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Novo surto de Ebola mata 65 na República Democrática do Congo

O Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças reportou cerca de 246 casos e 65 mortes em novo surto de Ebola na República Democrática do Congo

Surto de Ebola causa 65 mortes na República Democrática do Congo. Na foto, um profissional da saúde se prepara para tratar infectados do atual surto (John Wessels/AFP/AFP)

Surto de Ebola causa 65 mortes na República Democrática do Congo. Na foto, um profissional da saúde se prepara para tratar infectados do atual surto (John Wessels/AFP/AFP)

Publicado em 16 de maio de 2026 às 08h00.

Um novo surto do vírus mortal do Ebola atingiu a província de Ituri, no leste da República Democrática do Congo (RDC), com 246 casos e 65 mortes confirmadas até sexta, 15, pelo Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças (África CDC, na sigla oficial). As cidades de Mongwalu e Rwampara, centros de mineração, foram particularmente afetadas.

Testes preliminares no Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica (INRB, na sigla em francês, língua nacional do país), conduzidos na capital, Kinshasa, detectaram o vírus em 13 das 20 amostras analisadas, apesar das autoridades congolesas ainda não terem declarado formalmente um surto — das 65 mortes, quatro foram confirmadas em testes de laboratório, diz a África CDC. Outros testes ainda estão sendo conduzidos para determinar a variação exata do patógeno.

Além disso, autoridades da Uganda,um país fronteiriço ao leste que já viveu seus surtos da doença, também confirmaram ao menos um caso de Ebola oriundo da RDC em seu território, quando o Ministério da Saúde do país confirmou que um homem de 59 anos, falecido nessa quinta, 14, teria testado positivo para o vírus.

À luz disso, o diretor-executivo da agência de saúde, Dr. Jean Kaseya, acrescentou que o "movimento populacional significativo" entre as áreas afetadas e os países vizinhos também torna essencial a coordenação regional. Todas as comunidades afetadas e áreas de risco foram orientadas a seguir as diretrizes das autoridades nacionais de saúde.

Em comunicado divulgado na sexta-feira, o África CDC acrescentou ainda que estava convocando uma reunião com a República Democrática do Congo, os países vizinhos Uganda e Sudão do Sul, além de outros parceiros internacionais, para discutir prioridades, incluindo esforços de resposta e vigilância transfronteiriça.

Todavia, Ituri está sob regime militar desde 2021, com a autoridade civil substituída por um general do exército numa tentativa de neutralizar dezenas de grupos armados que operam na região há muitos anos. Entre eles está a Força Democrática Aliada (ADF), afiliada ao grupo Estado Islâmico, o que torna difíceis os esforços de cooperação e de contenção.

O que é o Ebola?

virus ebola

Ebola: vírus causa febre hemorrágica com alta letalidade para humanos (Getty Images/Getty Images)

A doença do Ebola é causada por um dos seis vírus do Ebola conhecidos. Os patógenos foram descobertos originalmente em 1976 na RDC e acredita-se que tenham passado a infectar humanos a partir do contato com morcegos. Desde então, mais de 15 mil pessoas morreram devido ao vírus em países africanos. O vírus é contraído principalmente por contato direto com a carne de animais como morcegos e macacos e com fluidos corporais infectados — como saliva, sangue e urina.

A infecção se espalha rapidamente, sobrecarregando o sistema imunológico e provocando uma resposta muito agressiva, o que leva a hemorragias intensas e falhas em órgãos vitais.

O atual surto é o décimo sétimo na RDC, com o último ocorrido no ano passado, na remota região de Bulape, na província central de Kasai. Entre 2018 e 2020, o país viveu sua onda mais intensa de Ebola, que resultou na morte de quase 2.300 pessoas.

Os primeiros sintomas incluem febre alta, dores musculares, fadiga, enxaquecas e dores de garganta, seguidos de diarreia, vômitos, coceiras e, por fim, fortes sangramentos.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), não existe uma cura garantida para o Ebola, apesar de tratamentos intensivos no início da infecção melhorarem as taxas de sobrevivência, que, em média, pairam em torno de 50% — mas já variaram de 25% a 90% em surtos anteriores.

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