Carrefour Brasil chega a acordo para comprar Grupo BIG por R$ 7,5 bilhões

Varejista passará a controlar no Brasil marcas como Walmart, Sam’s Club e Maxxi Atacado

O varejista Grupo Carrefour Brasil divulgou em fato relevante na madrugada desta quarta-feira, 24, que chegou a um acordo para comprar o Grupo BIG Brasil, por 7,5 bilhões de reais. O grupo BIG, controlado pelo fundo de investimentos Advent International e pelo Walmart, é dono de marcas como BIG, Super Bompreço, Maxxi Atacado, Walmart e Sam's Club no Brasil e tem mais de 40 mil funcionários no Brasil. Além disso, o grupo BIG é dono do ativo imobiliário de 181 lojas (4% do total) e de mais 38 propriedades, que somam valor de 7 bilhões de reais. A estimativa é que a combinação crie um grupo com vendas brutas de cerca de 100 bilhões de reais. 

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Segundo o comunicado divulgado, a aquisição "expandirá a presença do Carrefour Brasil em regiões onde tem penetração limitada, como o Nordeste e Sul do país, e que oferecem forte potencial de crescimento". " A transação também vai reforçar a presença do Carrefour Brasil em formatos nos quais tem presença mais limitada, em particular os supermercados (99 lojas Bompreço e Nacional) e soft discount (97 lojas Todo Dia)". O comunicado diz ainda que a complementariedade dos negócios vai ampliar a base de clientes do Carrefour no Brasil de 45 milhões para 60 milhões de clientes.

O Grupo BIG (antigo Walmart Brasil) opera uma rede de 387 lojas, sendo 35 unidades Sam's Club, 107 hipermercados BIG e BIG Bompreço, 99 supermercados Bompreço e Nacional, 97 lojas Todo Dia, 49 unidades Maxxi e 13 postos de gasolina.

Noël Prioux, CEO do Grupo Carrefour Brasil, afirmou que “a aquisição do Grupo BIG marca um grande passo em nosso desenvolvimento, ampliando a nossa presença geográfica em certos estados, expandindo a nossa atuação em formatos, além de adicionar um modelo muito promissor e que ainda não operamos - Sam’s Club".

Patrice Etlin, Sócio Sênior e Membro do Comitê Executivo Global da Advent International, afirmou que "estamos muito orgulhosos da transformação implementada juntamente ao Walmart e diretoria do Grupo BIG, fazendo com que o Carrefour adicione um time de primeira linha e uma formidável rede de lojas."

O Carrefour informou que identificou potencial de sinergias que ampliem o ebitda (lucro operacional) em 1,7 bilhão de reais anualmente três anos após a conclusão da operação. Entre as prioridades estão converter as unidades Maxxi para a bandeira Atacadão e parte das lojas BIG e BIG Bompreço para as bandeiras Atacadão e Sam's Club. As demais lojas devem ser convertidas para a bandeira de hipermercados Carrefour. Outra prioridade é o avanço dos canais digitais, um dos principais ganhos do Carrefour durante a pandemia da covid-19.

O pagamento da transação será realizado 70% em dinheiro e 30% por meio de emissão de novas ações do Carrefour (CRFB3). O acordo fechado inclui um adiantamento de 900 milhões de reais ao grupo BIG, e um pagamento adicional condicionado à valorização das ações do Carrefour Brasil. Concluída a operação o Grupo Carrefour terá 67,7% de participação no Grupo Carrefour Brasil (ante 71,6% de hoje) e a Península Participações terá 7,2%, enquanto Advent e Walmart terão juntos 5,6%.

A transação ainda deve passar pela aprovação dos acionistas do Carrefour e do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), como órgão regulador. A conclusão da aquisição está prevista para 2022.

Nova mudança

O negócio marca mais uma mudança na história do Walmart no Brasil marcada pela dificuldade de adaptação ao país -- ficou famosa a história de que nos primeiros anos a varejista vendia até equipamento de neve no país.

O Advent comprou 80% da operação brasileira da maior varejista do mundo em 2018. Sem pagar um real, o Advent ficou com 80% da operação do Walmart no Brasil, e se comprometeu a investir 2 bilhões de reais na empresa até 2021. Foi o maior negócio do fundo em duas décadas no país e também o mais desafiador.

O interesse do Advent veio com a crise econômica. Em 2016, a gestora buscava empresas para investir o dinheiro de um fundo de 2,1 bilhões de dólares levantado com foco na América Latina. Para entrar no ramo de supermercados a oportunidade disponível era de um gigante que na época faturava 28 bilhões de reais no país.

Um ano após a compra, os novos controladores abriram mão da marca Walmart e transformaram a empresa em Grupo BIG. Luiz Fazzio, ex-Carrefour, assumiu a presidência e priorizou a expansão e modernização das redes Maxxi e Sam's Club, que tem produtos importados e cobra uma taxa anual de seus clientes.

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