Air Fryer vira fenômeno dos cozinheiros amadores na quarentena

Vendas da fritadeira sem óleo disparam em empresas e marcas como Polishop, Mondial e Britânia e revelam tendência para o mercado de eletrodomésticos

Se você não influenciou alguém a fazer uma compra na quarentena, provavelmente você foi o influenciado. No caso desta jornalista, a influência veio dos amigos durante uma chamada de vídeo. Com todos em suas casas, a troca de receitas culinárias ficou mais frequente, e junto vieram entusiasmadas indicações para comprar a “milagrosa” fritadeira sem óleo, também chamada de air fryer.

O que aconteceu nesse pequeno grupo de amigos é uma amostra de como o equipamento se popularizou. Atualmente, o índice de busca pelo termo air fryer no Google é de 71 numa escala que vai até 100. O ponto máximo da escala indica o pico das pesquisas, atingido na última Black Friday. Antes da pandemia, estava em apenas 27; subiu para 71 em abril e tem se mantido nesse nível. O interesse dos brasileiros tem se refletido nas vendas do produto. Segundo a empresa de pesquisa GfK, a fritadeira elétrica teve aumento na demanda online de mais de 100%.

Na varejista Polishop, a mais famosa propagandeadora da panela mágica, em maio e junho as vendas da air fryer cresceram 32% quando comparadas com o mesmo período do ano passado. Segundo o presidente da varejista, João Appolinário, os consumidores passaram a ver os benefícios de praticidade e saudabilidade da air fryer. “A Polishop sempre comunicou o benefício de seus produtos e a fritadeira se encaixa bem nesse discurso”, afirma. A Polishop vende modelos com preços entre 1.000 e 1.500 reais.

Para conseguir aumentar as vendas durante a pandemia, a empresa passou por altos e baixos. O desafio era fazer o e-commerce alavancar e realizar a logística reversa dos produtos, já que 65% do estoque fica nas 287 lojas físicas. “As lojas foram fechadas de uma hora para a outra e ninguém tinha um planejamento de como agir numa pandemia”, diz. Atualmente, cerca de 50% das lojas da Polishop estão abertas.

A fabricante Mondial, que oferece modelos de air fryer por cerca de 300 reais, registrou um crescimento nas vendas da fritadeira sem óleo de 62% entre abril e junho comparando com o mesmo período de 2019. O eletrodoméstico foi um dos produtos que ajudaram a companhia a crescer cerca de 30% neste ano. No caso da Mondial, porém, a força-tarefa teve como objetivo abastecer lojistas, especialmente nas lojas virtuais, como Magazine Luiza e Lojas Americanas. “Os consumidores perceberam a importância de ter bons eletrodomésticos em casa”, diz Giovanni Cardoso, presidente da Mondial.

E se engana quem pensa que as fritadeiras são iguais. A Britânia, por exemplo, fabrica mais de dez modelos, que juntos venderam 22% mais na pandemia do que no mesmo período do ano passado. “Com a variedade, é possível atender diferentes tipos de consumidores, desde famílias pequenas, que precisam de um produto mais compacto, até famílias maiores que desejam fazer diversas receitas ao mesmo tempo”, afirma Cristiane Clausen, diretora executiva do Grupo Britânia.

Mercado

A pandemia deu impulso a um interesse que vem crescendo ao longo dos anos. No Facebook, há grupos com mais de 150.000 membros que se reúnem para compartilhar apenas “receitas de air fryer“. O Brasil já ocupa a segunda posição no ranking mundial das vendas dessas fritadeiras, segundo a provedora de pesquisas de mercado Euromonitor International. As vendas de fritadeiras (e cafeteiras) vêm crescendo a taxas anuais de 15%, enquanto produtos da chamada linha branca, como fogões e micro-ondas, crescem a um ritmo de 7% ao ano.

Segundo o GfK, as vendas de 15 das 30 categorias de eletrodomésticos cresceram de maio a junho antes igual intervalo de 2019, as de 12 caíram e para três as vendas se mantiveram. Entre os outros destaques de elevação estão o liquidificador, o aspirador de pó e a escova de cabelo elétrica. Nas categorias em baixa há, por exemplo, o ferro de passar roupas. Segundo a Mondial, a empresa cresceu em 20 categorias.

Para os fabricantes da air fryer, este é o momento de aproveitar a popularidade da panela para aquecer todo um mercado. “A casa do brasileiro ainda tem poucos eletroportáteis. Agora que o consumidor descobre os benefícios de um equipamento, deve se interessar por mais modelos do mesmo produto ou até outras categorias”, diz Cardoso, da Mondial. Por isso, a Britânia já investe em novidades para o segundo semestre, como outros tipos de fritadeiras, liquidificadores e batedeiras planetárias, além de secadores de cabelo e escovas secadoras.

A reabertura dos shopping centers também é vista como um ponto a favorecer o aumento de vendas, apesar da expansão do e-commerce durante a pandemia. Nas cerca de 50 lojas da Polishop que já foram reabertas, o consumidor pode optar por retirar o produto mais rápido. “Temos visto que o cliente vai até a loja já sabendo o que quer, e escolhe o ponto físico para receber antes”, afirma Appolinário.

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