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'Deveremos abrir de 40 a 50 lojas no Brasil', diz presidente da Subway

Veja a entrevista exclusiva de Jorge Rodriguez, que assumiu presidência para América Latina e Caribe após trabalhar em McDonald's e Burger King

Jorge Rodriguez, presidente regional da Subway para América Latina e Caribe  (Subway/Divulgação)

Jorge Rodriguez, presidente regional da Subway para América Latina e Caribe (Subway/Divulgação)

GA

Gabriel Aguiar

Publicado em 11 de fevereiro de 2022 às 06h00.

Última atualização em 11 de fevereiro de 2022 às 15h44.

A Subway tem a segunda maior rede de fast food do país, com cerca de 1.650 unidades – e perde somente para o McDonald’s. Só que o plano é crescer ainda mais por aqui e chegar à antiga meta, que previa 1.800 restaurantes. Não por acaso, a empresa contratou Jorge Rodriguez (responsável por revolucionar globalmente as finanças da “concorrente dos arcos dourados”) como presidente regional para América Latina e Caribe há pouco mais de três semanas.

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Formado em contabilidade e especializado com MBA na Fordham Gabelli School of Business, nos EUA, o americano descendente de cubanos tem 25 anos de experiência de mercado. E, antes de chegar à atual rede de fast food ou mesmo do McDonald’s, passou por Burger King e Bacardi-Martini. Ainda liderou indústrias na América Latina, na Europa e na Ásia nos setores de bens de consumo, varejo e finanças. Na Subway, tem a missão de melhorar resultados.

Vale lembrar que somos o quarto maior mercado da empresa (que tem 38 mil lojas no mundo). Só que a nova estratégia da companhia aposta na identidade fresh forward, que deixa os produtos à mostra para os clientes, e no drive-thru para manter o ritmo de expansão por aqui. Tanto que, no ano passado, foram inaugurados 22 restaurantes; em 2022, o número deverá ser de 40 e 50. Bem diferente da pandemia, quando perdeu quase 20% do volume no país.

Leia a primeira entrevista de Jorge Rodriguez à imprensa brasileira, dada com exclusividade à EXAME:

Qual é o maior desafio da Subway no Brasil atualmente?

"Nosso maior desafio é continuar crescendo. Terminamos o último ano em uma situação positiva e estamos muito felizes por avançar com a marca no Brasil, mesmo quando a América Latina e todo o mundo está lidando com os desafios da pandemia".

Como sua experiência no McDonald’s e no Burger King podem contribuir na Subway?

"Minha experiencia em outras companhias de franquias me ajudam a lidar com os franqueados de toda a América Latina. Porque é preciso ter dois pontos de vista: da companhia Subway e também os franqueados. São eles que trabalham dia após dia para superar a nossos objetivos".

Existe algo das concorrentes que pode ser aproveitado pela Subway?

"Como não? Acredito que a vantagem é que há muitas lições e aprendizados que podemos tirar de companhias como McDonald’s e Burger King. Mas a parte importante e o motivo pelo qual eu vim à Subway é porque a marca tem um potencial imenso e estamos vendo isso nos resultados da região. Quando temos produtos frescos, inovações e criatividade, existe uma oportunidade de crescimento muito grande para a marca".

Qual é a participação do nosso mercado na região de América Latina e Caribe? E no mundo?

"Posso dizer que, na região, há aproximadamente 3.500 restaurantes e o Brasil tem cerca de 1.650 deles, o que faz dele o maior mercado de toda a América Latina. Então é muito importante para nós na região e temos uma oportunidade imensa de crescimento da nossa rede. [atualmente, o Brasil é o quarto maior mercado da empresa em todo o mundo]".

Haverá alguma mudança no modelo de franquia? E para os franqueados?

