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Após ouvir muitos "não", ele montou um negócio que investe R$ 115 milhões em energias renováveis

A Trinity Energias Renováveis, criada em 2012, está diversificando o seu portfolio de serviços e entrando no mercado de geração distribuída de energia

João Sanches, fundador da Trinity: Estamos antecipando o plano de chegar em 100 megawatts em um ano (Mariana Pekin/Trinity/Divulgação)

João Sanches, fundador da Trinity: Estamos antecipando o plano de chegar em 100 megawatts em um ano (Mariana Pekin/Trinity/Divulgação)

A Trinity Energias Renováveis está ampliando a sua atuação no mercado e investindo na construção de usinas de geração de energia solar. A movimentação representa a entrada no segmento de geração distribuída, um novo pilar para a empresa que oferece serviços de consultoria e negociações no mercado livre de energia.

A companhia acaba de construir duas unidades em Bom Sucesso, Minas Gerais, ao custo de R$ 28 milhões, e está com mais quatro em andamento - duas no Rio de Janeiro, em Seropédica e Itaguaí, e outras duas também em Minas, em Mateus Leme.

As novas usinas terão investimentos de R$ 115 milhões e, com a potência instalada de 26,5 megawatts, podem atender 13 mil residências.

A previsão é de que comecem a operar em janeiro de 2023, ano em que a Trinity estima colocar de pé mais seis usinas, sendo quatro no Nordeste e duas no Centro-Oeste, com aplicação de R$ 140 milhões em recursos.

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Quais os focos da empresa

A movimentação vai de encontro ao plano de chegar em 2025 com 100 megawatts de potência instalada.

“Estamos antecipando o plano de chegar em 100 megawatts em um ano porque encontramos bons projetos e percebemos que era o momento de aumentar os recursos”, afirma João Sanches, CEO e fundador da Trinity.

A entrada na geração distribuída busca aproveitar o bom momento do setor, cada vez mais em destaque e atualmente a única forma dos consumidores residenciais conseguirem diminuir o valor das suas contas. A economia pode girar em torno de 20% a 30%.

Segundo dados do Ministério de Minas e Energia, a geração distribuída solar atingiu 10 gigawatts no começo no ano. E a previsão, no Plano Decenal de Expansão de Energia, elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), é de que chegue a 34 GW em 2031.

O interesse crescente responde tanto a questões financeiras, com a economia de recursos quanto a critérios de de ESG, logo que é uma fonte renovável.

Para a empresa, tende a ser um investimento altamente rentável, com margem de 75%. Segundo o executivo, considerando o retorno do capital próprio aportado e a quitação do financiamento contraído para a construção, em 10 anos a operação está paga.

Isso significa que a empresa garante cerca de 15 anos de retorno alto, levando em conta que as placas solares têm vida útil estimada em 25 anos.

Como a Trinity atua

O pilar de geração distribuída deve representar um incremento de 5% na receita ao final de 2023, estima Sanches.

A empresa, que tem entre os clientes empresas como Vale e Raizen, veio incrementando a sua oferta de produtos no segmento de energia. Quando nasceu, em 2012, oferecia às empresas apenas consultoria sobre o mercado livre, o que envolve a realização de análises de viabilidade técnica, estudos e entender e lidar com questões regulatórias.

Entre 2016 e 2017, estruturou a mesa de operações de mercado livre, onde negocia energia para os seus clientes.

Esse braço responde hoje por 65% da receita da Trinity e foi o responsável por um salto no faturamento, que saiu de R$ 4 milhões em 2016 para R$ 100 milhões em 2017. Em 2022, a estimativa é de fechar perto dos R$ 2 bilhões.

Qual o impacto da mudança no mercado livre de energia

Até por isso, Sanches é só sorrisos quando fala de uma nova regulação no mercado livre prevista para entrar em vigor em 2024. A medida permitirá que cerca de 100 mil consumidores possam aderir ao modelo de negociação, que hoje é restrito a empresas que consomem mais de 500 quilowatts e estão conectadas à rede de média ou alta tensão.

“Em 2024, qualquer consumidor de média ou alta tensão pode ir para o mercado livre, ou seja, a partir de 30 quilowatts. E, em 2026, o mercado livre deve ser aberto também para residências, como é nos países desenvolvidos. Aí, teremos um mar azul para navegar”, explica.

Essas mudanças no setor fazem com que a empresa já analise que precisará de uma capitalização nos próximos três ou quatro anos, que pode ser tanto um IPO quanto outras formas de negociação. Ao longo da a trajetória, tem contato com a emissão de debêntures e CRIs (Certificado de Recebíveis Imobiliários).

Chá de cadeira no Acre

Para que a Trinity chegasse ao tamanho atual, movimentando bilhões e e com 50 profissionais no time, Sanches conta que teve que ouvir muitos não.

Ele caiu quase que de “paraquedas” na área de energia ao ser contratado por uma empresa do setor que tinha termelétricas e usava óleo importado como combustível. Antes, atuava no mercado financeiro, operando em bolsa para uma corretora.

Ficou lá dois anos fazendo hedge e foi onde começou a se interessar pelo mercado de energia.

Saiu para fundar a Trinity, em 2012, quando tinha 23 anos e, credita à juventude e incipiência do mercado livre de energia em 2012, a desconfiança com que era tratado na hora de negociar e apresentar a empresa. “Eram 20 reuniões para conseguir uma empresa”.

Uma das experiências mais marcantes foi ir até o Acre e não ser atendido por o dono de uma empresa com quem tinha agendado.

O empresário o cumprimentou, disse que para esperar e depois só mandou o recado pela secretária de que não poderia atendê-lo, quatro horas mais tarde. Como já tinha passagem de volta comprada, retornou a São Paulo.

"Muitas vezes era bem frustrante. O que me mantinha ali é que eu conquistei alguns clientes e eu ficava muito satisfeito com o trabalho e com o resultado que era levado para eles", finaliza.

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