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Eleições nos EUA: Trump vence primárias em Iowa; DeSantis fica em segundo lugar

Embora já prevista pelas pesquisas, a vitória de Trump marca um importante passo em sua campanha para tentar voltar à Casa Branca

Eleições nos EUA: Trump vence primárias em Iowa; DeSantis fica em segundo lugar (Getty Images)

Eleições nos EUA: Trump vence primárias em Iowa; DeSantis fica em segundo lugar (Getty Images)

Rafael Balago
Rafael Balago

Repórter de macroeconomia

Publicado em 15 de janeiro de 2024 às 22h51.

Última atualização em 16 de janeiro de 2024 às 10h06.

Donald Trump venceu as primárias em Iowa, nos Estados Unidos, na madrugada desta terça-feira, 16. Com  mais de 90% dos votos apurados, o ex-presidente teve 51% deles. Foi uma diferença de quase 30 pontos em relação ao segundo lugar, de Ron DeSantis, que ficou com 21,2%. Já Nikki Haley ficou em terceiro, com 19,1% dos votos.

A vitória de Trump em Iowa não é surpresa, pois há vinha sendo previstas pelas pesquisas há meses. Mesmo assim, o ex-presidente marca um importante passo em sua campanha para tentar voltar à Casa Branca, ao vencer o primeiro teste real das urnas neste ano, especialmente pela ampla vantagem em relação ao segundo lugar.

O percentual de Trump em Iowa, 51%, é recorde nos últimos anos em disputas de primárias naquele estado em que houve competição de fato entre os candidatos. Em 2020, por exemplo, o próprio Trump buscava a reeleição e teve apenas um competidor.

 

A vitória veio também apesar da questão de que o ex-presidente enfrenta quatro grandes processos na Justiça e mais de 30 ações que buscam torná-lo inelegível, por ter buscado reverter o resultado das eleições de 2020, que perdeu para Joe Biden. Uma decisão final sobre a questão será tomada pela Suprema Corte, em data ainda a ser definida.

No discurso após os resultados, Trump parabenizou os rivais por seu desempenho. "Eles são pessoas muito inteligentes, muitos capazes", disse. Ele ainda afirmou que DeSantis "realmente foi muito bem" e elogiou Vivek Ramaswamy, que chegou em quarto lugar, por fazer "um grande trabalho". Ramaswamy se retirou da campanha horas depois e endossou Trump.

O tom de Trump mudou em relação ao que ele costuma usar: o ex-presidente fez ataques duros aos rivais de partido ao longo dos últimos meses.

Já os ataques ao rival Joe Biden, que disputa a reeleição, se mantiveram. Trump o chamou de "pior presidente de todos os tempos" e atacou cidades controladas por democratas, como a capital Washington, pela alta da criminalidade, algo que Iowa não teria de enfrentar. "Iowa, nós amamos vocês. Saiam e comprem tratores maiores e mais terras. Não se preocupem com isso", discursou.

Em Iowa, as primárias ocorrem no formato de caucus: eleitores se reúnem para ouvir as propostas de representantes dos candidatos e depois depositam seus votos. Os caucus foram realizados no começo da noite. As duas grandes questões da apuração eram qual seria a vantagem de Trump ante os rivais e quem seria o segundo colocado. "Será frustrante para Trump se a vitória não for de 30 a 40 pontos de vantagem", apontava Mauricio Moura, professor da Universidade George Washington e sócio do fundo Zaftra, da Gauss Capital. 

Nas últimas semanas, Nikki Haley, ex-governadora da Carolina do Sul, teve um impulso e subiu nas pesquisas. No entanto, DeSantis, governador da Flórida, investiu pesado na campanha em Iowa, o que o ajudou a levar o segundo lugar. Haley ainda chega com condições de competir nas próximas primárias, em New Hampshire, onde pode ter vantagem pela questão de o estado ter eleitorado mais jovem e escolarizado, na comparação com Iowa.

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A votação em Iowa é a primeira rodada de votação das primárias republicanas, que escolherão qual será o candidato do partido à Presidência. Outros estados farão suas votações ao longo do primeiro semestre. A próxima rodada dos republicanos será em New Hampshire, em 23 de janeiro.

O calendário de realização das primárias vai até junho. Em julho, os republicanos se reúnem em uma convenção nacional para decidir o candidato do partido. Os democratas farão processo similar, com convenção nacional marcada para agosto. Joe Biden, atual presidente, é o favorito para obter a indicação e enfrentar o candidato republicano na disputa final pela Presidência. O dia da eleição será em 5 de novembro.

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