"O que eu posso dizer é, neste momento, não temos nenhuma intenção de mudar nosso modelo de franquias. Sei que houve muitas mudanças em todo o mundo, mas o foco agora é em como melhorar o fluxo, a rentabilidade dos franqueados e os custos dos produtos para empurrar adiante a marca no Brasil. Esse é meu foco agora".

E qual é a estratégia para aumentar fluxo, rentabilidade e baixar custos?

"É uma combinação de remodelação das lojas, com novo desenho e drive-thru, acesso facilitado para os entregadores de delivery e também pelas mudanças que têm acontecido no mundo digital com todas as companhias de alimentação. Essa digitalização é totalmente necessária, principalmente depois da pandemia e das mudanças do consumidor. É muito importante do ponto de vista estratégico e ajuda a crescer a marca".

Quando começara esse modelo de lojas com drive-thru e novo desenho?

"Estamos investigando essa questão do drive-thru, porque, como você sabe, o Brasil é um país que tem cidades muito grandes, então estamos usando ferramentas para identificar os lugares ideais que nos permitam uma oportunidade. Também acreditamos no modelo fresh forward [que exibe perto dos clientes todos os produtos e modos de preparo]. Talvez sejam implementados neste ano. Estamos falando com nossa equipe de desenvolvimento para identificar os lugares ideais onde poderemos desenvolver esses modelos no país. [Atualmente, há 12 unidades com drive-thru]".

Existe mercado para manter um plano de expansão no Brasil?

"Acredito que ainda há mercado. Antes da minha chegada, tínhamos um objetivo mais alto do que nossa rede atual, mas a pandemia nos impactou como a muitas outras empresas do setor. Em 2020 abrimos apenas nove lojas, enquanto, no ano passado, foram 22. Começamos a retomar o projeto de desenvolvimento para abertura de novas lojas e podemos voltar à nossa meta antiga, que era de 1.800 lojas, o que significa cerca de 150 unidades mais do que temos".

Como enxerga o setor de alimentação no Brasil?

"Temos nossos desafios, especialmente no Brasil, com inflação e questões trabalhistas. Mas o consumidor está voltando à normalidade. Em toda a América Latina, abrir e fechar cria desafios, mas, do meu ponto de vista, o mercado em toda a região começará a retomar a normalidade nos próximos meses e o consumidor já voltará ao ritmo antigo".

Quais foram os efeitos da pandemia e da crise atual para a Subway?

"Claro que há a inflação, mas o principal tema que vimos foi a disponibilidade de matéria-prima e os impactos em produção. Eram processos que já estavam estabelecidos e tiveram que mudar, com reflexos em determinados produtos. Então, para mim, esse foi a questão mais grave.

Muitas vezes não dava para manter nosso cardápio completo porque faltava matéria-prima e o consumidor quer variedade. Quando não há variedade, busca outro lugar que tenha disponível. Então, para mim, no setor, esse foi um tema muito difícil. Mas claro que os custos subindo também nos afetaram".

Quando esses processos e matérias primas estarão normalizados?

"Muitos dos fornecedores já estão se preparando. Minha opinião é que há uma expectativa que agora estamos voltando a um ponto de normalidade, ou do novo normal, que é mais aceitável do que antes, quando havia todas as ordens de fechar. Mas os fornecedores já estão se preparando para atingir um ponto mais estável, com mais equilíbrio econômico que ajuda a todos".

Haverá investimento no Brasil neste ano?

"Investimentos para o desenvolvimento de novos restaurantes, sim. Em 2021, abrimos 22 unidades e, neste ano, deveremos abrir de 40 a 50 lojas. [Não comenta investimentos em valores]".

Quais são as previsões para o nosso mercado em 2022?

"Temos um plano de mercado para apresentar um pouco de inovações dos nossos produtos, com novas opções de sanduíches que já fizeram muito sucesso. Teremos as matérias-primas para fazer nossos produtos e esperamos que isso traga bons resultados para a marca. Esperamos crescimento de pelo menos 1% a 3% no mercado brasileiro neste ano".

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