A estratégia dessa startup para conquistar seis jurados no Shark Tank Brasil

O recorde anterior de interesse dos jurados era da Moradigna, startup de impacto social na área de habitação
 (Blend Edu/Divulgação)
(Blend Edu/Divulgação)
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Marcos Bonfim

Publicado em 07/10/2022 às 07:00.

Última atualização em 07/10/2022 às 08:45.

A startup de recursos humanos Blend Edu conseguiu um feito no Shark Tank Brasil ao conquistar o interesse de todos os jurados do programa exibido pela Sony.

No episódio veiculado nessa quinta-feira, 6, os cinco empresários que compõem o quadro fixo do programa e o jurado convidado, Joel Jota, CEO da Jota Company, resolveram investir na empresa, que atua centrada em estratégias para a promoção de diversidade e inclusão.

A startup foi criada em 2018 por Thalita Gelenske, fundadora e CEO. A profissional trabalha na área desde 2011, quando começou a estruturar as políticas de diversidade da companhia onde trabalhava.

"Foi um tema que fez muito sentido para mim como uma mulher lésbica. Significava criar ambientes com culturas de trabalho mais inclusivas para pessoas como eu e para tantas outras pessoas que não acessam as mesmas oportunidades", afirma.

Em 2018, largou o emprego e abriu a startup que analisa o grau de diversidade da empresa, traça planos de como avançar na discussão e cria rotinas para implementar políticas e ações de longo prazo.

Desde então, trabalhou com 90 companhias, dentre as quais 3M, OLX Brasil, Globo e TIM, impactando aproximadamente 40 mil pessoas.

Para a Cielo, por exemplo, mapeou as necessidades e contribuiu para com a construção de uma política e manifesto mais conectados com os objetivos da empresa. Também mantém uma agenda de interação com as lideranças, desenvolvendo iniciativas que fomentem o olhar para a diversidade.

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O recorde anterior de interesse dos jurados era da Moradigna, startup de impacto social na área de habitação que busca melhorar as condições de vida de pessoas em situação de vulnerabilidade. Na segunda temporada, os cinco jurados da época investiram no projeto.

Qual foi a estratégia

A startup estruturou como estratégia a proposta de oferecer aos ‘tubarões’ 5% da companhia por R$ 18,00, referência ao ano de nascimento da Blend.

Inusitada, a ideia estava centrada no entendimento de que chegou o momento de a startup crescer como marca e ganhar reputação de mercado.

E, para isso, a visibilidade, a mentoria e a rede de contatos dos jurados seria um ativo importante para avançar e conquistar novos clientes.

Atualmente, as indicações, o tradicional boca a boca, têm sido preponderantes para o crescimento da startup, que prevê dobrar o faturamento de 2021 e fechar o ano com R$ 4 milhões.

“Nós começamos a ver que se conseguíssemos ampliar a visibilidade dos nossos produtos para mais pessoas, isso com certeza ajudaria no nosso crescimento, principalmente dos produtos que temos que são de base tecnológica, com um perfil escalável”, afirma Gelenske.

Com o interesse de todos os tubarões, a empresa acabou cedendo um pouco de participação, 12%. Cada executivo ficou com 2%, vai pagar R$ 3,00 e tem a possibilidade de adquirir mais 2%, seguindo o valuation da Blend na época do potencial de interesse – hoje, gira em R$ 8 milhões.

No momento, a confirmação do investimento depende dos processos de due diligence e da assinatura dos contratos.

O que a empresa apresentou

Para o programa, Thalita, Manuela Fonseca, gestora da Comunidade Diversidade SA e Davi Gelenske, head comercial e de parcerias da Blend Edu, optaram por levar um produto chamado “Diversidade SA”, que funciona com uma espécie de comunidade de diversidade por assinatura.

O projeto reúne conteúdos sobre diversidade e inclusão, eventos, cases e lives com famosos, como Emicida, Lázaro Ramos e Pequena Lo.

“As empresas que fazem parte desta comunidade conseguem um custo-benefício muito bom, se preparam, se capacitam, tem o apoio da nossa equipe e ações de sensibilização e educação no ano inteiro”, explica Thalita.

O objetivo da startup com a solução é sair de 33 empresas assinantes para 50 até o fim do ano. Em 2023, chegar a 100 contratantes.

O produto tem um ticket médio anual de R$ 35 mil e conta com pacotes tanto para grandes companhias quanto médias e pequenas.

Está inserido no portfolio de soluções digitais, vertical que a startup quer ampliar ao longo dos anos por ser mais escalável. Atualmente, representa entre 25% e 30% do faturamento.

O restante vem de projetos de consultoria, diagnóstico e desenho estratégico de programas de diversidade, além de curso, palestras e workshops.

Quais os próximos passos

Para continuar crescendo, a startup também está investindo em estratégias de gamificação, como jogos onde as pessoas podem refletir sobre os seus graus de privilégio.

Outros caminhos incluem a realização de eventos e modelos mais avançados de pesquisa censo, a partir dos quais as empresas têm mais autonomia para monitorar os indicadores de diversidade e inclusão.

E ainda a criação de um produto que contribua para com o desenvolvimento de carreira de pessoas de grupos sub-representados  que será conectada com potenciais empregadores.

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