empresas que estagnam está cada vez menos na estratégia, e cada vez mais na execução.

“Problemas sempre vão existir. O que muda é a qualidade deles”, diz Ribas.

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