Mundo

Papa diz que países que "falam de paz e vendem armas" são "hipócritas"

"A guerra é contrária à razão, é uma loucura e não faz sentido, e com a qual não podemos nunca nos acostumar", afirmou

Papa Francisco: pontífice disse também ter medo dos discursos de líderes populistas (Remo Casilli/Reuters)

Papa Francisco: pontífice disse também ter medo dos discursos de líderes populistas (Remo Casilli/Reuters)

A

AFP

Publicado em 23 de fevereiro de 2020 às 12h12.

O papa Francisco condenou neste domingo, durante um compromisso em Bari, no sul da Itália, a guerra que atormenta os países nas proximidades do Mediterrâneo e definiu como hipócritas aqueles que "falam de paz e vendem armas".

"A guerra é contrária à razão, é uma loucura e não faz sentido, e com a qual não podemos nunca nos acostumar", acrescentou.

A crítica do papa foi feita durante uma rápida viagem de um dia a essa cidade na região de Apulia, onde participou do encontro "O Mediterrâneo, fronteira para a paz", organizado pela conferência episcopal italiana junto a 59 bispos vindos de 20 países.

Em seu discurso, o papa aproveitou para fazer menção ao "grande pecado da hipocrisia", já que muitos países "falam de paz e vendem armas aos que estão em guerra", ressaltou.

O pontífice argentino reiterou ser contrário às guerras e mencionou "as divisões" e "as desigualdades" que afetam a região do Mediterrâneo, que definiu como "O Mare Nostrum, o lugar físico e espiritual no qual nossa civilização foi formada, como resultado do encontro de diferentes povos", comentou.

Ao referir-se a essa área, com muitos focos de instabilidade e guerra, tanto no Oriente Médio quanto na África, Francisco comentou sobre o conflito entre Israel e os palestinos.

"Também não podemos esquecer o conflito, ainda sem resolução, entre israelenses e palestinos, que corre o perigo de ter soluções não equitativas e, portanto, pode gerar uma nova crise", alertou.

O pontífice disse também ter medo dos discursos de líderes populistas, porque o fazem lembrar das "mensagens de ódio dos anos 1930 do último século", em referência ao nazismo e ao fascismo.

Durante o compromisso na cidade italiana, o papa fez um dos discursos mais pacifistas já realizados por ele.

A guerra "é uma verdadeira loucura, porque é irracional destruir casas, pontes, fábricas, hospitais, matar pessoas e aniquilar recursos em vez de construir relações humanas e econômicas", ressaltou.

Na ocasião, o pontífice argentino também aproveitou para defender de novo os imigrantes, que são os que "mais sofrem na área do Mediterrâneo, os que fogem das guerras e deixam sua terra em busca de uma vida humana mais digna", alertou Francisco.

Acompanhe tudo sobre:GuerrasPapa FranciscoArmas

Mais de Mundo

Índia, Mercosul e mais: 6 planos da Europa para depender menos dos EUA

Queda de aprovação e risco de shutdown: como crise do ICE afeta Trump

Irã alerta para 'consequências destrutivas' se UE classificar Guarda Revolucionária como terrorista

Portugal apreende submarino com quase nove toneladas de cocaína vindo da América Latina