Easy Carros levanta R$ 120 milhões para ajudar pequenas locadoras a competir com as grandes

FIDC estruturado pela Milenio Capital deve ser empregado na aquisição de 3.000 veículos destinados a ampliar a frota dos 500 clientes da Easy Carros
Fernando Saddi, fundador e CEO da Easy Carros: "Queremos ajudar as pequenas locadoras de veículos a conseguirem competir com as grandes e serem agentes de transformação do setor" (Divulgação/Divulgação)
Fernando Saddi, fundador e CEO da Easy Carros: "Queremos ajudar as pequenas locadoras de veículos a conseguirem competir com as grandes e serem agentes de transformação do setor" (Divulgação/Divulgação)
Leo Branco
Leo Branco

Publicado em 18/11/2022 às 15:05.

Última atualização em 18/11/2022 às 15:15.

Uma das empresas de tecnologias dedicadas a dar um empurrão aos negócios de locadoras de veículos, a startup Easy Carros levantou 120 milhões de reais num Fundo de Investimento em Direitos Creditórios, o FIDC, uma modalidade de investimento no qual titulares de cotas têm rendimentos atrelados a recursos advindos de uma empresa.

A emissão do FIDC foi estruturada pela Milenio Capital, gestora focada no mercado de crédito.

Os recursos vão financiar a aquisição de até 3.000 veículos por parte de pequenas e médias locadoras.

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O que está por trás do FIDC

A aquisição de carros é, atualmente, um dos maiores gargalos para concorrentes de menor porte conseguirem competir com grandes como Localiza, Unidas e Movida.

Tradicionalmente, as locadoras de veículos permanecem com carros por entre 12 e 24 meses. Após esse período, os automóveis costumam ser vendidos para financiar a renovação da frota.

A falta de componentes, reflexo da desorganização das cadeias de suprimentos globais após a covid-19, e a consequente queda na produção de veículos e alta no preço, atrapalha planos de expansão das locadoras.

Para elas financiarem seus carros, por meio de uma modalidade de crédito antes restrita a grandes players, mas mantendo a sua operação (ou seja sem precisar vender seus seminovos para financiar a compra da nova frota), a ideia é a Easy Carros emitir Notas Comerciais em nome das locadoras — elas, por sua vez, viram devedoras do FIDC.

Os contratos de locação com os clientes finais — motoristas a passeio ou autônomos a serviço de aplicativos de mobilidade como Uber e 99 — serão cedidos em garantia a esses empréstimos. Assim, a ideia é cobrir as obrigações das Notas Comerciais pelos fluxos financeiros das locadoras.

“Nosso intuito é ajudar a impulsionar o mercado de aluguel de carros, aumentando o fôlego das pequenas e médias locadoras, trazendo maior previsibilidade de receitas e, potencialmente, fomentando um setor que gera emprego e renda para muitas pessoas, o de motoristas por aplicativos", diz Gustavo Ahrends, sócio da Milenio Capital.

"O crédito sustentável é uma nova tendência e queremos levar este business a um outro patamar, ajudando-os a obter o funding necessário para impulsionar esse novo segmento."

Como é o modelo de negócio da Easy Carros

Fundada em São Paulo, a Easy Carros tem à frente da operação Fernando Saddi, um dos pioneiros do venture capital no Brasil.

Antes de passar para o outro lado do balcão, o do empreendedor, Saddi foi uma das mentes da operação brasileira da incubadora e venture builder alemã Rocket Internet.

Por lá, foi um dos CEOs do marketplace de artigos de moda e design Airu.

Em paralelo à Easy Carros, Saddi também é um dos partners da MAR Ventures, fundo de VC focado em negócios com blockchain, computação quântica e inteligência artificial.

A Easy Carros nasceu em 2015 como um plataforma para locadoras com dezenas ou poucas centenas de veículos pudessem mostrar sua frota a potenciais clientes online.

A ideia para o negócio veio da própria experiência de Saddi com a indústria auto — a família dele tem concessionárias de veículos na Grande São Paulo.

"A indústria automobilística passa por uma transformação profunda com o carro deixando de ser um bem e virando um serviço", diz ele.

"Queremos ajudar as pequenas locadoras de veículos a conseguirem competir com as grandes e serem agentes de transformação do setor."

Atualmente, apenas 1% da frota mundial é de veículos de serviço por assinatura — algo entre 450.000 e 500.000 veículos —, mas essa fatia pode chegar a 20% nos próximos anos.

Em sete anos, o software da Easy Carros agregou módulos online — a locadora pode comprar o pacote completo, num esquema one-stop-shop, ou consumir um ou outro produto.

Quais são os serviços da Easy Carros

Hoje, as frentes de negócio da Easy Carros com as locadoras de veículos são as seguintes:

  • Gestão de reservas de automóveis
  • Controle de contratos de locação
  • Serviço de manutenção dos veículos
  • Plataforma de gestão financeira

Atualmente são mais de 500 clientes com uma frota somada de 200.000 veículos cadastrados.

“Nosso objetivo é entregar às pequenas e médias locadoras melhores condições de negócio para que elas tenham mais competitividade e, assim, possam crescer. Nossa missão é democratizar o acesso às soluções antes restritas aos grandes players do segmento, oferecendo novas oportunidades de crédito e a expansão dos modelos de negócios das locadoras", diz Saddi.

"Ajudá-las a atuar no mercado de assinatura com segurança e previsibilidade, atendendo demandas crescentes por veículos faz parte da nossa missão.”

Quanto a Easy Carros movimenta

O Brasil é um terreno fértil para o negócio da Easy Carros pela pulverização do mercado. Aqui, as três maiores do setor têm cerca de 40% do mercado. Na Europa, as cinco maiores têm 90%; nos Estados Unidos, as líderes têm 97%.

Ao contrário de países desenvolvidos, onde o turista em busca de liberdade de circulação nas férias domina o setor, no Brasil a demanda de motoristas de aplicativo costuma ter um peso relevante — 20% das vendas fechadas pelas locadoras cadastradas na Easy Carros são para esse mercado.

Em 2022, a plataforma da Easy Carros deve movimentar 1,5 bilhão de reais em GMV, indicador para o valor total de mercadorias vendidas em um e-commerce. É uma alta anual de 40%.

Antes do FDIC, a Easy Carros já havia levantado 35 milhões de reais em aportes semente, série A e B. Entre os fundos investidores estão Yellow Ventures, de Patrick Sigrist (fundador do iFood).

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