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Como a Defesa brasileira está virando um bom negócio para as empresas

Companhias como Embraer, Odebrecht e Usiminas são atraídas pelo aumento de gastos militares

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Cargueiro KC-390, da Embraer: em 2010, a carteira de pedidos do segmento de defesa somou US$ 3,23 bilhões (Divulgação/Embraer/Divulgação)

Cargueiro KC-390, da Embraer: em 2010, a carteira de pedidos do segmento de defesa somou US$ 3,23 bilhões (Divulgação/Embraer/Divulgação)

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Daniela Barbosa, Márcio Juliboni

Publicado em 15 de abril de 2011 às, 08h24.

São Paulo – O setor de Defesa é a nova fronteira que vem atraindo empresas brasileiras de diversos setores. Da Embraer, uma veterana neste setor, à Usiminas, uma estreante, o que há em comum é o desejo de disputar um mercado que deve movimentar cerca de 10 bilhões de reais por ano, segundo o Ministério da Defesa.

E há muitos negócios a ser explorados pelas companhias privadas. O próprio ministro da Defesa, Nelson Jobim, afirma que este é o setor mais atrasado do país. Por isso, há carência de tudo: do desenvolvimento de blindados e jatos de guerra, até satélites de vigilância e submarinos, passando por programas de computador.

Os contratos militares tornaram-se mais atraentes para a indústria privada depois de 2008, quando o governo lançou a Estratégia Nacional de Defesa (END). Trata-se de um plano para reorganizar e reaparelhar as Forças Armadas, com o objetivo de reforçar sua presença nas fronteiras do país e defender os ares e oceanos brasileiros.

O que chamou a atenção das empresas, na END, é a disposição do governo de incentivar o desenvolvimento de uma indústria bélica brasileira. O objetivo é ampliar o grau de nacionalização no setor – algo estratégico para as Forças Armadas, e bastante comum nos países desenvolvidos. Basta lembrar que a americana Lockheed Martin fez fortuna fornecendo caças, cargueiros, blindados, satélites e muito mais ao governo dos Estados Unidos.

Novo território

Entre 2001 e 2010, os gastos militares do Brasil cresceram a uma média de 2,9% ao ano, passando de 21,679 bilhões de dólares para 28,096 bilhões, segundo Instituto Internacional de Estudos da Paz de Estocolmo (Sipri, na sigla em inglês). No cálculo do Sipri, estão gastos com as Forças Armadas, Ministério da Defesa, missões militares e investimentos, entre outros.



Disputando uma fatia desses recursos, estão empresas já conhecidas do setor, como a Embraer, que já atua nesse mercado muito antes da EDN ser lançada pelo governo. Mas foi só final do ano passado que a companhia criou a Embraer Defesa e Segurança. Desde então, realizou duas aquisições para se consolidar nesse mercado. Primeiro adquiriu 64,7% da empresa de radares Orbisat, por 28 milhões de reais. Nesta semana, anunciou a compra de 50% da Atech, pelo valor de 36 milhões de reais.

“Outros investimentos ainda devem ser anunciados, mas não no curto prazo”, afirmou Luiz Carlos Aguiar, presidente da Embraer Defesa e Segurança. Essa unidade de negócios deve faturar, neste ano, cerca de 600 milhões de dólares, um montante que corresponderia 12% do faturamento total da Embraer. “Até 2020, a Defesa deve representar aproximadamente 20% da receita total da companhia”, disse o executivo.

Em 2010, a carteira de pedidos do segmento de defesa da Embraer somou 3,23 bilhões de dólares. O grande destaque é o cargueiro KC-390, que, mesmo não tendo o seu projeto concluído, já recebeu dezenas propostas de intenção de compras. Boa parte, no Brasil.

Consolidação

A Odebrecht é outra grande companhia brasileira que anunciou, recentemente, a criação de um braço específico atuar em Defesa. Para isso, adquiriu o controle da Mectron Engenharia, fabricante de mísseis e produtos de alta tecnologia.

Mas foi mesmo em 2010, que a Odebrecht começou a dar sinais que estava interessada em explorar o mercado de defesa e segurança. No ano passado, a Odebrecht fechou uma parceria com a EADS Defence & Security para fornecer sistemas integrados para as Forças Armadas e para a segurança civil. Outro negócio foi fechado com a DCNS, para atuar no projeto de construção de quatro submarinos convencionais e um nuclear do Programa Nacional de Desenvolvimento de Submarinos, da Marinha do Brasil.

Mercado externo

Não é só no Brasil que a Odebrecht pretende explorar esse mercado. Segundo Roberto Simões, presidente da Odebrecht Defesa e Tecnologia, há possibilidades também em outros países da América Latina. “Vamos aproveitar a nossa experiência internacional para conquistar uma carteira de exportação no segmento de defesa”, disse o executivo.


O foco na América Latina não é casual. Segundo o Sipri, somente os países sul-americanos gastaram 63 bilhões de dólares em Defesa no ano passado. Trata-se de um crescimento real de 5,8% sobre 2009 – o maior, entre as regiões pesquisadas. Desde 2001, a região eleva os gastos militares ao ritmo médio de 3,7% ao ano.

Por ser um negócio novo, a Odebrecht ainda não fez as contas do peso que a Defesa terá sobre as receitas do grupo. “Sabemos apenas que é um mercado que vai exigir muita paciência e nos trará retorno no longo prazo”, afirmou Simões.

Investimento estrangeiro

O aquecimento do mercado chama a atenção também de empresas estrangeiras. É o caso da italiana Iveco, controlada pela Fiat. A empresa vai investir 75 milhões de reais na construção de uma fábrica de blindados em Minas Gerais – a segunda da Iveco no mundo.

Batizada de Iveco Defence, a unidade possui um contrato de 6 bilhões de reais com o Exército, com prazo até 2030. Os protótipos dos veículos estão em desenvolvimento. “Esse setor vai representar 13% do faturamento total da Iveco”, disse Marco Piquini, porta-voz da Iveco no país.

A Agrale, empresa também voltada para o setor de veículos especiais, também está desenvolvendo uma linha de veículos voltado para o mercado militar. Segundo Hugo Zattera, presidente da Agrale, há oito anos a companhia começou a desenvolver veículos de defesa. “Apesar de ser nosso nicho mais novo de atuação, ele já representa 13% da nossa receita”, afirmou.

Logística

A Atmos é outra que está descobrindo o mercado de defesa. Até bem pouco tempo atrás, a empresa desenvolvia apenas radares meteorológicos. Agora, desenvolve sistemas de apoio para a logística da Força Aérea e da Marinha. Segundo Cláudio Carvas, presidente da Atmos, o plano de defesa do governo regulamentou esse mercado.


A Usiminas também quer pegar carona no crescente desenvolvimento do setor de defesa e saiu na frente das demais siderúrgicas brasileiras no desenvolvimento do aço balístico, material mais resistente e usado na construção de veículos de defesa. Apesar de ainda não ter nenhum contrato fechado para esse material, a companhia avalia que há excelentes oportunidades nesse mercado.

“Trata-se de um produto com maior valor agregado e será um diferencial no nosso portfólio”, afirmou Darcton Damião, diretor de inovação da companhia. O aço balístico da Usiminas deve ser apresentado ao mercado em 2013.

Apesar do corte de 4,3 bilhões de reais no orçamento federal, anunciado recentemente pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, o cenário não intimida as companhias dispostas explorar esse mercado. “A redução no orçamento é apenas para este ano. As companhias têm muito a ganhar no longo prazo”, afirmou Tarcisio Takashi, especialista no assunto e presidente da Atech.
 

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