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Presidente interina da Venezuela diz que 'não há agente externo' governando o país

Declaração de Delcy Rodríguez ocorre um dia após tomar posse da liderança do país, em meio à operação militar dos EUA que capturou Nicolás Maduro

Delcy Rodríguez toma posse como presidente interina da Venezuela nesta segunda-feira (Federico Parra/AFP)

Delcy Rodríguez toma posse como presidente interina da Venezuela nesta segunda-feira (Federico Parra/AFP)

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 6 de janeiro de 2026 às 20h11.

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Delcy Rodríguez, presidente interina da Venezuela, afirmou nesta terça-feira, 6, que nenhum "agente externo" está no controle do país.

A declaração ocorreu durante sua primeira atividade de gabinete desde que assumiu o cargo, na segunda-feira, 5, um dia após a captura de Nicolás Maduro em uma operação militar conduzida pelos Estados Unidos.

"O governo venezuelano governa o nosso país, ninguém mais. Não há nenhum agente externo governando a Venezuela", disse Delcy, em um pronunciamento televisionado. Sua liderança começou sob pressão de Donald Trump, que afirmou controlar o país.

"Desde já, faço o nosso reconhecimento aos mártires que deram a sua vida para defender a Venezuela", acrescentou. "A Venezuela está em um caminho doloroso pela agressão inédita que sofreu, mas o povo venezuelano está nas ruas, marchando, pela paz no nosso país e pela liberdade do nosso presidente".

Sob a vigilância de Trump

A gestão de Delcy Rodríguez começou sob pressão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que declarou estar no controle da Venezuela.

Em declarações à NBC, Donald Trump disse que Delcy Rodríguez tem colaborado com autoridades norte-americanas desde que assumiu o cargo. No entanto, ele negou que tenha havido qualquer coordenação prévia com o grupo político dela antes da deposição de Maduro.

“Não, não é o caso”, afirmou Trump, reforçando que a decisão sobre manter ou suspender as sanções impostas à Delcy Rodríguez será tomada em breve.

Ao ser questionado se houve algum tipo de acordo com autoridades venezuelanas para remover Maduro do poder, Trump respondeu: “Bem, sim, porque muita gente queria fazer um acordo, mas decidimos fazer assim”, indicando que a operação ocorreu sem a participação direta de integrantes do círculo próximo de Maduro.

Trump evitou confirmar se já conversou pessoalmente com Delcy Rodríguez, mas ressaltou que o secretário de Estado, Marco Rubio, tem mantido contato direto com ela. Segundo o presidente, “Rubio fala com ela fluentemente em espanhol” e o relacionamento entre ambos “tem sido muito forte”.

Mesmo assim, Trump sinalizou que uma nova incursão militar na Venezuela permanece como possibilidade caso a presidente interina deixe de cooperar com as autoridades norte-americanas. Apesar da ameaça, Trump afirmou não acreditar que uma segunda ofensiva será necessária. “Estamos preparados para isso”, declarou. “Na verdade, já prevíamos isso.

Entenda a invasão dos EUA à Venezuela

Os Estados Unidos invadiram a Venezuela na madrugada deste sábado, 3, e capturaram o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, em uma operação militar de grande escala que incluiu bombardeios em Caracas e em regiões estratégicas do país.

A ação, confirmada pelo presidente americano Donald Trump, levou o líder chavista para uma prisão nos Estados Unidos sob acusações de narcoterrorismo e abriu uma crise sem precedentes recentes na América do Sul, com impactos diretos sobre a soberania venezuelana, o equilíbrio regional, o mercado global de petróleo e a arquitetura de segurança internacional.

Os Estados Unidos afirmam ter realizado um ataque em larga escala contra a Venezuela, com bombardeios em Caracas e em estados estratégicos como Miranda, La Guaira e Aragua. Segundo Washington, a ofensiva derrubou sistemas de energia e alvos militares antes da captura de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.

Maduro foi capturando antes de entrar em um bunker, retirado do país e levado para os Estados Unidos, onde está preso no Metropolitan Detention Center, no Brooklyn. Ele é acusado de narcoterrorismo e tráfico internacional de cocaína e deverá responder a processos em tribunais de Nova York. Autoridades venezuelanas afirmam que integrantes da equipe de segurança presidencial foram mortos durante a operação.

A ação foi conduzida, segundo a imprensa americana, por militares da Delta Force, unidade de elite do Exército dos EUA.

Após a operação, Trump apresentou o que chamou de “Doutrina Donroe”, em referência direta à Doutrina Monroe, ao afirmar que o hemisfério ocidental estaria sob responsabilidade de Washington. O presidente dos EUA disse que a ofensiva representa uma nova estratégia de intervenção regional e afirmou que novas ações militares não estão descartadas.

Trump declarou que as Forças Armadas americanas permanecem prontas para um segundo ataque caso o novo comando venezuelano “não se comporte”. O presidente também fez advertências diretas a Colômbia e México, sugerindo que ambos enfrentam problemas ligados ao narcotráfico e poderiam ser alvo de iniciativas semelhantes.

(Com informações da AFP)

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